A Ferrari tem uma longa história na Fórmula 1 e um estatuto que representa essa herança na disciplina com uma base de apoio enorme, mas também é a estrutura sujeita a maior escrutínio por parte dos órgãos de comunicação social de Itália e dos seus fãs, os tifosi. Este é um factor que Jean Todt, antigo chefe de equipa da Ferrari e Presidente da FIA, vê com alguma preocupação na liderança de Frédéric Vasseur, que não conseguiu, na sua primeira temporada na equipa italiana, dar a volta a uma longa seca de títulos em Maranello. A ideia é partilhada ainda por um adversário de Vasseur, que aponta que a Ferrari tem de deixar de ser uma seleção nacional para voltar a ser uma equipa de corridas.
Depois da saída de Jean Todt da liderança da Ferrari, anos marcados pelo domínio da Scuderia e de Michael Schumacher, Frédéric Vasseur é já o quinto chefe de equipa. Destes, apenas Stefano Domenicali levou a Ferrari ao título de construtores – o último até agora – e mesmo assim, muito do desenvolvimento para essa temporada já estava em curso, herdado do ‘mandato’ de Todt.
Nas palavras de Jean Todt ao Canal Plus, “a Ferrari é uma equipa um pouco diferente porque cria emoção e paixão como nenhuma outra. Depois, se não funcionar, a tendência é que, com a pressão dos órgãos de comunicação social e dos tifosi, tenhamos de mudar de chefe e isso não é necessariamente uma coisa boa. Penso que, na altura em que fui líder, uma das vantagens que pude ter, e que mais tarde nos permitiu ter sucesso, foi precisamente o facto de ter beneficiado de estabilidade”.
As declarações de Todt vão de encontro às de Christian Horner, que afirmou no podcast ‘eff won with DRS’, que a Ferrari sofre interferência da sua administração e pressão de representar a Itália. “Acho que o maior problema para a Ferrari é que é uma equipa nacional. Tem de voltar a ser uma equipa de corridas. É uma instituição italiana e provavelmente há demasiadas pessoas no topo. Toda a gente tem uma palavra a dizer. De fora para dentro, um dos nossos pontos fortes é que nos movemos rapidamente, tomamos decisões e mantemo-nos fiéis a elas. E se tomarmos a decisão errada, mudamos a decisão. Acho que, para a Ferrari, os jornais têm uma grande influência sobre o que acontece lá. Por isso, é muita pressão estar na Ferrari”, concluiu.









