F1: Brawn considera diferença entre equipas inaceitável
O diretor desportivo da F1, Ross Brawn falou sobre as diferenças entras as três equipas de topo e as restantes, entre as quais existe uma diferença substancial e que prejudica a F1. O termo “campeonato B” foi sendo cada vez mais usado ao longo da época 2018, o que evidencia a diferença de andamento entre as equipas de topo, consideradas inalcançáveis pelas restantes que se limitaram a lutar pelo título de “melhor das restantes”.
Basta ver que as equipas de meio da tabela apenas conseguiram 2 pódios em dois anos, o que Brawn considera inaceitável.
“Como foi o caso em 2017, apenas por uma vez e de forma significativa, num circuito de rua especial como Baku, um piloto de uma dessas sete equipas chegou ao pódio”, disse Brawn. “Dois pódios num total de 123 possíveis [nas duas temporadas] são inaceitáveis, especialmente quando vemos uma divisão técnica e financeira cada vez maior. É um problema que estamos a tentar solucionar em conjunto com a FIA e as equipas, porque o futuro da Fórmula 1 depende disso. Existem várias soluções na mesa e todos nós devemos aceitar que não podemos continuar assim por muito mais tempo.”
Este problema tem sido um dos que mais tem tirado a beleza a uma F1 cada vez mais competitiva e interessante, após os primeiros anos de domínio avassalador da Mercedes. Apesar da luta entre essas equipas ser interessante não é bom ver os pilotos do top 3 a passarem como faca quente em manteiga pelos restantes adversários sem que estes esbocem uma tentativa de defesa aos ataques:
“A batalha deles [equipas do meio da tabela] foi certamente emocionante, no entanto, é difícil para os fãs ficarem realmente animados com uma batalha pelo oitavo lugar”, disse Brawn. “Dito isto, parabéns à Renault por ter terminado em quarto, confirmando o progresso que está fazendo e à Haas, já que terminar em quinto no seu terceiro ano no desporto é uma grande conquista.”
Segundo o britânico a F1 está a tomar medidas para que este cenário deixe de se repetir e que as diferenças não sejam tão grandes. Mas não parece que essas medidas possam ter efeitos prático até ao final desta regulamentação. As recuperações dos homens da frente foram amplamente elogiadas, mas a ultrapassagem de piloto de equipas do meio da tabela é apenas uma questão de tempo. Vimos por exemplo Hamilton e Verstappen conseguir chegar ao topo em menos de 10 voltas (facto que deve ser enaltecido), enquanto outros demoraram um pouco mais, mas esse feito torna-se menos vistoso quando olhamos para os tempos e vemos as diferenças. Basta ver que as diferenças entre os carros que passaram à Q3 e os que ficaram na Q2 na última qualificação do ano foi de mais de 2 segundos (em média). Em 2013 os tempos da Q2 e da Q3, combinados, cabiam em menos de 1.5 segundos.
A F1 2018 foi provavelmente a melhor colheita da era turbo-híbrida, com excelentes corridas, resultados surpreendentes e grandes lutas. Não podemos dizer que 2018 e 2017 foram anos maus e mesmo os primeiros anos da era turbo-híbrida deram-nos lutas interessantes. A F1, felizmente, nunca teve falta de motivos de interesse. Mas se a F1 se trata de uma busca incessante pela perfeição, também os reguladores deve procurar um campeonato cada vez melhor e isso implica mais equipas a lutarem por pódios. Vimos uma boa evolução da Renault, uma excelente evolução da Haas e da Sauber, mas as distâncias são ainda grandes. A próxima mudança nos regulamentos terá de ter esse facto em conta. Só assim a F1 poderá crescer e atrair mais fãs, como está a fazer a Fórmula E que apesar de todas as características que possam fazer torcer o nariz aos mais puristas, tem um conceito que fomenta corridas renhidas e interessantes. Se a F1 tem as pessoas mais inteligentes do desporto motorizado, esperemos que sejam tomadas as decisões certas para termos uma F1 cada vez melhor.
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