A F1 é feita de rivalidades. Sem elas, o desporto perde intensidade, interesse e beleza. E nas lutas mais acesas surgem alguns dos melhores momentos do desporto. Eis algumas das rivalidades que mais interesse despertaram ao longo de 2024, umas mais vigorosas que outras, mas todas elas com relevância na história desta temporada.
Importa realçar que não tivemos um duelo realmente aceso ao longo da temporada. Algumas lutas pontuais animaram o campeonato, mas não voltamos a ter um duelo como o de Max Verstappen e Lewis Hamilton em 2021, que ajudou a que essa época entrasse na história como uma das mais impressionantes de sempre. Mas importa recordar as batalhas mais quentes da época.
Lando Norris VS Max Verstappen
Foi a luta que mais interesse despertou, mas nunca assumiu proporções de duelo histórico. Lando Norris tornou-se no adversário com mais argumentos para parar a caminhada de Verstappen, rumo ao tetra. A McLaren deu um salto qualitativo impressionante, que a tornou na equipa com o carro mais rápido da grelha e Lando Norris assumiu pela primeira vez o papel de candidato. Mas Norris nunca foi verdadeiramente um candidato ao título, pois a distância para Verstappen foi sempre significativa. E quando ambos tiveram de lutar por posições, a vantagem foi invariavelmente de Versatappen. Por isso este duelo deixou algo a desejar, mas pode ter sido o início de uma história com mais capítulos, pois Norris quer ser campeão e aprendeu que tem de ser mais duro em pista. E para ser campeão, vai ser preciso enfrentar Verstappen.
Lando Norris VS Oscar Piastri
A subida de forma da McLaren também trouxe uma diferença na dinâmica interna da equipa. Desde a reestruturação iniciada por Zak Brown que as duplas de pilotos se focaram no bem da equipa em detrimento dos objetivos pessoais. 2024 trouxe, para além de um carro capaz de lutar pelo título, uma nova dinâmica interna, em que os pilotos começaram a “mostrar os dentes”. A luta interna aqueceu mais por incompetência da equipa em gerir os pilotos, numa tentativa de criar um ambiente de justiça, que trouxe algumas indefinições e, por isso, algum desconforto. A ligação entre os pilotos, que inicialmente parecia ser muito fraca ou inexistente, melhorou, tal como a sintonia entre ambos nas rondas finais, em que o objetivo passou a ser apenas a luta pelo título de construtores. Mas ficou no ar a ideia que tanto Lando Norris como Oscar Piastri estão prontos para elevar os níveis de agressividade e se a McLaren apresentar o mesmo nível de performance em 2025, a equipa terá de lidar com este duelo interno, potencialmente um dos mais interessantes a seguir.
Pierre Gasly VS Esteban Ocon
Foi uma das últimas cartadas da Alpine antes do projeto, tal como o conhecemos, desmoronar. A equipa contratou Pierre Gasly para se juntar a Esteban Ocon, criando assim uma dupla 100% gaulesa, numa equipa francesa. No entanto, esta dupla já tinha história do passado e o que em tempos longínquos foi uma amizade, tornou-se numa rivalidade intensa e por vezes muito dura. A entrada de Gasly na Alpine foi uma lufada de ar fresco, mas acarretava riscos. Em pouco tempo poderia criar-se mau ambiente na equipa, mas, apesar de alguns duelos mais intensos em pista, a relação entre os pilotos nunca chegou a azedar de forma irreversível. Aliás, terminou surpreendentemente, com um duplo pódio da Alpine, em que ambos os pilotos terminaram abraçados. Uma rivalidade que tinha tudo para ser explosiva, mas que os pilotos conseguiram controlar de forma correta, para benefício de uma equipa que estava focada apenas na sua sobrevivência.
Yuki Tsunoda VS Liam Lawson
Foi uma rivalidade de curta duração, que nunca pareceu dar azo a mau ambiente. Mas Yuki Tsunoda e Liam Lawson terminaram o ano, sabendo que eram candidatos a um dos lugares mais desejados da F1 e que apenas um deles conseguiria a vaga. Liam Lawson regressou à RB (ex-Alpha Tauri) para mostrar do que era capaz, enquanto Yuki Tsunoda tentava convencer os responsáveis da Red Bull que era o homem certo para o lugar de colega de equipa de Max Verstappen. O duelo acabou por sorrir a Liam Lawson, que foi o escolhido para o lugar de Sergio Pérez, mas em pista foi Tsunoda a levar a melhor, com mais pontos marcados nas mesmas seis corridas que fez com Lawson. Um duelo com um final esperado (a Red Bull nunca pareceu ter muita vontade de promover Tsunoda) e que nunca assumiu proporções dramáticas.
McLaren VS Red Bull
O duelo da McLaren com a Red Bull acabou por ser um dos mais entretidos do ano. Se dentro de pista a McLaren foi ganhando ascendente, fora de pista o jogo de palavras e as jogadas políticas subiram de intensidade. Christian Horner é um dos mais fortes neste capítulo e, com a ajuda de Helmut Marko, foram deixando farpas à McLaren que foi respondendo pela voz de Zak Brown, ao seu estilo. Também no plano técnico as queixas à FIA de parte a parte foram subindo de tom, com a Red Bull a ser particularmente agressiva nesse capítulo. Uma luta que terminou com a McLaren no topo e que não atingiu as proporções de uma luta Red Bull vs Mercedes, dada a fragilidade da Red Bull e a pouca experiência da McLaren nestas lutas do topo, mas que pode vir a ser mais interessante no futuro.
McLaren VS Ferrari
Com um final de época forte, a Ferrari entrou na luta pelo título de construtores, o que implicou um duelo com a McLaren. A equipa britânica foi ficando cada vez mais pressionada com a aproximação da Ferrari, mas nunca perdeu a compostura, tal como a Ferrari e nas lutas em pista não tivemos momentos verdadeiramente quentes. A rivalidade foi sempre saudável e basta ver as imagens dos abraços entre mecânicos e engenheiros das duas equipas no final da temporada para termos a prova que foi uma luta saudável, entre estruturas históricas e líderes que mantiveram sempre o nível.
George Russell VS Max Verstappen
Este é o mais recente ponto de tensão. E nem surgiu dentro de pista, mas sim fora numa disputa entre dois pilotos que nunca tiveram uma relação muito próxima, mas nunca se enfrentaram de forma acesa em pista. A rivalidade entre Max Verstappen e George Russell intensificou-se durante o Grande Prémio do Qatar de 2024, na sequência de um incidente polémico na qualificação. Russell quase colidiu com Verstappen, que pilotava lentamente atrás de Fernando Alonso. Verstappen alegou que estava a evitar perturbar as voltas dos outros, enquanto Russell argumentou que se não travasse poderia dar-se um acidente. Os comissários de pista penalizaram Verstappen com uma queda de um lugar na grelha, passando da pole para o segundo lugar.
A tensão aumentou quando Verstappen acusou Russell de manipular a situação e declarou que tinha “perdido todo o respeito” por ele. Russell retaliou, alegando que Verstappen ameaçou bater-lhe e rotulou-o de “rufia”. A animosidade transbordou para o Grande Prémio de Abu Dhabi, onde Russell terá evitado sentar-se perto de Verstappen num jantar de pilotos. Se em pista ainda não vimos sinais desta rivalidade, parece que a relação entre os pilotos vai ficar afetada e se uma acontecer uma luta pelo título entre os dois, poderemos voltar a ter tempos de tensão como vimos na última batalha entre homens da Red Bull e da Mercedes.











