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Estoril Classics: Confirmada a presença do Riviera F.1 170 que Ecclestone não deixou correr

Redação by Redação
31 Agosto, 2026
in FÓRMULA 1
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Estoril Classics: Confirmada a presença do Riviera F.1 170 que Ecclestone não deixou correr

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O Estoril Classics vai receber, entre 18 e 20 de setembro, um dos capítulos mais invulgares da história da Fórmula 1: o Riviera F.1 170, concebido para disputar o Campeonato do Mundo de 1980, mas que nunca chegou a ser inscrito num Grande Prémio. O monolugar italiano estará no Autódromo do Estoril 45 anos depois de ter sido projetado, numa nova oportunidade de contar a sua história junto dos adeptos.

A história da Riviera remonta a 1979, quando Alberto Colombo, piloto de Fórmula 2 natural de Varedo, procurava concretizar a ambição de chegar à Fórmula 1. Depois de passagens pela ATS e pela Merzario, Colombo encontrou na sua própria região o apoio necessário para tentar construir uma equipa italiana independente, com financiadores da região de Brianza a unir esforços para dar origem à Riviera F.1, um projeto que pretendia enfrentar o Campeonato do Mundo com uma estrutura pequena, mas com ambições muito maiores.

A responsabilidade técnica ficou a cargo do engenheiro Giorgio Valentini, figura respeitada no automobilismo italiano, com experiência na Autodelta e autor dos projetos do Merzario A3 de 1979 e, mais tarde, do Osella FA1C. Ao longo de cerca de 1200 horas de trabalho, Valentini e o seu assistente Savoldelli desenvolveram o Riviera F.1 170, um monolugar de efeito de solo equipado com o motor Ford Cosworth DFV V8. O projeto ficou registado em dez volumosas pastas de desenhos, com o monocoque construído pela britânica Thompson e as suspensões pela Preatoni, em Novara.

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Por detrás da iniciativa estava Paolo Barzaghi, empresário da indústria têxtil e principal impulsionador financeiro, acompanhado por Enrico Bogani, Riccardo Miani e Giacinto Facchetti, antigo capitão do Inter de Milão. A Riviera tinha sede em Milão e estrutura operacional em Varedo, nas instalações da Sanremo Racing de Alberto Colombo, contando com a Le Coq Sportif como principal patrocinador. O plano previa a participação em quatro Grandes Prémios em 1980, na Itália, França, Inglaterra e Alemanha, com a construção a recorrer a parte do material adquirido à equipa de Willi Kauhsen, que entretanto tinha abandonado a Fórmula 1 — ainda que o Riviera não fosse uma evolução de um Kauhsen, tratando-se de um monolugar construído de raiz, aproveitando apenas alguns elementos desse material, entre eles o bico. A equipa chegou a reunir quatro motores Cosworth DFV, numa altura em que o projeto ganhava forma e a hipótese de ver Colombo alinhar num Grande Prémio parecia cada vez mais próxima.

A Fórmula 1 de 1980 era, contudo, um mundo onde as ambições podiam crescer muito mais depressa do que os orçamentos. Quando o carro ficou montado, no início desse ano, estava cerca de 20 quilos acima do peso pretendido, mas o problema mais difícil não estava no carro em si, e sim no custo de o colocar em pista. O orçamento inicialmente previsto rondava os 600 milhões de liras, equivalentes hoje a cerca de 1,75 milhões de euros, mas já tinha duplicado nessa altura. Para garantir uma presença competitiva ao longo do Campeonato do Mundo, seriam necessários cerca de dez mil milhões de liras, aproximadamente 29,4 milhões de euros atuais.

Houve ainda uma última tentativa de salvar o projeto. No início de 1980, Bernie Ecclestone analisou os desenhos e a estrutura financeira da Riviera durante uma reunião no Hotel Principe di Savoia, em Milão. Havia interesse, mas também condições: Ecclestone pretendia um compromisso para todo o Campeonato do Mundo, garantias de continuidade e um empenhamento competitivo de três anos. O acordo não avançou, e foi nesse momento que o sonho de Alberto Colombo ficou pelo caminho. O carro estava construído, o motor podia funcionar e existia uma equipa preparada para tentar chegar à Fórmula 1, mas faltava aquilo que nenhum desenho ou solução técnica podia resolver: o dinheiro necessário para estar na grelha. O projeto morreu antes de chegar ao primeiro Grande Prémio, e o Riviera F.1 170 ficou parado, sem nunca ter percorrido um único metro de pista.

Durante décadas, o monolugar praticamente desapareceu, com as poucas fotografias conhecidas a manterem viva a memória de um projeto que esteve muito perto de chegar à Fórmula 1, mas cuja verdadeira dimensão permanecia difícil de confirmar. Em 2020, uma reportagem da revista italiana Autosprint voltou a despertar o interesse pela história, e cinco anos mais tarde o empresário e piloto de monolugares históricos Marco Fumagalli encontrou a carroçaria original num armazém prestes a ser demolido, juntamente com os desenhos originais de Giorgio Valentini. Fumagalli juntou-se então a Massimo Pollini, especialista na recuperação de automóveis de competição históricos, iniciando um trabalho que devolveu forma e identidade ao projeto concebido quatro décadas e meia antes, peça a peça, até o Riviera voltar a ser aquilo que Valentini e a sua equipa tinham imaginado em 1980.

A 18 de novembro de 2025, no circuito de Cremona, perto de Milão, chegou finalmente o momento adiado durante 45 anos. Marco Fumagalli sentou-se ao volante e, acompanhado por Massimo Pollini, levou o Riviera F.1 170 para a pista, ao longo de quatro sessões e quinze voltas — os primeiros metros de um automóvel concebido para disputar o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, mas que até então nunca tinha rodado em pista. Fumagalli descreveu a experiência de conduzir um carro que nunca tinha guiado antes: “é um wing-car e nunca tinha conduzido um carro deste tipo, apenas tinha feito algumas voltas ao volante dos carros de amigos. Utilizei o meu Riviera num teste longo e posso dizer que, nas curvas, é mais rápido quando o comparo com os meus Theodore ou Ensign. O cockpit é mais pequeno, mas todos estes wing-cars têm este pequeno problema.” O piloto recordou ainda ter sentido, pela primeira vez, o efeito de solo que Giorgio Valentini tinha procurado no projeto original: “senti o efeito de solo durante a primeira volta do teste em Cremona, no inverno de 2025, no final da reta. O carro estava muito próximo do chão e, nas boxes, está cinco centímetros mais alto.”

Tags: Estoril ClassicsF1Formula 1
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