Poucas equipas do meio de tabela tiveram um arranque de temporada tão animador como a Haas em 2026, mas a vantagem depressa se esfumou. A equipa norte-americana iniciou a temporada de forma forte, mas o entusiasmo dos dois primeiros meses deu lugar a uma segunda fase de estagnação que reabriu antigas feridas sobre a capacidade de desenvolvimento da equipa.
Em 2025, a Haas tinha terminado em oitavo lugar do Mundial de Construtores, com 79 pontos, uma melhoria face ao ano anterior e prova de que a equipa liderada por Ayao Komatsu conseguia rentabilizar bem os ensinamentos de um regulamento já maduro. Uma segunda metade de temporada mais profícua e um Oliver Bearman em forma permitiram terminar a era anterior com nota positiva, esperando que a nova era trouxesse mais e melhor.
Um começo auspicioso
O VF-26 surpreendeu desde a pré-temporada, completando quase 800 voltas nos testes de inverno, o segundo maior volume de toda a grelha, com boa fiabilidade do motor Ferrari e com um ritmo interessante. Essa base traduziu-se de imediato em pista: Bearman terminou sétimo em Melbourne e depois quinto na China, resultados que colocaram a Haas numa trajetória muito animadora e nem o fim da semana sem pontos de Miami esmoreceu o entusiasmo, com mais duas jornadas nos pontos no Canadá e no Mónaco. Mas nessas duas provas, a Alpine e a Racing Bulls começaram-se a destacar no meio da tabela e notava-se que havia uma mudança.

Em queda desde Barcelona
Desde o GP da Catalunha que a Haas não marca qualquer ponto, uma quebra indisfarçável e que realça algumas das fragilidades da equipa. Um carro que era candidato à Q3 passou a ter dificuldades de escapar à Q1. A Haas mantém-se na sétima posição, pois Williams, Aston e Cadillac também não pontuam desde a sétima jornada e a equipa entra na pausa de verão com 21 pontos — 17 deles ainda datados dos dois primeiros grandes prémios.
Ayao Komatsu admitiu diretamente que a Haas foi ficou para trás em relação a rivais como a Racing Bulls, apontada como o exemplo mais claro de uma equipa de meio da grelha a executar melhor o seu programa de atualizações em 2026.

Um carro inconsistente e imprevisível
Para além da falta de ritmo de desenvolvimento, a Haas arrastou ao longo da temporada um problema mais insidioso: a inconsistência do próprio VF-26. Esteban Ocon alertou várias vezes para diferenças de comportamento entre peças teoricamente idênticas, que dificultavam o trabalho de engenharia e de afinação do carro. Komatsu confirmou o problema junto da Hungria, sem esconder a frustração:
“A inconsistência com a qualidade do carro… não conseguimos identificar exatamente a origem. É algo que precisamos mesmo de resolver, porque é muito, muito importante ter essa consistência. Tens de conseguir montar peças da mesma especificação e ter a certeza de que vão ter exatamente o mesmo comportamento.”
Para piorar, em Spa, os dois carros da equipa chocaram entre si na primeira volta, furando ambos os pneus e comprometendo a corrida de forma desnecessária — um episódio que Komatsu tratou internamente, exigindo que “não volte a acontecer”.
Bearman consolida-se, Ocon luta pelo lugar
O contraste entre os dois pilotos da Haas tem sido claro. Oliver Bearman, agora na sua segunda temporada completa, tem sido praticamente o único a somar pontos relevantes: 18 dos 21 da equipa são seus, contra apenas três de Esteban Ocon. O britânico tem dominado o companheiro de equipa tanto em qualificação como em corrida, uma tendência que se mantém do ano passado, e é esperado que renove por mais uma temporada, com o apoio da Ferrari a pesar a seu favor. Bearman, passo a passo, começa a consolidar o seu nome na F1 e a prórpia Ferrari olha para o jovem britânico com expetativa, sabendo que tem duas super estrelas na sua equipa. Mas o jovem parece ter conseguido o mais importante… convencer a Ferrari de que, se for preciso um piloto para entrar já na equipa, está pronto para a tarefa.

Ocon, pelo contrário, vive uma temporada difícil. Confrontado com rumores sobre o seu futuro, o francês admitiu não ter “nada a anunciar” sobre 2027, num contexto em que o seu contrato termina no final do ano e a Haas já testou alternativas como Leonardo Fornaroli e Rafael Câmara. Ocon não mostrou o nível que se esperava na Haas e o seu lugar está em risco.A diferença de performance para Bearman é óbvia e o francês tem poucas corridas para convencer as chefias que deve manter-se no cargo. Tanto Câmara como Fornaroli são jovens talentos que aguçam muito o interesse das equipas e a Haas pode receber qualquer um deles. Será este o fim da linha de Ocon na F1?
Notas
- Haas – Nota 5
- Oliver Bearman – Nota 7
- Esteban Ocon – Nota 4
Foto: MPSA









