Kalle Rovanperä abdicou da sua participação na Super Formula por razões médicas e falta de preparação adequada, decisão que foi agora detalhada por responsáveis da Toyota.
O piloto finlandês, que se preparava para iniciar uma nova fase da carreira na competição japonesa, anunciou em março a desistência total da temporada, poucas semanas antes do arranque. Rovanperä tinha sofrido de vertigem posicional benigna durante um teste em dezembro, embora tenha posteriormente competido na Formula Regional Oceania, em janeiro, e participado em testes em Suzuka, em fevereiro.
A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é uma causa frequente de tontura súbita, caracterizada por breves episódios de vertigem intensa desencadeados por mudanças da posição da cabeça. Resulta do deslocamento de pequenos cristais de cálcio no ouvido interno, alterando a perceção de movimento e equilíbrio.
Apesar de provocar desconforto, com possível náusea, vómitos e desequilíbrio, é considerada uma condição benigna, não associada a lesões graves neurológicas ou tumorais. O diagnóstico é clínico, baseado na história e em manobras específicas que reproduzem a vertigem, e o tratamento é feito, sobretudo, através de manobras de reposicionamento, que recolocam os cristais na posição correta e costumam proporcionar alívio rápido dos sintomas.

Como um piloto não pode correr risco de ter uma crise súbita a alta velocidade, os médicos e a Toyota optaram por um período mais prolongado sem competição, para permitir recuperação completa e reabilitação sem pressão.
O diretor para o desporto motorizado da Toyota, Masaya Kaji, revelou que a decisão foi influenciada tanto por aconselhamento médico como pela preparação insuficiente do piloto. Em declarações ao Motorsport.com, explicou: “A decisão foi fortemente liderada pelo Morizo-san [Akio Toyoda], que assumiu a responsabilidade de a tomar. Foi uma decisão difícil para todos os envolvidos, mas foi tomada sob a sua liderança com um claro sentido de responsabilidade. Mas, a este nível, não faz sentido participar em corridas sem a preparação adequada.”
Kaji acrescentou que a prioridade passa agora pela recuperação total do piloto: “Quando o Kalle estiver totalmente preparado, tanto física como mentalmente, então enfrentaremos o próximo desafio juntos. É verdade que o tempo de preparação foi inferior ao ideal desta vez, mas acredito que poderá preparar-se devidamente para a próxima oportunidade.”
A decisão de cancelar toda a época, em vez de apenas algumas provas, deveu-se à necessidade de repouso contínuo: “Planeámos vários cenários, mas o maior problema é que, se estiver a descansar, não pode preparar-se. Por agora, temos de respeitar o que dizem os médicos e dar-lhe tempo para recuperar.”










