A Porsche estabeleceu em 2018 um novo recorde absoluto no Nürburgring Nordschleife ao completar os 20,832 quilómetros do traçado em 5.19,546 minutos, com Timo Bernhard ao volante do 919 Hybrid Evo.
O registo, alcançado a 29 de junho de 2018, retirou 51,58 segundos à volta de 6.11,13 assinada por Stefan Bellof num Porsche 956 C em 1983, uma marca que resistira durante 35 anos.
A volta de Bernhard baixou pela primeira vez a fasquia dos seis minutos no circuito alemão e foi cumprida a uma velocidade média de 233,8 km/h, números que reforçam a dimensão do feito técnico e desportivo. O 919 Hybrid Evo surgiu como uma evolução extrema do protótipo LMP1 que dominou o Mundial de Resistência e venceu Le Mans, libertado de várias restrições regulamentares após o fim do programa oficial da marca na categoria.
O ataque ao Nordschleife surgiu poucos meses depois de o mesmo modelo ter batido também o recorde de Spa-Francorchamps, então com Neel Jani, no âmbito da ofensiva da marca a circuitos históricos.
Nesse contexto, a Porsche transformou um projeto encerrado em competição numa plataforma de demonstração tecnológica e de afirmação de imagem, prolongando a vida competitiva do 919 fora das corridas oficiais.
Bellof continua no centro da comparação
A marca reavivou inevitavelmente a memória de Stefan Bellof, cujo 6.11,13 foi obtido na qualificação dos 1000 Km de Nürburgring de 1983 e se tornou uma referência quase mítica do traçado.
Embora o tempo de Bernhard passe a figurar como novo máximo absoluto, a comparação entre ambos não é linear: Bellof alcançou o seu registo em contexto competitivo, enquanto o 919 Hybrid Evo rodou numa sessão preparada especificamente para bater o recorde.
Reação do piloto e impacto
Após a volta, Timo Bernhard assumiu o peso simbólico do momento e descreveu o resultado como um marco especial na história recente da Porsche no Nordschleife.
O novo recorde consolida o 919 Hybrid Evo como uma das máquinas mais extremas alguma vez vistas na pista alemã, mas deixa também uma discussão em aberto entre adeptos e observadores: a de saber se um recorde obtido fora de prova pode ter o mesmo valor emocional do que uma volta lendária cravada em competição.
No plano factual, porém, a conclusão é inequívoca: 5.19,546 passou a ser o novo número de referência no “Inferno Verde”.











