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Jim Clark: Escocês suave…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
19 Fevereiro, 2026
in Autosport Exclusivo, AutoSport Histórico, F1, FÓRMULA 1, Newsletter, pv2
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Jim Clark: Escocês suave…

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Um escocês suave e cortês no trato, que conduzia um F1 como um pianista toca Rachmaninov, essa será para sempre a imagem que ficou de uma das grandes lendas da F1, e certamente um dos mais carismáticos pilotos da década de 60.
O escocês Jim Clark, nascido em 1936 na pequena vila de Kincaldy tornou-se também um dos grandes ícones da Escócia natal, juntamente com o whisky, Sean Connery, o monstro do Loch Ness e o Kitt.

Os primeiros passos na competição são dados em carros como Sunbeam, DKW, Porsche, e as suas prestações levam-no rapidamente a ser convidado para tripular um Jaguar D com as cores dos “piratas da fronteira”. Nesse mesmo ano (1958), Jim Clark conhece aquele que seria o seu grande mentor e com quem estabeleceria uma das mais profícuas relações na história da F1: Colin Chapman. Encantado com a ‘souplesse’ de Clark, o ‘criador’ da Lotus convida-o para um teste num Fórmula 2, no entanto na mesma sessão, o piloto titular Graham Hill sofre um aparatoso acidente, que acabou por levar Clark a renunciar ao monolugar. Mas, a insistência de Chapman acabou por surtir efeito e no dealbar da década de 60, Jim Clark assinava contrato com a escuderia britânica. Nascia assim a célebre santíssima trindade Clark/Chapman/Lotus.

A CONSTRUÇÃO DE UM MITO
A caixa de velocidades trai Jim Ckark na sua estreia na F1, no GP da Holanda em 1960, ano em que soma os primeiros pontos numa corrida (foi 5º), logo no diabólico Circuito de Spa-Francorchamps que nessa tarde tirou a vida ao seu companheiro de equipa Alan Stacey, e a Chris Bristow. Foi curta a passagem meteórica de Clark pela F1, mas foi decisiva para a sua modernidade já que o escocês deixou uma marca de profissionalismo numa época em que ainda dominavam os ‘gentleman drivers’.

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Em 1961, a estrela de Clark começa a brilhar vencendo o GP de Pau e em Brands Hatch onde se impôs ao ‘monstro sagrado’ Stirling Moss, também em Lotus. As duas corridas eram extra campeonato e Clark teve de esperar mais dois anos para confirmar o seu imenso talento. Pelo meio um brutal acidente com Wolfgang von Trips na entrada para a parabólica de Monza, em que o alemão perde a vida, quando o seu carro embate violentamente na bancada matando dez espectadores. Apesar de ficar isento de culpas neste acidente, as sequelas psicológicas são óbvias e no ano de estreia do Lotus 25, Clark não vai além de 10º no campeonato, apesar de ter somado a sua primeira vitória no Campeonato do Mundo no GP da Bélgica. O ano mágico para a dupla Clark/Lotus é em 1963, quando o escocês se mostra irresistível vencendo sete GP e arrecadando o seu primeiro título mundial.

No ano seguinte, perseguido pelo azar, não revalida o título por um triz, perdendo o cetro para John Surtees, da Ferrari. O poder e a glória de Clark são exaltados em 1965 quando o piloto da Lotus assina seis vitórias para sublinhar a ouro o seu segundo título mundial, tornando-o, igualmente o primeiro piloto europeu da era moderna a vencer em Indianápolis. Aos sucessos nos campeonatos de Fórmula 2 da Grã-Bretanha e França, Clark vai somando mais êxitos na F1, mas com a passagem da cilindrada de 1,5 para 3 litros na F1, o Lotus perde a hegemonia e competitividade.

Só a meio da temporada de 1967 a Lotus estreia o seu chassis 49 equipado com o lendário motor V8 Ford Cosworth DFV de 380 cv, e que se revela explosivo permitindo a Clark dominar a segunda metade da temporada, sem no entanto conseguir chegar ao tricampeonato. Para a época de 1968, o escocês das mãos de ouro e sorriso triste perfilava-se como o principal candidato ao título, mas o destino traiu Clark pela vez definitiva na tarde de 7 de Abril de 1968, quando o pneu do seu Fórmula 2 rebentou em Hockenheim, levando o carro descontrolado a embater numa árvore. Morria o homem, nascia a lenda do piloto que tinha conseguido bater Fangio no número total de vitórias em GP, 25.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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