O calor e a elevada humidade que se deverão fazer sentir em Singapura levará a uma estreia. A FIA declarou pela primeira vez um “heat hazard” (risco de calor) na Fórmula 1, devido às previsões de temperaturas acima dos 31 °C e níveis de humidade extremos.
A medida surge na sequência dos acontecimentos do GP do Qatar de 2023, onde vários pilotos sofreram de esgotamento físico severo: Logan Sargeant desistiu por desidratação, Alex Albon sentiu-se mal, Esteban Ocon chegou a vomitar dentro do capacete e Lance Stroll descreveu ter perdido momentaneamente a consciência em zonas de alta carga.
Com este precedente, a FIA desenvolveu um novo sistema de arrefecimento para os pilotos. O sistema inclui componentes montados no carro e uma camisola ignífuga com tubos que fazem circular líquido refrigerado junto ao corpo do piloto. Apesar de o uso da camisola ser opcional, todos os elementos devem estar instalados no monolugar, o que levou a um ajuste no regulamento: mais 2 kg no peso mínimo em treinos e qualificação, e mais 5 kg em corridas Sprint e no Grande Prémio.
“Qualquer piloto pode optar por não utilizar qualquer item de equipamento pessoal que faça parte do Sistema de Arrefecimento do Piloto”, lê-se no Artigo 26.19 do Regulamento Desportivo da FIA F1. “Nesta circunstância, todos os outros componentes, incluindo qualquer meio de arrefecimento, do Sistema de Arrefecimento do Piloto devem ser instalados.
Além disso, a diferença de massa entre o equipamento pessoal normalmente utilizado pelo piloto e quaisquer itens de equipamento pessoal do piloto que façam parte do sistema deve ser compensada pela instalação de 0,5 kg de lastro no cockpit.”
O sistema foi testado em corridas com temperaturas extremas, como na Arábia Saudita em 2025, onde atingiu 34 °C, mas os pilotos manifestaram opiniões divididas quanto ao conforto. Ainda assim, figuras como George Russell, diretor da Associação de Pilotos, consideram a mudança essencial: “Com 90% de humidade e cockpits a rondar os 60 graus, é uma verdadeira sauna. Esta medida é algo que todos devemos acolher.”
Singapura, já conhecida como uma das corridas mais exigentes do calendário pela combinação entre circuito citadino, provas noturnas e condições climatéricas severas, torna-se assim palco da estreia oficial desta nova norma. .
Foto: MPSA / Philippe NANCHINO










