Em Portugal, a fraude do conta-quilómetros gera prejuízos de milhões de euros aos compradores de carros usados, que pagam acima do valor real e arriscam custos elevados em reparações. O problema é comum noutros países europeus e afeta tanto veículos económicos como de luxo, segundo um estudo da carVertical, embora o nível de manipulação varie entre segmentos.
Em Portugal, a fraude do conta-quilómetros apresenta padrões diferentes dos de outros países: 2% dos carros abaixo dos 5000 €, 3,3% dos que custam entre 5000 € e 10 000 €, e 2,4% dos da faixa 10 000 €–15 000 € têm odómetros adulterados, segundo a carVertical. A nível europeu, 4,9% dos usados verificados em 2024 mostravam quilometragem manipulada, com maior risco em vendas transfronteiriças.

O impacto económico é elevado: estima-se que a fraude custe 5,3 mil milhões de euros por ano à Europa e 71,2 milhões a Portugal. A deteção é difícil devido à falta de registos eletrónicos e de troca de dados entre países. Compradores de veículos baratos são os mais vulneráveis, ao darem prioridade ao preço e pouca quilometragem sem verificar o historial ou recorrer a revisões profissionais, o que facilita o trabalho dos burlões e aumenta o risco de custos elevados após a compra.
A fraude do conta-quilómetros também afeta carros de luxo e pode gerar prejuízos muito maiores. Apesar de as taxas nos veículos mais baratos variarem entre 2% e 3,3%, a faixa dos 40 000 €–45 000 € regista a maior incidência (4,9%), e os modelos acima dos 50 000 € apresentam 2,9% de adulterações.
Apesar da abundância de carros com quilometragem adulterada nos sites de anúncios, é possível evitá-los verificando o histórico do veículo e os registos do odómetro. Compradores devem desconfiar de preços demasiado baixos e de pressões para fechar negócio rapidamente. Além disso, sinais de desgaste no interior, como volante, pedais ou estofos, podem revelar que o carro percorreu mais quilómetros do que o indicado.










