Christian Horner foi despedido da Red Bull, numa liderança que ruiu sob múltiplas pressões…
O despedimento de Christian Horner foi o culminar de meses de tensão, desconfiança e reestruturação interna.
De escândalos abafados a jogos de bastidores na estrutura acionista, passando pela aparente crise técnica no projeto de 2026 e pelas tensões com figuras-chave como Adrian Newey e Max Verstappen, Horner perdeu a rede de apoio que o sustentava.
A Red Bull entra agora numa nova fase, com muitos desafios pela frente — e sem o homem que a transformou numa das equipas mais dominantes da história da Fórmula 1. Melhor ou pior, não sabemos, mas o futuro será certamente diferente…
Uma saída surpreendente, mas há muito previsível…
Christian Horner foi despedido da Red Bull Racing de forma abrupta, encerrando um longo reinado de quase duas décadas como chefe de equipa. Apesar do choque inicial que a decisão provocou no paddock, as razões por trás do afastamento acumulavam-se desde o início de 2024 e resultam de uma combinação de conflitos internos, perda de apoio político dentro da estrutura da Red Bull e dúvidas crescentes sobre a sua lealdade.
Um escândalo abafado… até deixar de o ser
O primeiro sinal de instabilidade surgiu no início de 2024, quando Horner foi acusado por uma funcionária de comportamento impróprio. Embora não tenha sido formalmente afastado na altura, a divisão austríaca da Red Bull — que detém 49% da empresa – pretendia demiti-lo. O único motivo que impediu a sua saída foi o apoio direto de Chalerm Yoovidhya, o acionista maioritário tailandês, que detinha 51% do capital da Red Bull GmbH e usou esse poder para manter Horner no cargo.
A mudança de acionistas que abriu a porta à demissão
No entanto, tudo mudou recentemente. Chalerm Yoovidhya vendeu 2% das suas ações à Fides Trustees SA, um fundo fiduciário suíço independente. Com esta reconfiguração, deixou de haver um só acionista com maioria absoluta, dando à ala austríaca margem para concretizar a saída de Horner.
Sem o seu maior protetor dentro da estrutura acionista, a decisão foi rápida: Horner foi informado numa terça-feira e, no dia seguinte, a notícia da sua demissão correu o mundo.
As suspeitas de traição e a perda de confiança
Segundo o antigo engenheiro Kees van de Grint, Horner também terá ajudado a cavar a sua própria sepultura. As alegadas conversas com outras equipas, nomeadamente Alpine e Ferrari, terão levantado sérias dúvidas sobre a sua lealdade à Red Bull. Van de Grint foi claro: “O seu flirt com outras equipas fez muitos questionar se ainda era assim tão leal”.
A forma como Laurent Mekies foi rapidamente nomeado como sucessor — apenas uma hora após a saída de Horner — também gerou críticas. “Não é assim que se trata alguém que liderou uma equipa durante 20 anos”, disse o jornalista Allard Kalff.
Um ambiente em declínio e a saída de Adrian Newey
Outro sinal de que algo não estava bem foi a saída de Adrian Newey. O lendário engenheiro britânico, uma das pedras basilares da era de sucesso da Red Bull, deixou a equipa e afirmou que o ambiente estava a “ficar estagnado”. Fontes próximas indicam que Newey se sentia desvalorizado e que a relação com Horner se deteriorou significativamente. Após a sua saída, os resultados caíram: apenas duas vitórias em 2025, uma quebra drástica face ao domínio anterior. Nem tudo teve a ver com Newey, mas certamente não ajudou em nada, a sua saída…
As dúvidas de Verstappen e os riscos para o futuro
A demissão de Horner surge num momento crítico, quando a Red Bull trabalha intensamente no projeto para 2026 — e aparentemente nem tudo corre bem. Segundo Tom Coronel, “algo correu mal com o desenvolvimento do carro de 2026”. O próprio Max Verstappen ainda não experimentou o novo carro (no simulador), mas a sua equipa tem mostrado reservas quanto ao novo motor da Ford/Red Bull Powertrains.
As dúvidas técnicas e a saída de Horner levantaram especulações sobre uma possível mudança de Verstappen para a Mercedes, mas Martin Brundle acredita que o neerlandês deverá continuar em 2026: “O meu instinto diz que ele vai ficar”, comentou na Sky Sports.
Reações no paddock: entre preocupação e descrença
O antigo campeão Damon Hill criticou abertamente a decisão: “Isto parece um golpe palaciano. Horner teve o apoio da equipa que construiu. Duvido que o novo líder consiga encher os seus sapatos”.
Por outro lado, há quem veja na mudança uma oportunidade para recomeçar, embora num momento arriscado, com nova regulamentação a entrar em vigor em 2026 e sem estabilidade técnica interna.










