Depois de um fim de semana menos conseguido em Singapura, Max Verstappen bateu o pé e mostrou de forma clara que o domínio da Red Bull foi apenas brevemente interrompido. Tivemos uma volta de qualificação brilhante, e na corrida, Verstappen não deu hipóteses. Ganhou a liderança na primeira volta e foi sempre o mais rápido em pista, numa demonstração clara da capacidade do piloto e da máquina criada pela Red Bull, que selou o sexto título de construtores em Suzuka.
Para a McLaren foi uma excelente corrida com uma dobradinha no pódio. Lando Norris aproveitou a luta entre Oscar Piastri e Verstappen na largada para ganhar o segundo lugar e desde então, teve sempre o pódio à vista. Piastri teve ainda uma esperança de ganhar o segundo lugar, com uma paragem sob VSC, mas a vantagem foi curta e o jovem australiano teve de se contentar com o terceiro lugar, o primeiro pódio do piloto.
A luta pelo top 5 foi animada, com Charles Leclerc a fazer uma boa corrida e a terminar em quarto. Na Mercedes, a tarde foi mais complicada. George Russell tentou fazer render a estratégia de uma paragem, mas pagou caro pelo preço. A equipa não geriu da melhor forma as últimas voltas e Russell não terá ficado muito contente. Russell terminou em sétimo, e a luta entre Hamilton e Sainz durou até a última volta. Hamilton ficou com o quinto posto, Sainz contentou-se com o sexto.
Fernando Alonso foi oitavo, numa corrida muito aguerrida, terminando à frente de Esteban Ocon e Pierre Gasly, numa troca que aconteceu na última volta.
Resumo da corrida
Suzuka foi palco da 16ª jornada do Campeonato do Mundo de F1. Com céu limpo, sem chuva e com calor, os pilotos iniciaram a primeira de 53 voltas de forma algo caótica. Max Verstappen não fez a melhor das largadas e ficou sob pressão de Oscar Piastri, mas foi Lando Norris que mais perto esteve de passar o #1 da Red Bull, que fechou bem a porta ao britânico. Mais atrás, vários incidentes com Sergio Pérez a ver-se envolvido na luta com os Ferrari, com toques e Lewis Hamilton a ir fora de pista por breves instantes. Também Valtteri Bottas, Zhou Guanyu, Alex Albon, Esteban Ocon viram-se envolvidos em lutas e toques. Dessas escaramuças foram vítimas, Pérez, Bottas, Zhou e Albon tivera de entrar nas boxes para trocar de asas dianteiras.
Depois da primeira volta, Max Verstappen começou a cavar o fosso para a concorrência e controlou a corrida como quis. O seu ritmo foi sempre forte e a vitória nunca esteve em questão. Já para o seu colega de equipa, foi uma tarde para esquecer. Não bastassem os toques na largada, Pérez foi penalizado por ultrapassar um carro sob Safety Car, na entrada da via das boxes. Outra penalização viria por um toque desnecessário em Kevin Magnussen. Pérez acabou por desistir, mas regressou à pista apenas para cumprir a penalização e ir com o “cadastro limpo” para a próxima corrida. Jogada inteligente da Red Bull.
Após assumir o segundo lugar, Lando Norris fez uma boa corrida. Ainda houve momentos de indefinição com Oscar Piastri na volta 30, depois das primeiras paragens. Piastri beneficiou do VSC provocado pelo toque de Sergio Pérez e surgiu à frente de Norris e depois de alguma indefinição, Norris passou por Piastri, numa manobra orquestrada pela equipa. A ordem na McLaren nunca mais seria alterada, mas a luta pelo pódio teve um elemento perturbador.
A McLaren estava mais forte e era clara candidata ao pódio, mas George Russell quis arriscar e tentou a estratégia de uma paragem. Com a elevada degradação dos pneus a tarefa seria complicada, mas Russell arriscou e obrigou a McLaren a uma gestão mais cuidada do ritmo. Mas depois segundas paragens nas boxes de Norris e Piastri, a dupla da McLaren ganhou tempo de forma rápida ao piloto da Mercedes que não teve argumentos para segurar os carros de Woking.
Foi mesmo Russell um dos principais animadores da corrida. Logo nas primeiras voltas a luta acesa com Lewis Hamilton, com momentos tensos. Já perto do fim e com a estratégia de uma paragem a revelar-se demasiado difícil para conseguir um pódio e depois de já ter sido ultrapassado por Charles Leclerc (que fez uma corrida discreta, mas muito consistente) pelo quarto lugar, teve de deixar passar Hamilton, que vinha mais rápido, a pedido da equipa. Russell pediu para Hamilton se manter entre ele e Sainz, garantindo que cederia a posição na última volta, mas a equipa não aceitou. Russell abriu a porta a Hamilton, que ficou para dar o DRS a Russell. Mas o desgaste de pneus era já demasiado e Sainz passou por Russell sem grandes dificuldades. Sainz ainda tentou chegar ao quinto lugar, mas Hamilton não o permitiu.
Para Fernando Alonso foi uma corrida dura. A equipa mandou o espanhol parar na volta 12, mas foi demasiado cedo e o espanhol caiu no meio do tráfego, perdendo muito tempo. O #14 fez uma corrida na raça, recuperando lugares já na segunda metade da corrida, mas ficou claramente descontente com a opção da equipa. Lance Stroll teve um regresso à competição para esquecer, com uma desistência com danos no seu carro. A Alpine conseguiu colocar os dois carros no pódio, numa boa operação da equipa. Liam Lawson terminou em 11º, à frente de Yuki Tsunoda, mostrando mais uma vez que tem qualidade para se manter na F1. Zhou (com danos no carro) e a dupla da Haas terminaram a corrida fora dos pontos.
Na lista de desistência tivemos os dois Williams (fim de semana péssimo) com os danos nos carros a motivarem o final prematuro, numa primeira volta que se revelou cara. Sargeant terá comprometido definitivamente as suas hipóteses de ficar na equipa. Depois do erro na qualificação, um arranque atribulado, uma travagem queimada que atirou Bottas para fora da corrida. Ambos acabaram por desistir
Verstappen venceu, a Red Bull conseguiu a sua 107ª vitória e o sexto título de construtores, o segundo consecutivo. A festa do título de Verstappen pode ser feita já no Catar.











