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A história de Romano Artioli, o visionário que salvou a Bugatti

André Mendes by André Mendes
31 Dezembro, 2022
in AUTO+
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Apaixonado por automóveis e pela Bugatti na sua verdadeira essência, Romano Artioli foi o visionário que conseguiu reerguer esta icónica marca, seguindo os pergaminhos do seu criador, Ettore Bugatti.

No ano de 1952, um jovem mecânico italiano com apenas 20 anos de idade assistiu, incrédulo, ao trágico encerramento da produção da Bugatti na localidade de Molsheim, em França. Quase quatro décadas mais tarde, com 59 anos de idade, esse mesmo mecânico – agora um empresário de sucesso – criou as fundações do que seria a Bugatti dos tempos modernos. Esse homem era Romano Artioli, que comemorou o seu 90º aniversário no passado dia 5 de dezembro.

Romano Artioli esteve sempre destinado a desempenhar o seu papel na indústria automóvel. Mesmo quando criança, um livro sobre a simples obtenção de uma carta de condução provou capturar a sua imaginação com tanta força que ele o lia repetidamente de uma ponta à outra. Mais tarde, estudou engenharia mecânica e começou a reparar automóveis, antes de ter criado um negócio de retalho automóvel e de importação. Em meados dos anos 80, este negócio tornou-se tão bem sucedido que Romano conseguiu iniciar discussões com o governo francês sobre a compra da marca Bugatti. E em 1987, o seu sonho tornou-se uma realidade.

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Tal como acontece atualmente, Romano Artioli reconheceu a importância de Molsheim como um lar simbólico da marca. Em contrapartida, também percebeu rapidamente que os engenheiros e os designers de que precisava para criar algo “incomparável” já não se encontravam na região. O renascimento da Bugatti tinha de ser obrigatoriamente marcado por um automóvel que se mantivesse fiel ao lema do fundador da empresa, quando dizia que “se era comparável, já não era um Bugatti”. Ou seja, Artioli precisava dos engenheiros e das mentes técnicas mais brilhantes, das melhores instalações e dos designers mais visionários – muitos dos quais ele poderia encontrar em Modena, Itália.

No final da década dos anos 80, foi construída a fábrica de automóveis mais avançada do mundo, com um planeamento exaustivo e numa área de 240 mil metros quadrados nas proximidades da Ferrari, da Maserati, da De Tomaso e da Lamborghini. Estas novas instalações incluíam um edifício administrativo, um centro de design, uma área de desenvolvimento de motores, salas de produção, uma pista de testes, um elegante refeitório e um espaço de exposição.

As novas instalações da Bugatti eram impressionantes, mas Artioli sabia que o sentido de família e de comunidade tinha sido sempre crucial para o sucesso da marca de Molsheim. Por isso, estabeleceu uma equipa de pessoas que lhe eram próximas, liderada por alguns dos maiores engenheiros e designers da sua geração. Era uma equipa que ele não podia ter reunido em Molsheim, mas Romano continuava a querer reproduzir o enorme sentimento de orgulho e comunidade que Ettore Bugatti tinha estabelecido como ‘Le Patron’ em França.

Das mentes brilhantes de Nicola Materazzi, Marcello Gandini, Giampaolo Benedini e – claro – Romano Artioli nasceu o EB110, o melhor e o mais rápido super carro desportivo do mundo. Foi o primeiro automóvel com chassis em fibra de carbono produzido em série, com tração integral, quatro turbocompressores e um motor V12 de 3,5 litros com cinco válvulas por cilindro que conseguia oferecer uma potência máxima de 560 cavalos. Tal como era o desejo de Artioli, o EB110 era, muito simplesmente, diferente de qualquer outra coisa na estrada. O Bugatti EB110 foi revelado no 110º aniversário de Ettore Bugatti e marcou de imediato o mundo automóvel. O seu desenho era tão inovador que muitas pessoas nem sequer o conseguiam descrever, mas o EB110 teve de imediato o reconhecimento do mundo do Design e de toda a indústria automóvel mundial.

“Romano Artioli adora a marca Bugatti, mas, mais do que isso, compreende-a intimamente. Quando comprou a Bugatti, sabia que não podia simplesmente construir um carro que seguisse as mesmas diretrizes do resto da indústria, uma vez que isso estava muito afastado do espírito do fundador da marca. Enquanto todos os outros estavam a criar carros de corrida para estrada, a sua ideia era dar continuidade à criação de um verdadeiro GT e fazê-lo com tecnologias nunca antes vistas num carro de estrada, ao mesmo tempo que este também tivesse um Design elegante e intemporal. Ou seja, em todos os sentidos, tinha de ser um verdadeiro Bugatti“, disse Achim Anscheidt, Director de Design da Bugatti.

O Bugatti EB110 conquistou de imediato a atenção dos maiores entusiastas e colecionadores, independentemente dos seus antecedentes e passou a ser um novo ícone do mundo automóvel. Tornou-se o sonho de crianças pequenas e o desejo de conhecedores que desejavam fazer parte do novo legado da Bugatti. Um dos maiores fãs do EB110 na altura foi Michael Schumacher, que comprou o seu EB110 SS amarelo em 1994.

Apesar de tudo isto e de ter sido apresentado ao mundo como uma verdadeira criação futurista no mundo automóvel, a façanha maravilhosa de Romano Artioli não podia competir com a grave recessão económica global que se avizinhava. Apesar dos seus muitos fãs e da sua indubitável grandiosidade, como tantas outras coisas na altura, o Bugatti EB110 foi fortemente afetado por um momento brusco e doloroso, pois, em 23 de Setembro de 1995, Romano não teve outra solução além da falência.

Anos mais tarde, em 2019, o Bugatti EB110 serviu de inspiração para um novo projeto da marca, numa edição muito limitada a apenas dez unidades, o Centodieci. Prestam homenagem ao momento icónico na história da Bugatti na era moderna e a Romano Artioli, o segundo “patrono” da marca, que não só idealizou o renascimento da Bugatti como imaginou o primeiro hiperdesportivo do planeta. A produção do Centodieci está limitada a apenas dez unidades, que já estavam todas vendidas no momento da sua apresentação oficial e que foram todos construídos artesanalmente no Atelier de Molsheim.

O sentido de família e de comunidade que Romano tinha tão cuidadosamente integrado na sua empresa nunca se desvaneceu. Durante a fase de pesquisa do Bugatti Centodieci, uma homenagem visual ao EB110, a equipa da Bugatti falou com alguns dos criadores originais do carro, muitos dos quais recordaram as suas experiências com lágrimas nos olhos. Na ‘Fabbrica Blu’, até hoje, as ferramentas permanecem em bancadas de trabalho e ainda há calendários pendurados nas paredes, uma vez que a ideia de que as pessoas sairiam deste lugar pela última vez nem sequer lhes tinha ocorrido, tal era a crença na empresa e na visão de Artioli.

“Na Bugatti, temos muito que agradecer a Romano Artioli. É um homem muito caloroso e com uma enorme paixão pela marca. A sua vontade de reanimar a Bugatti nos anos 80 e de definir uma visão para a empresa nos tempos modernos, lançou as bases para a criação de modelos como o Veyron e o carácter da marca que se mantém até hoje“, continuou Achim Anscheidt, Director de Design de Bugatti.

Ainda hoje, a grandiosidade do EB110 de Romano Artioli é mais do que evidente. Em todo o mundo, a sua criação continua a ser altamente colecionável e desejável, estabelecendo consistentemente preços recorde nos leilões mais prestigiados do mundo. No leilão da Gooding & Company, realizado em Pebble Beach um EB110 Super Sport foi vendido por um preço recorde de 3,16 milhões de dólares.

Tags: ArtioliBugattibugatti centodiecibugatti eb110EB110EB110 Super SportRomano Artioli
André Mendes

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