A apresentação do Peugeot 9X8 decorreu em Portimão, no AIA. O palco escolhido para a apresentação mundial do carro final, já pronto para enfrentar a competição, teve pompa e circunstância. A marca não deixou nada ao acaso e preparou um evento para os media seguirem in loco e à distância. O 9X8 é uma máquina imponente e bela. As sensações que sentimos quando o carro foi mostrado pela primeira vez mantiveram-se mesmo na versão final, que é em tudo semelhante ao que vimos nas primeiras imagens. O arrojo, a elegância das linhas, a agressividade do conceito… a tudo isto pudemos finalmente juntar o som do 2.6l V6 biturbo.
Na manhã seguinte da apresentação, no hotel perto do AIA, com vista para as curvas nove e dez, a calma da manhã algarvia foi quebrada pelo som do novo leão que rugia em pista. Com um nevoeiro matinal a rodear a zona, aquele momento ganhou contornos mágicos. As luzes do 9×8 a percorrer o carrossel algarvio, com o som do seu motor a servir de banda sonora. Estávamos a ver esse espetáculo na companhia de Graham Goodwin, editor do DailySportscar, com quem fomos trocando algumas ideias e chegamos à conclusão que estamos a viver o fim de uma era. Os motores de combustão poderão viver até mais do que o esperado, graças aos combustíveis sintéticos, mas a revolução elétrica acabará por tomar conta da indústria automóvel e das competições. Claro que trará consigo benefícios e as competições continuarão a atrair muitos fãs.
Mas para quem está habituado ao som da combustão interna, não é sem alguma nostalgia que se houve uma máquina nova em pista. O arrepio que se sente nas passagens de caixa à chegada a uma curva lenta é uma sensação que apenas os apaixonados conhecerão.
No endurance temos uma derradeira oportunidade. Não há muito tempo temíamos pelo futuro do WEC e agora foi encontrada uma plataforma que continua a atrair marcas. Teremos grelhas fantásticas com máquinas de topo, equipas de topo e pilotos de topo. Está tudo reunido para termos uma nova época de outro na resistência. Depende apenas das equipas saberem respeitar o que foi estabelecido e evitarem os jogos políticos, depende dos jornalistas não darem tanta importância a esse jogos e olhar apenas para o que realmente interessa… as máquinas e os pilotos. Depende também dos fãs, do seu interesse e da sua vontade. E nesse capítulo a Peugeot seguiu um caminho diferente mas que deve ser enaltecido. Pensou primeiro no aspeto do carro e depois adaptou as funcionalidades que pretendia para ser competitivo. Uma forma diferente de pensar um carro de competição. Na corrida do mediatismo e do interesse, o 9×8 largou da pole e parece ter vencido (para já) a competição. Faltam ver mais máquinas, mas o leão francês terá certamente lugar de destaque. Mas, como nos disse Linda Jackson, CEO da Peugeot, só fará verdadeiramente sentido se vencerem. Mas o simples facto de nos terem dado um carro que merece ser colocado numa parede de um quarto de um miúdo apaixonado por corridas é já uma vitória. Voltamos a ter o interesse das marcas, voltamos a ter o interesse dos fãs, voltamos a ter máquinas diferenciadas e com caráter próprio. Esta pode ser uma época memorável do endurance. Aproveitemos enquanto podemos.









