Vic Elford é um nome que pode dizer pouco às novas gerações, mas certamente motiva um sorriso às gerações mais experientes e que viveram tempos gloriosos do desporto motorizado. Tempos onde o talento e a coragem tinham de ser em igual medida para se ter sucesso. Tempos em que os gentleman do volante impressionavam, mesmo que as estatísticas não o indicassem. Vic Elford é um desses pilotos cujo talento era indiscutível, reconhecido de forma unânime como um dos grandes da sua época.
A sua paixão pelas corridas levou-o a fazer um pouco de tudo. A sua versatilidade é digna de nota e durante a sua carreira e pelas suas mãos passaram carros de rally, carros de rallycross, carros de turismo, carros desportivos, carros Can-Am, mesmo na NASCAR. Começou a sua carreira como navegador de ralis, passando depois a ser piloto de ralis com sucesso, sendo campeão europeu e vencedor do Rali de Monte Carlo (Porsche 911). Poucos dias depois do triunfo, venceu as 24h de Daytona (Porsche 907), primeira vitória da marca no certame americano. Juntou ao seu currículo as 12h de Sebring, o Targa Florio e os 1000 km de Nurburgring. Ainda correu na F1, fazendo poucas corridas, conseguindo como melhor resultado um quarto lugar (França 68).
Apenas comparável ao seu talento, a sua coragem, numa altura em que a segurança era apenas um conceito referido de vez em quando. Era preciso um coração do tamanho do mundo para domar certas máquinas da forma como Elford o fazia, mas o britânico encarava os desafios sem receio. Foi dos poucos, senão mesmo o único a elogiar a primeira versão do Porsche 917, carro que gostou de conduzir, pela sua velocidade, esquecendo a exigência tremenda do carro. A história de Vic Elford também está ligada a Portugal, quando espantou todos em Vila Real, quando subiu de 16º a terceiro na primeira volta da prova de 1972.
Já não se fazem pilotos como “Quick Vic”. Se tivesse quatro rodas e um volante, Elford seria capaz de ser rápido, sem receios. Perdeu a luta contra o cancro aos 86 anos, mas deixou para trás um legado como poucos no desporto motorizado.










