Por: Fábio Mendes e Pedro Mendes
Mercedes – A recuperação tão desejada
A Mercedes vinha de uma série de cinco corridas sem vencer, algo inédito na era híbrida e precisava de uma vitória para se aproximar da Red Bull e parar o ímpeto do adversário. Num fim de semana em que a equipa introduziu novidades no seu monolugar, a equipa conseguiu dar um salto, mas ficou claro que a Red Bull continua em vantagem. Na corrida a gestão estratégica foi a ideal e o resultado dá ânimo. Lewis Hamilton voltou a brilhar em casa e depois do toque em Verstappen recompôs-se e foi à luta. Recuperou da penalização e acabou por vencer de forma inesperada, mas justa, face ao que fez na corrida, mostrando porque é um dos melhores de sempre. Valtteri Bottas foi sempre personagem secundária e teve duas más largadas que o colocaram em posição difícil. Teve a sorte de Sérgio Pérez estar no fundo da grelha e Lando Norris ter tido uma paragem má, senão o terceiro lugar poderia ter sido mais suado. Mas foi mais uma exibição cinzenta do #77.
Mercedes – Nota 8
Lewis Hamilton – Nota 9
Valtteri Bottas – Nota 7
Ferrari – Não fossem os pneus duros…
Se não fosse obrigatório a mudança de composto de pneus Pirelli na corrida, talvez Charles Leclerc vencesse. O ritmo do monegasco caiu muito com os pneus duros e Lewis Hamilton também forçou mais para o apanhar. A Scuderia enganou-nos, porque pensamos que iriam sofrer com a degradação de pneus, mas até Carlos Sainz – que esteve uns furos abaixo do colega de equipa – conseguiu pressionar Daniel Ricciardo até ao fim da corrida. Foi mesmo pena Sainz não ter tido melhor sorte na Sprint (foi tocado na primeira volta e saiu de pista, perdendo algumas posições), porque possivelmente, estariam os dois pilotos da Ferrari a dividir os dois McLaren na classificação, ou até mesmo acima dos dois.
Tem faltado alguma sorte à Ferrari, porque já é o segundo Grande Prémio que podia vencer (contamos com o Mónaco, onde Leclerc tinha conquistado a pole e onde é muito difícil ultrapassar), mas por algum motivo não capitalizam. A luta entre esta equipa e a McLaren está muito boa, tão boa quanto a luta pelo título.
Ferrari – Nota 9
Charles Leclerc – Nota 9
Carlos Sainz – Nota 8
McLaren – Segundo stint não ajudou
A McLaren e Lando Norris ainda sonharam com o pódio em casa, o que seria um prémio tremendo para uma das equipas que mais tem evoluído. Norris voltou a ser a estrela da equipa, beneficiando de um belo arranque na segunda largada após o incidente e estava na luta pelo pódio mas a paragem mal conseguida complicou as contas do jovem. Norris teve de se contentar com um quarto lugar mas entrou na história como o piloto com mais vezes consecutivas terminou nos pontos (15), numa época tremenda a todos os níveis por parte do jovem britânico. Daniel Ricciardo deu mais um passo rumo à recuperação, com uma corrida positiva e boas lutas. Não é ainda o Ricciardo que todos queremos ver mas já é uma imagem mais próxima disso. Tanto ele como Norris sofreram no segundo stint com os pneus duros, com ambos os McLaren a perderem competitividade. Mas no final foram muitos pontos conquistados, com o terceiro lugar no campeonato por equipas e de pilotos para Norris.
McLaren – Nota 7
Lando Norris – Nota 8
Daniel Ricciardo – Nota 7
Alpine – 4 pontos recuperados
Não foi um fim de semana vistoso para a Alpine, mas têm o mérito de terem conseguido colocar os dois pilotos nos pontos e com esse resultado, recuperaram 4 pontos no campeonato para a Aston Martin.
Fernando Alonso cada vez se assemelha mais ao Fernando Alonso que conhecemos, chega com alguma facilidade aos pontos e é extremamente difícil de ultrapassar, mesmo quando o carro ou os pneus já dão mais. Aproveitou muito bem a sua capacidade de fazer excelentes partidas, tendo sido bastante visível na corrida sprint.
Esteban Ocon, que teve direito a chassis novo para a corrida britânica, mas sentiu muitas dificuldades e nunca conseguiu tirar o mesmo do carro que o seu colega de equipa. Tem passado à margem em termos de resultados, sendo também muito difícil sobressair quando o piloto com que normalmente é comparado, se chama Fernando Alonso. Chegou pelo menos aos pontos, mas ficou atrás de Lance Stroll da Aston Martin, a adversário directa da Alpine no campeonato.
Alpine – Nota 7
Fernando Alonso – Nota 8
Esteban Ocon – Nota 6
Aston Martin – Lance Stroll foi dos melhores na corrida
Pode parecer exagero, mas Lance Stroll subiu 6 posições na corrida em relação ao seu lugar na grelha de partida. Aliado à boa estratégia da equipa, o canadiano foi tão fiável como o seu carro. O seu colega de equipa poderia também entrar nos pontos e ajudar mais a equipa a recuperar no campeonato, mas o pião depois do recomeço deitou tudo a perder para Sebastian Vettel. Fica para a história o bom desempenho na Sprint e a boa luta protagonizada com Alonso. Dois gigantes da F1, a lutar com unhas e dentes na pista.
Aston Martin – Nota 8
Lance Stroll – Nota 8
Sebastian Vettel – Nota 6
Alpha Tauri – Furo de Gasly prejudicou
Pode-se dizer que a Alpha Tauri estava melhor na corrida de domingo do que tinha estado até lá. Yuki Tsunoda foi a surpresa da Q1, quando ficou eliminada na primeira parte da qualificação e Pierre Gasly também não conseguiu subir para a Q3. A corrida sprint não correu da melhor maneira, com os pilotos a manterem os mesmos postos que tinham alcançado na qualificação. 12º para Pierre Gasly e 16º para Tsunoda.
Na corrida, o ritmo já foi mais interessante, principalmente de Gasly, mas um furo fez com que o francês caísse para fora dos 10 primeiros. Ficou atrás de Tsunoda, no 11º posto. O japonês é o último classificado do chamado 2º pelotão. Tem atrás de si no campeonato apenas Giovinazzi e Raikkonen.
Alpha Tauri – Nota 7
Pierre Gasly – Nota 7
Yuki Tsunoda – Nota 6
Williams – A festa de Russell terminou no sábado
Mais uma vez George Russell foi a estrela, antes da corrida. Quer na qualificação quer na corrida Sprint o jovem britânico mostrou a sua velocidade e o seu talento com duas grandes prestações. Parecia que a Williams podia voltar a sonhar com pontos mas a penalização pelo incidente com Carlos Sainz complicou a tarefa a Russell. Na corrida voltou a ter um mau arranque (algo que se tem repetido) e embora tenha tentado não conseguiu chegar aos pontos. Nicholas Latifi fez o que tem feito até agora: prestações sem complicar mas sem deslumbrar, ficando à frente de nomes sonantes pelas circunstâncias da corridas. A Williams está claramente melhor do que estava no início da época mas depende muito do talento de Russell que provavelmente coloca o carro em posições onde teoricamente não merecia estar.
Williams – Nota 6
George Russell – Nota 7
Nicholas Latifi – Nota 5
Alfa Romeo – Pequenos passos em frente
O resultado final dos dois pilotos da Alfa Romeo pode iludir e mascarar aquilo que foi mais uma corrida consistente da Alfa Romeo. Se virmos com atenção, até antes do pião e saída de pista de Kimi Raikkonen, causado por Sergio Perez, os dois pilotos da equipa estiveram perto dos pontos. Não daria para os pontos, mas nota-se que estão mais perto. Kimi foi um dos melhores na Sprint, terminando 4 posições acima daquilo que tinha conseguido na qualificação de sexta-feira.
Alfa Romeo – Nota 7
Kimi Raikkonen – Nota 7
Antonio Giovinazzi – Nota 7
Red Bull – Um fim de semana para esquecer
O fim de semana da Red Bull foi complicado a todos os níveis. A equipa com apenas um treino não tomou a opção correta na afinação aerodinâmica do seu carro e com demasiada asa, perdia tempo nas retas para a Mercedes. Apesar disso Max Verstappen fez uma boa qualificação e uma corrida Sprint ainda melhor. Mas no domingo o incidente roubou-lhe a hipótese de lutar pela vitória, tendo já mostrado argumentos para tal. Enquanto esteve em pista, Verstappen foi dos melhores. Já Sergio Pérez foi um dos piores. O erro na corrida de Sprint complicou a tarefa à Red Bull, que sem apoio a Verstappen teria mais dificuldade em defender os ataques da Mercedes. Infelizmente tal não foi problema com o acidente e sobrava Pérez para tentar minimizar o estrago. Conseguiu até chegar aos pontos mas a segunda paragem atirou de novo para o fim do pelotão e voltou a parar para roubar o ponto da volta mais rápida a Hamilton. O mexicano não esteve bem e a estratégia da equipa também não ajudou. No geral a Red Bull teve argumentos para se bater com a Mercedes mas saiu a zeros.
Red Bull – Nota 7
Max Verstappen – Nota 8
Sergio Pérez – Nota 4
Haas – Mazepin levou a melhor
Desta vez foi Nikita Mazepin a levar a melhor no confronto interno, único motivo de interesse esta época na Haas. A equipa voltou a estar na cauda do pelotão, mas desta vez o russo levou a melhor sobre Mick Schumacher. O alemão esteve melhor na qualificação e na corrida Sprint mas no domingo viu o seu colega de equipa ficar na frente
Haas – Nota 3
Nikita Mazepin – Nota 5
Mick Schumacher – Nota 5










