A Opel GSE Formula E Team avançou para a fase de testes em túnel de vento com o seu novo monolugar, o Opel GSE 27FE, com o objetivo de responder às exigências técnicas da nova era GEN4 do Campeonato do Mundo FIA de Fórmula E. Os ensaios visam recolher dados de alta precisão sobre o equilíbrio, a eficiência e a estabilidade do veículo, fatores que serão determinantes para ganhar centésimos de segundo nas pistas urbanas.

A introdução da quarta geração de veículos traduz-se num salto substancial de performance. Os novos monolugares passam a contar com tração integral permanente e uma potência de 600 kW (816 cv) — o dobro dos anteriores 350 kW —, sendo capazes de acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de dois segundos.
Introdução de pacotes aerodinâmicos duplos
Pela primeira vez na história da competição elétrica, os regulamentos vão impor a utilização de duas configurações aerodinâmicas distintas. A primeira variante visa reduzir ao máximo a resistência ao ar durante a corrida, enquanto a segunda é concebida para gerar maior força descendente (downforce), com o intuito de otimizar a velocidade nas sessões de qualificação.

“A era GEN4 eleva a importância da aerodinâmica a um nível totalmente novo”, afirmou Jörg Schrott. O diretor da Opel GSE Formula E Team sublinhou a necessidade estratégica destes ensaios em ambiente controlado: “Queremos compreender, com grande precisão, como se comportam as diferentes configurações e como podemos utilizar da melhor forma possível os dados obtidos para o desenvolvimento futuro”.
No túnel de vento, os engenheiros alternam entre as asas dianteiras e traseiras na esteira transportadora para avaliar ambas as opções sob as mesmas condições de fluxo de ar. Simon Merchet, Responsável de Desenvolvimento do Projeto de Fórmula E, justificou o recurso a esta metodologia devido à riqueza dos dados obtidos. “Em pista, apenas observamos efeitos mais evidentes, mas não os pormenores com a mesma precisão”, explicou o engenheiro.

Desenvolvimento integrado e transferência para a estrada
A passagem pelo túnel de vento foi planeada para coincidir com a fase em que o chassis já se encontrava disponível, mas o novo sistema de propulsão ainda não estava finalizado para os testes de pista. Jörg Schrott garantiu que a preparação segue um cronograma rigoroso, onde “o túnel de vento, o banco de ensaios, o simulador e os testes de condução estão deliberadamente interligados”.
A eficiência aerodinâmica testada na competição mantém uma ligação direta com a gama de produção em série da Opel. A marca alemã conta com um historial nesta área, desde o recorde do Calibra em 1989 até aos atuais modelos Corsa e Mokka, que recorrem a persianas ativas no radiador — uma tecnologia refinada no desporto automóvel — para melhorar a gestão do fluxo de ar e reduzir consumos.











