A Ferrari atingiu na Bélgica um novo máximo negativo e infelizmente para os adeptos da Scuderia, esse é o novo normal. Nos últimos anos assistiu-se a uma recuperação da Ferrari, que foi, de longe, sempre a equipa que mais incomodou a Mercedes, mas as consequências do seu ‘qui pro quo’ com a FIA o ano passado relativamente à ilegalidade da unidade motriz, tirou competitividade à Scuderia, e também às suas clientes na motorização, Haas e Alfa Romeo. Mas os problemas da Ferrari vão muito para lá do motor.
Na Bélgica, evitaram por pouco o embaraço de ver os seus dois carros eliminados na Q1, e ver a lendária equipa em 13º e 14º numa pista onde dominaram no ano passado continua a ser uma grande surpresa. Então, o que se está a passar?
A resposta simples não é muito boa. O melhor piloto de um carro vermelho ficou a 1.696s do melhor registo na qualificação. A Ferrari foi a única equipa da grelha a ter um carro mais lento em Spa do que no ano passado. Para que se perceba melhor a extensão do drama, a Williams foi uns impressionantes 2.424s mais rápida do que em 2019. Por muito pouco não perderam um, mas sim dois carros na primeira fase da qualificação pela primeira vez durante a era turbo-híbrida da F1. Já se percebeu que não é só o motor. Bem para lá disso. O SF 1000 é muito pouco estável e a grande questão é porque é que isso está a acontecer? E a Ferrari não sabe. Só na reta de Kemmel perdem 12 km/h face ao ano passado. Portanto, a falta de potência é um problema.
Para compensar essa falta, tentaram retirar força descendente ao carro. Com isso não conseguem colocar os pneus na janela certa de funcionamento e isto significa que os pilotos estão sem aderência no carro, tanto na travagem como em aceleração e isso, naturalmente rouba-lhes confiança e tem um forte impacto no desempenho. A Ferrari é a equipa mais lenta no sector intermédio de Spa. Conclusões: A Ferrari tem agora o pior motor dos quatro, e sendo verdade que o SF1000 é mais refinado em termos aerodinâmicos que o seu antecessor, o que permitiu a Charles Leclerc ir ao pódio duas vezes esta época, a verdade é que o conceito do carro é um falhanço.
Seja como for, Spa é uma pista com dois setores que apresentam curvas de alta velocidade e um sector intermédio mais enrolado a a pedir boa aerodinâmica, e isso só amplifica os problemas da Ferrari, porque não tem margem para um carro equilibrado para os três setores. Portanto, Spa e Monza, são terríveis para a Ferrari. Há outras pistas menos penalizantes para a equipa, mas o risco de terminar o campeonato em sexto é real e se isso suceder, a Scuderia regride 40 anos. Foi em 1980 a última vez que a equipa foi sexta classificada no Mundial de Construtores.










