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Primeiro ensaio Peugeot e-208: um elétrico que pode ser desejável?

José Manuel Costa by José Manuel Costa
16 Outubro, 2019
in AUTO+
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Claramente, a Peugeot apostou no estilo para seduzir a clientela do segmento dos utilitários e com o e-208 quer oferecer um elétrico que, também, seja desejável. Vale a pena ir a correr comprar o 208 elétrico? Leia primeiro e depois decida.

Começa tudo pelo facto do e-208 materializar uma visão diferente da abordagem ao veículo elétrico: a Renault, por exemplo, oferece o Zoe que é muito diferente do Clio, a Volkswagen fez uma gama totalmente nova para a mobilidade elétrica. A Peugeot… não! Ou seja, se for a um concessionário só tem de olhar para um catálogo e não terá de pensar “bolas, o carro é simpático, mas com este aspeto… apre!”.

Claro que não estou a dizer que os carros da concorrência do 208 com motorização elétrica são feios, mas todos têm um estilo alternativo como se fosse preciso a quem rola em elétrico esfregar nas fuças alheias “eu tenho um carro ecológico, defendo os ursos polares e mais não sei quê.”

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Nisso o 208 é muito diferente, pois até a plataforma é inteligente o suficiente para acolher um elétrico e fabricá-lo na mesma linha dos restantes modelos. Prático e muito mais barato. Tem diferenças? Claro que sim.

Não vai dar por ela, mas o eixo traseiro tem a via ligeiramente mais larga porque é preciso acomodar a bateria e há reforços adicionais, invisíveis, nos sub chassis devido ao maior peso. E pronto, estão aqui as diferenças. Ou seja, este 208 é igual aos outros, exceto no facto de ter propulsão elétrica.

A ideia da Peugeot é muito simples: pegar num carro terrivelmente sedutor e com um interior com muita qualidade, tecnologia e novação e oferecer-lhe a possibilidade de escolha, gasolina, diesel ou elétrico. Sem ter de mudar de carro ou prescindir de alguma coisa por causa da sua escolha. 

A Peugeot acredita que a maioria vai escolher o motor 1.2 Puretech a gasolina e que apenas um em cada vinte compradores irá optar pelo bloco diesel. A enorme interrogação é este e-208, embora a Peugeot diga que o primeiro impacto superou todas e quaisquer expetativas. Ou seja, se for seduzido pelo estilo do 208 e pelo interior acolhedor, bonito e de qualidade, basta só escolher a motorização que melhor lhe serve. Que grande ideia!

Deixe-me dizer-lhe, desde já, que fará mesmo bem em deslocar-se ao concessionário, comprovar aquilo que acabo de dizer e deixar-se surpreender pela versão elétrica. 

Olhando para a folha de características, é o 208 mais potente (136 CV) da gama e tem uma autonomia, de acordo com o protocolo WLTP, de 338 quilómetros. Pode parecer pouco, mas a Peugeot reclama – e sou tentado a dar-lhe razão – mais que suficiente para as deslocações pendulares casa-trabalho-casa e fazendo um carregamento total apenas uma vez por semana. 

Aqui é que a porca torce o rabo, pois se não tiver garagem nem um carregador perto, numa tomada doméstica são precisas 16 longas horas para recarregar na totalidade a bateria de 50 kWh de iões de lítio. Como a Peugeot, em troca dos 32.150 euros da etiqueta de preço, lhe vai oferecer uma “Wall box”que assegura uma carga completa em 5h15m com tomada trifásica (11kW) e 7h30m com tomada monofásica (7,4 kW), tudo fica mais fácil. Num carregador rápido, 80% da carga é recuperada em 30 minutos. Isto porque a Peugeot decidiu oferecer de série em todas as versões o carregador interno que suga eletricidade a um ritmo de 100 kW. Sim, ouviu bem! A Peugeot oferece o carregador de 100kW no preço final do carro, já o seu amigo que gastou couro e cabelo num Porsche Taycan, tem de comprar o carregador à parte. Percebe-se: se a Peugeot colocasse o carro à venda com este carregador na lista dos opcionais não faltariam os críticos, já na Porsche é porque… sim! 

Para já, o Peugeot e-208 está sozinho nesta luta, mas o Honda e está a caminho (mesmo que com uma autonomia bem inferior) e a Opel está quase a lançar o e-Corsa, partindo das mesmas premissas da Peugeot. A luta vai ser gira…

Convirá desde já dizer que o ensaio foi curto e que a Peugeot disse, claramente, que ainda está a ultimar detalhes no carro antes deste ser colocado à venda. Mesmo assim, o carro impressiona.

Nem parece elétrico

Como referi no primeiro ensaio da versão a gasolina, a Peugeot decidiu seguir outra via e os nomes dos seus modelos vão marcar uma geração e não ser alterados a cada renovação. Por outro lado, além do estilo – grande ponto a favor do 208 – o interior foi alvo de grande atenção e a aposta foi ganha. E o e-208 mantem tudo o que está nos outros 208.

Quer isto dizer que conta com o magnífico interior onde se respira qualidade e bom gosto, independentemente do nível escolhido. A diferença está no que é oferecido, pois o resto é igual. O que quer dizer que temos direito ao i-Cockpit, com o volante pequeno e a visualização dos instrumentos por cima do aro do volante.

Devido à forma da bateria do 208, não há diferenças em termos de habitabilidade e capacidade da bagageira, ou seja, entre 265 e 1106 litros. Isto é algo que tenho de destacar, pois nem todos os modelos elétricos que tenham “irmãos” com motor de combustão interna conseguem este feito. Inevitavelmente, há uma aplicação (MyPeugeot) que permite iniciar o carregamento remoto entre outras coisas.

O Peugeot e-208 destaca-se, também, pela performance, mesmo que tenha de arrastar o fardo de 350 quilogramas de bateria. O binário de 260 Nm ajuda e de que maneira a reduzir a sensação de inércia no arranque, não sendo escusado dizer que a versão elétrica é a mais potente e com maior binário da gama 208. Isso é espelhado nos 8,1 segundos que leva para chegar aos 100 km/h. Na hora de tirar o pé do acelerador, há uma redução de velocidade assinalável, mais no modo Sport, menos no modo Eco, o que me permitiu, em cidade, conduzir apenas com o pedal do acelerador. Não é nada de espantoso, quase todos os elétricos são assim, mas em cidade dá muito jeito.

No que toca ao comportamento, o e-208 acaba por pagar o preço de pesar 1455 quilogramas, pois uma coisa é desenvolver um carro que pouco passa dos 1100 kgs, bem diferente é acertar suspensões e o chassis para os 350 kgs a mais.

Os homens da Peugeot decidiram seguir um caminho onde endureceram as molas e suavizaram os amortecedores, o que acaba por não resultar muito bem pois em zonas mais degradadas, os quatro cantos do carro reagem de maneira diferente. Nota-se o peso na inserção em curva, embora tenha de o dizer, nunca o e-208 me colocou em situações inesperadas. 

A direção do e-208 tem mais peso que a direção dos 208 com motores de combustão interna, acredito que propositadamente, para evitar demasiado entusiasmo e mitigando, ao mesmo tempo, os efeitos da solução mola suave/amortecedor firme. Tenho de referir a boa calibragem do acelerador com absoluta linearidade. Menos bem a travagem, ponto onde a Peugeot vai, certamente, ainda trabalhar. Como referi acima, os dois níveis de recuperação de energia estão bem calibrados. E acredite que rapidamente se habituará ao modo mais agressivo de recuperação de energia e a conduzir com apenas um pedal.

Veredicto

O ensaio foi curto e a Peugeot deixou claro que estes não serão os carros definitivos. Portanto fica apenas a nota para um carro que nem parece ser elétrico, com um estilo delicioso e uma utilização que merece elogios. É uma bela proposta da Peugeot, sedutor por fora e por dentro, tem uma autonomia simpática, está preparado para usar os carregadores de 100 kW quando estes estiverem massificados e a eletrificação não compromete a habitabilidade ou a capacidade da mala. Ou seja, nem parece um carro elétrico! Despertou toda a minha atenção.

Tags: e-208PeugeotPrimeiro ensaio Peugeot e208
José Manuel Costa

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