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F1, Notas AutoSport: Meio ano de parceria Toro Rosso / Honda

Fábio Mendes by Fábio Mendes
7 Agosto, 2018
in F1, FÓRMULA 1
A A
GP Hungria F1, Pierre Gasly: “Impossível fazer melhor”

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Para a Toro Rosso, 2018 está a ser um ano… à semelhança de muitos outros, mas as repercussões  poderão sentir-se a partir de 2019 e o futuro de dois grandes nomes estará sempre ligado à estrutura de Faenza, aconteça o que acontecer.

Já se sabia desde o ano passado que a Toro Rosso iria receber motores Honda para esta época. O divórcio com a McLaren era inevitável e quando finalmente os papeis ficaram assinados, a Toro Rosso entrou numa jogada importante. Além de passar a ser o “porto de abrigo” da Honda, depois de navegar em mares conturbados durante três anos, iria ser o laboratório da Red Bull para o futuro. O rótulo de “equipa B”adequa-se a este papel da STR e quase sem querer, a Red Bull ficou numa posição privilegiada para avaliar a performance e o potencial dos motores Renault e Honda. Para a Toro Rosso o negócio fazia todo o sentido pois, além de ter a casa mãe interessada na ideia, teria um fornecedor exclusivo (para já) e, quem sabe, poderia ser o início de uma relação que poderia trazer vantagens para a equipa italiana.

A equipa não apresentou um chassis muito diferente do de 2017, que na altura entusiasmou mas não convenceu. A obra de James Key contava desta vez com um motor completamente diferente do que estavam habituados e dado o atraso que o acordo Honda/McLaren/Toro Rosso, a integração talvez tenha consumido tempo a mais, deixando assim para trás outros pormenores. Mas o optimismo era nota de destaque no início e desde os teses em Barcelona que a Toro Rosso começou uma espécie de campanha publicitária a favor da Honda, dizendo maravilhas do motor e do seu potencial, quando na verdade não se viam muitas melhorias em relação ao final de 2017.

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O filme até agora

Chegou a primeira corrida e viram-se cenas semelhantes à época anterior. Havia a esperança de que a Honda tivesse finalmente acertado e que o motor iria pelo menos ter a fiabilidade necessária para competir, mas os japoneses deixaram ficar mal os seus novos parceiros. Gasly viu nos seus espelhos uma nuvem de fumo que os pilotos McLaren viram várias vezes, pois o motor nipónico deu de si e acabou com a corrida do francês. Hartley ficou logo arredado dos pontos na primeira volta, com uma travagem falhada na largada, que deixou os pneus quadrados, obrigando a vir para as boxes logo na volta 2. O campeão do mundo de endurance não encontrou o ritmo ideal e acabou em último.

Se o filme parecia ser igual ao do ano passado, teve uma reviravolta inesperada no argumento, na corrida seguinte. O Bahrein foi palco de uma exibição fantástica de Gasly, e de um sorriso rasgado da Honda e da STR.   Gasly foi um dos melhores pilotos em pista, senão o melhor.  Na qualificação deu nas vistas com um surpreendente sexto lugar que obrigou a McLaren a reunir de emergência. Na corrida, aproveitou as desistências e a boa estratégia montada pela STR, para assegurar o seu (de Gasly) melhor resultado de sempre na F1, um brilhante quarto lugar. Se uma nuvem de dúvidas pairava sobre a equipa, essa nuvem dissipou-se e a Honda ganhou um novo fôlego. Hartley esteve longe de igualar a prestação do seu colega e voltou a falhar numa travagem na primeira volta.

Na corrida seguinte, mais uma cambalhota e mais um resultado inesperado.  No  fim de semana da China, Gasly não teve motivos para sorrir e borrou a pintura com um erro que prejudicou a equipa. Uma travagem falhada originou um toque com o colega de equipa e acabou com a corrida de ambos. Hartley desistiu com um problema de caixa (voltou a mostrar pouco embora tenha feito melhor que o colega a qualificação) e Gasly terminou em 18º.  Do 80 ao 8!

Se as opiniões que diziam que o motor Honda dava sinais de evolução, Baku colocou água na fervura. A longa recta da meta colocou a nu as fragilidades do motor Honda e do sistema de recuperação de energia que não permitiu aos Toro Rosso repetir o brilharete do Bahrein, mesmo com o caos que se viveu na pista. Hartley esteve bem e conseguiu o primeiro ponto na F1. Em Baku confirmaram-se os sinais positivos que se viram na China para o neozelandês. Já Gasly não conseguiu chegar aos pontos, mas para “compensar” teve um encontro com Magnussen, o que é sempre garantia de um susto e um súbito ataque de raiva. O piloto da Haas defendeu-se de forma pouco recomendável e poderia ter originado problemas maiores para o francês, que teve de enfrentar também complicações com as baterias da sua unidade motriz.

Depois de um fim de semana morno, seguiu-se outro bem frio em terras espanholas.  O acidente de Hartley no TL3 danificou muito o seu monolugar e foi preciso um trabalho fantástico da equipa para colocar o carro em pista. O campeão de resistência apenas quis levar a máquina até ao final e assim o fez. A qualificação não foi nada de especial para Gasly e a corrida foi significativamente encurtada com o incidente provocado por Grosjean. Zero pontos, zero hipóteses de tentar algo mais.

Os grandes pilotos mostram-se nas grandes pistas e no Mónaco, Gasly voltou a brilhar.  Teve uma prestação muito boa, conseguido uma vaga na Q3, que depois conseguiu capitalizar em corrida, com um excelente sétimo lugar. O piloto apresentou um ritmo muito bom, e o sétimo posto é um prémio mais que merecido pela sua prestação. Já Hartley… continuava a acumular azares. Desta vez foi um Leclerc destravado (literalmente) que o atirou para fora de prova. O campeão de endurance demorava em justificar a aposta e os rumores da sua substituição acumulavam-se.

Numa pista onde a potência dos motores fazia a diferença, a Honda voltou a mostrar-se abaixo da concorrência… mas com melhorias interessantes. Os upgrades introduzidos no Canadá serviriam de aperitivo para o que podia ser o futuro com a Red Bull (agora confirmado). A primeira amostra foi positiva e o motor parecia ter dado um passo interessante. Gasly voltou a fazer uma exibição positiva e ficou à porta dos pontos. O francês estava com confiança e assumia a responsabilidade de levar a equipa para a frente, uma vez que Hartley continuava em maré de azar. Um acidente aparatoso com Lance Stroll acabou prematuramente com o esforço do neozelandês, que parecia bem encaminhado para um fim de semana de recuperação, tendo batido claramente o seu colega de equipa na qualificação.

O fim de semana em França não foi nada bom para a equipa com desistência de Gasly e problemas no motor de Hartley e na Áustria as coisas não melhoraram. Gasly teve a “corrida mais difícil” da sua vida, nas sua palavras, depois de um toque com Vandoorne, que acabou com as pretensões ao top10. Com um carro que se tornou um pesadelo de guiar  conquistou o 11º posto. Deixou no ar o que poderia ter sido com um carro em condições. Já Hartley…acumulou mais uma desistência, algo que repetiu na Grã-Bretanha com problemas de motor depois de mais um aparatoso acidente no TL3. Gasly exagerou no seu esforço e um toque em Perez acabou em penalização e mais uma vez os pontos foram uma miragem em Silverstone.

Na Alemanha, Hartley mostrou-se e fez o que pôde e aproveitou os azares e penalizações alheias para ficar com o último ponto (desde o Mónaco que a equipa não pontuava). Já Gasly teve uma tarde para esquecer. A troca de motor (o quinto desta época) atirou-o para último lugar, mas o mais caricato foi mesmo a decisão da equipa de colocar pneus de chuva com mais de metade da pista seca. O resultado foi claro um Toro Rosso impossível de conduzir, depois de derreter os pneus, passado poucas voltas.

Na última corrida antes da pausa, o jovem francês voltou a evidenciar-se. Gasly disse que numa equipa como a Toro Rosso, só surgirão duas ou três hipóteses de brilhar durante uma época e não tem faltado à chamada, quando essas hipóteses surgem. Aconteceu em Baku, no Mónaco e na Hungria. O francês mostrou qualidade, com um ritmo de corrida forte, aproveitando uma excelente largada (ganhou uma posição a Sainz). Viu passar por ele os homens da frente, mas nenhum dos carros do meio da tabela se aproximou e o francês conseguiu um saboroso e merecido sexto lugar. Já Brendon Hartley ficou fora dos pontos, com um arranque menos conseguido e com uma corrida em que as paragens não o colocaram na posição ideal para tentar alcançar os pontos.

 

Gasly vs Hartley

A luta entre os pilotos está claramente a favor de Gasly. O francês tem 26 pontos contra 2 do neozelandês. Em qualificação o resultado é 6 – 6 e em corrida os azares de Brendon não o impedem de empatar também 6-6 com Gasly. Onde Hartley lidera é nas desistências (5-3). Gasly  tem jogado muito bem os seus trunfos. Quando pode brilhar não falha e mostra-se num nível de excelência. E talvez por isso tenha uma vaga na Red Bull quase garantida. O talento do francês merece. Hartley tem tido muito azar é certo, mas demora a mostrar andamento para a F1. O talento está lá e o que mostrou no endurance não foi coincidência, mas por algum motivo não acertou ainda na F1. Nem parece que o vá fazer tão cedo.

 

O que esperar da segunda metade da época?

Pouco mais do que se tem visto. Os traçado mais sinuosos poderão jogar a favor da equipa que terá de lidar daqui para a frente com penalizações. A pressão na Honda é incomparavelmente menor, mas a tendência de ficarem fora dos pontos em pistas com maior exigência no motor é preocupante para a Red Bull… ou talvez não, já que admitiram que a Honda precisa de evoluir mais. Bahrein foi uma excepção e em Baku beneficiaram de uma corrida louca. Mas a performance ainda não está ao nível que se espera e o discurso de Franz Tost, que dizia que por esta altura estaria ao nível da McLaren está a revelar-se errado, embora a McLaren tem feito de tudo para dar razão ao chefe da STR. É provável que de forma sorrateira a Toro Rosso se torne ainda mais no laboratório de ensaios para 2019 e que tenham mais uma trocas de componentes que precisem ser testados. Afinal a casa mãe precisa. Gasly já provou a sua capacidade e deverá manter o nível. Já Hartley é uma incógnita. Se encontrar o gato preto que o atormenta e vier das férias com vontade pode ainda tentar salvar a sua situação. Mas precisa de fazer muito melhor para isso.

 

Nota meio da época

 

Pierre Gasly: Nota 8

Brendon Hartley: Nota 6

Toro Rosso: Nota 7

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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