Bottas teve um início de ano periclitante, mas agora começa a mostrar que a Mercedes pode contar com ele para o futuro. No ano em que espera renovar contrato com a equipa germânica, o finlandês parece ter encontrado o caminho para as boas exibições e tem até superado Hamilton em várias ocasiões.
Valtteri Bottas chegou à Mercedes em 2017, graças à reforma antecipada de Rosberg, uma oportunidade de ouro e pela qual provavelmente não esperaria que chegasse dessa forma. Bottas chegou à Mercedes e teve de medir forças com o piloto que tem dominado desde 2014, no topo da sua forma, com uma equipa claramente voltada para ele. O primeiro ano de Bottas não pode ser considerado muito negativo, tendo conquistado as primeiras vitórias na F1, um marco sempre importante na carreira de um piloto, mas não conseguiu evitar que o rótulo de número 2, que vai garantindo bons pontos à equipa e pouco mais. A ambição de Bottas era bem maior e chegou ao fim com a sensação de que poderia ter feito melhor, admitindo isso de forma frontal aos jornalistas.
2018 tornou-se assim num ano fundamental para o #77, que tinha forçosamente de convencer os responsáveis da Mercedes que é o homem certo para o futuro da equipa. O ano não começou da melhor maneira, com uma saída de pista na qualificação que prejudicou inevitavelmente o resto do fim de semana e uma abordagem demasiado cautelosa no Bahrein, onde não atacou com mais afinco o vencedor Vettel. As críticas começaram a fazer-se sentir e o lugar parecia começar a ficar em risco, mas Bottas respondeu com mais um pódio na China. O momento que define para já a sua época acontece no Azerbaijão, onde perde uma vitória quase certa por causa de um furo nas últimas voltas. Em Espanha volta a subir ao pódio, mas aí Hamilton esteve em modo campeão e o finlandês ficou a 20 segundos do seu colega de equipa. O GP do Mónaco serviu apenas para minimizar os prejuízos e no Canadá voltou a estar bem, com mais um pódio.
Tem neste momento 86 pontos, mas se tivesse vencido em Baku teria 111, ainda terceiro mas muito mais perto do duo que lidera o campeonato. Em 7 corridas, Bottas esteve melhor que Hamilton em quatro ocasiões e em qualificação o equilíbrio é maior que no ano passado com 4 – 3 a favor de Hamilton. Bottas queixou-se no ano passado do carro, que exigia um estilo de condução diferente. O comportamento de “diva” parece não ter sido completamente resolvido, mas Bottas parece mais confortável na máquina de 2018 e tem conseguido encontrar força mental para superar as dificuldades. Melbourne e Baku foram os pontos mais baixos, mas a ambos respondeu com uma subida ao pódio, o que este ano não é um dado adquirido para os Mercedes, que enfrentam concorrência muito mais forte.
Bottas não tem o génio Hamilton, Alonso ou Ricciardo, mas é um piloto que sólido, que consegue encontrar as respostas aos desafios que encontra e que oferece uma estabilidade que não pode ser menosprezada. Hamilton tem uma relação pacifica com Valtteri, o que também pode ser um factor importante para a escolha da equipa. Mas acima de tudo, a Mercedes entende este ano que mesmo que tenha um Hamilton menos forte em certas pistas, Bottas consegue assumir o protagonismo e trazer bons resultados. A confiança vai sendo cada vez maior e é provável que ainda se veja ainda mais e melhor de Bottas. Se as conversações para a renovação começarem agora, parece ter agora mais probabilidade de ficar na Mercedes do que tinha no final de 2017.












