Nenhum dos pilotos de topo da GP2 deve correr na Fórmula 1 em 2017, nem sequer o campeão Pierre Gasly, que faz parte do programa Red Bull Junior Team. Tal como a sua antecessora, a Fórmula 3000, a GP2 está a ter cada vez mais dificuldade em servir como rampa de lançamento, algo que é notório desde a temporada de 2012.
Fora o aberrante ano de 2008, foi a partir de 2012 que o talento e um título de campeão deixaram de ser garantia de entrada imediata na Fórmula 1. Nesse ano, o campeão Davide Valsecchi foi apenas piloto de reserva da Caterham, o vicecampeão Luiz Razia teve problemas financeiros que o impediram de ascender, e os ‘premiados’ acabaram por ser o terceiro classificado Esteban Gutiérrez (com um lugar na Sauber), o quarto Max Chilton (na Marussia) e o sexto Giedo van der Garde (na Caterham, com os patrocínios que Valsecchi nunca teve).
Valsecchi foi obrigado a interromper temporariamente a sua carreira como piloto profissional, algo que felizmente não sucedeu aos três primeiros da temporada de 2013, Fabio Leimer, Sam Bird e James Calado, que tiveram que se mudar para as corridas de resistência no ano seguinte (apenas Bird continua nos monolugares, na Fórmula E). Da ‘fornada’ desse ano, o único a ascender foi Marcus Ericsson, um mero sexto classificado, que conseguiu comprar um lugar na Caterham.
A temporada de 2014 pareceu ser melhor, já que os três primeiros classificados estão hoje na F1, mas… foi o terceiro, Felipe Nasr, a entrar diretamente para a Sauber, mais uma vez graças aos patrocínios. O campeão Jolyon Palmer teve que passar um ano ‘de molho’ como piloto de testes da Lotus antes de se estrear este ano com a Renault, e Stoffel Vandoorne teve que repetir a GP2, sagrando-se campeão em 2015.
Mas mesmo um contrato com a McLaren não foi garantia de nada, com a Honda a colocá-lo um ano no Japão, à espera de vaga (fez apenas uma corrida no lugar do lesionado Fernando Alonso), para se estrear a fundo apenas no próximo ano. O vicecampeão Alexander Rossi chegou a fazer o final da temporada pela Marussia ainda nesse mesmo ano (substituindo o lento Roberto Merhi), mas, sem apoios, regressou aos EUA, onde foi o surpreendente vencedor das 500 Milhas de Indianapolis este ano.
Agora, os ‘formandos’ da ‘turma de 2016’ estão em ainda piores lençóis. Como piloto da Red Bull, Gasly foi competitivo mas raramente impressionante, e foi só na última jornada que bateu o seu colega Antonio Giovinazzi. Gasly deverá continuar ligado à Red Bull, à espera que Daniil Kvyat ou talvez Carlos Sainz deixem a Toro Rosso, Giovinazzi, que teve alguma sorte a juntar-se ao projeto indonésio da Jagonya Ayam, não tem ilusões e já procura por alternativas no DTM, IMSA e WEC, tendo já feito corridas neste último. Sergey Sirotkin é piloto de reserva da Renault mas foi preterido pela contratação de Nico Hülkenberg (campeão da GP2 em 2010) e pela manutenção de um pouco impressionante Jolyon Palmer. Outros veteranos, como Raffaele Marciello, Alex Lynn, Jordan King e Mitch Evans, já têm ou ainda procuram por alternativas.
Para cúmulo, tal como em décadas anteriores, várias equipas têm ido buscar jovens valores diretamente à Fórmula 3, como foi o caso de Max Verstappen, agora na Red Bull, e Lance Stroll, que tem lugar garantido na Williams no próximo ano. Nem mesmo as constantes alterações às pontuações do esquema de acesso à Superlicença deram nova relevância à GP2.










