Um estudo científico do Centro Internacional de Investigação em Território e Turismo da Universidade do Algarve, em parceria com a Universidade do Minho, refere que a edição de 2015 do Vodafone Rali de Portugal gerou 65,2 milhões de euros de despesa direta por parte dos intervenientes (equipas) e adeptos, e mais 62,2 milhões de euros de impacto indireto (projeção da imagem do destino), perfazendo 127,4 milhões de euros de retorno para a economia e imagem do país. Estes dados representam mais 17,9 milhões de euros de retorno do que a edição anterior, ou seja, mais 16,4 por cento do que em 2014.
Numa cerimónia realizada esta quinta-feira na sede da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, no Porto, os responsáveis do ACP, Câmaras Municipais, CCDR-N e universidades envolvidas neste estudo apresentaram outros dados sobre o impacto de um evento que marcou o regresso do Rali de Portugal ao norte do país. Os adeptos permaneceram em média 2,9 noites na região durante os quatro dias da prova e entre 61,6 e 89,2 dos turistas entrevistados para o estudo pretendem regressar à região para férias nos próximos três anos. Em termos brutos, o Estado português arrecadou uma receita fiscal de 24,3 milhões com o rali, através de impostos como o IVA e o ISP.
Este estudo foi conduzido durante nove meses por 11 elementos das duas universidades envolvidas, após 1.163 entrevistas a adeptos de 16 nacionalidades (42 por cento deles vindos de Espanha).
Carlos Barbosa: “Uma aposta ganha”
Carlos Barbosa, presidente do ACP, mostrou-se naturalmente satisfeito pelo sucesso desportivo e de retorno de um rali que se continua a afirmar como um evento de referência. “Quem está de parabéns não é o Norte ou o ACP – é o país. Demos mais uma lição sobre como organizar o melhor rali do mundo. O meu medo sobre o público do Norte era grande mas com um grande esforço da organização e das Câmaras Municipais tudo correu bem. Temos o maior evento desportivo realizado em Portugal todos os anos”, afirmou Carlos Barbosa.
“É uma grande estalada contra o centralismo do país e contra uma série de incompetentes que estiveram à frente de organismos que recusaram continuar a apoiar o rali e decidiram apostar em eventos como o surf. Só para terem uma ideia, o surf teve três provas do Campeonato do Mundo em Portugal e gerou um total de 43 milhões de euros”, continuou o presidente do ACP.
“Há ralis europeus que vão sair do campeonato porque há países como o Japão, a Coreia e o Brasil que querem entrar nos próximos anos. A aposta que fizemos no Norte é uma aposta vencedora, é uma aposta para três anos e somos considerados pela FIA e pelo promotor do WRC um dos melhores, se não o melhor rali do mundo. Há um ano vim aqui ao Norte de ‘calças na mão’ depois de me dizerem que não havia dinheiro para o rali. Os responsáveis do Norte abraçaram esta aposta, é uma aposta ganha. Estamos todos de parabéns”, concluiu.
Melchior Moreira, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, lembrou que “foram investidos 1,5 milhões de euros de fundos comunitários. O retorno foi de 127,4 milhões de euros. Está dada a resposta”, resumiu.








