A f 1 e, na generalidade, o desporto automóvel é um produto apetecível para a televisão no mercado global (nós por cá, já se sabe…) Por isso, é normal que os promotores desse eventos encarem os direitos televisivos como um negócio. É isso que Bernie Ecclestone faz há muitos anos com evidente sucesso. Com a crise global e as fortes diminuições das receitas publicitárias ou a redução de custos que é um denominador comum da indústria da televisão, são cada vez mais aqueles que questionam a validade dos investimentos necessários para cobrir o Campeonato do Mundo da F1, ou até outras provas de automobilismo.
A BBC, por exemplo, está a sofrer uma profunda restruturação e vai deixar de ter os direitos exclusivos da F1 na Grã-Bretanha. Só para termos uma ideia dos custos da cobertura do Mundial para a estação pública inglesa, basta dizer que os dois comentadores residentes – Johny Herbert e David Coulthard cobram mais de um milhão de euros por temporada. Assim, será um canal pago a ter os direitos de transmissão para a Inglaterra. Por muito que custe aos milhões de adeptos de desporto, o pay per view será no futuro o único modelo viável e sustentável para a televisão (pública ou privada) ter recursos para cobrir eventos da dimensão de um Mundial de F1.
O problema para o desporto é que com isso as audiências e, logo, a capacidade de atrair patrocinadores ou receitas publicitárias, vão naturalmente diminuir. Também é verdade que as galinhas dos ovos de ouro são uma espécie em vias de extinção.
Rui Pelejão
Diretor









