Numa semana particularmente difícil, o mundo do automobilismo português ficou ainda mais pobre. Jorge Paulo, figura incontornável dos bastidores do desporto motorizado nacional, faleceu, vítima de doença súbita. Estava, como tantas outras vezes, a trabalhar, a fazer aquilo que gostava.
A ligação de Jorge Paulo ao motorsport começou, desde cedo, quando iniciou o trabalho de mecânico, ainda muito jovem, e aí desenvolveu uma paixão pela competição. Nos anos 80, fundou a Jopauto, uma oficina de preparação automóvel que atravessou várias moradas até se fixar na Rua dos Navegantes. Tornou-se referência, especialmente nos troféus Toyota. Foi também navegador, tendo participado em alguns ralis ao lado de Teixeira Lopes, e chegou a alinhar como piloto, ainda que de forma pontual. Pedro Gil Vasconcelos recordou numa publicação nas redes sociais “um Rali de Portugal em que a Jopauto Sport acolheu uma equipa britânica, que dava assistência junto com uma equipa japonesa, em que o Inoué Kioshi, ao volante de um Mitsubishi Galant era navegado pelo saudoso José Luís Nascimento”. Com o fim da Jopauto, montou uma oficina mais pequena antes de se mudar para as lides das verificações técnicas.
O trabalho que desenvolveu na Jopauto e na Diabolique, onde trabalhou durante vários anos como freelancer, permitiu-lhe ganhar o conhecimento e a experiência de muitos anos à volta de máquinas que se tornaram ícones para os amantes das corridas. Essa acabou por ser a base para o seu trabalho de comissário técnico de referência, presente nas provas mais importantes do calendário nacional.
Quem o conheceu descreve-o de forma quase unânime: um homem de trato fácil, bem-disposto, amigo do amigo, sempre pronto a ajudar. Como comissário, nunca brandiu o regulamento como uma arma. Sabia o que era estar do outro lado. Essa experiência tornava-o mais humano no exercício da função. Era o homem das soluções e não dos problemas, e se não fosse ele a resolver, encontraria por certo alguém que o fizesse. Era também um apaixonado por automóveis clássicos e um conhecedor nato das normas técnicas, o que o tornava um recurso valioso para qualquer equipa ou organizador.
Depois do falecimento da sua esposa no ano passado, que o afetou muito, encontrou o seu refúgio nas caminhadas e nas corridas, com a ajuda da neta que também auxiliava nas verificações. Estava no Rally Spirit a trabalhar quando foi vítima de doença súbita.
À família e amigos, o AutoSport endereça as mais sentidas condolências.










