A Fórmula 1 vai de férias durante um mês e com 11 Grandes Prémios disputados é possível retirar algumas ilações, congratularmo-nos com alguns desempenhos e verberar outros.
Comecemos pela competitividade: seja por ‘culpa’ do equipamento pneumático, do DRS ou do KERS, ou como é mais lógico dos três factores em conjunto, até agora 2011 tem sido fértil em excelentes corridas e todos os adeptos da F1 não têm regateado elogios à forma como grande parte das corridas ocorreram. Felizmente, tem-se falado do que se passa nas pistas, da luta entre pilotos, da avalanche de ultrapassagens e dos erros de condução, remetendo para plano secundário os assuntos especulativos, sejam eles do foro regulamentar ou mesmo extra-desportivo.
A oito Grandes Prémios do final, ainda não se perdeu a esperança de assistir a uma luta renhida pelos títulos mundiais, algo que, em determinada altura do Campeonato, parecia ameaçado face ao domínio da Red Bull e, principalmente, aos desempenhos de Vettel. O piloto alemão não parece ser (felizmente) excessivamente ‘cerebral’ e se não venceu as últimas corridas foi porque não conseguiu fazê-lo e não por estar já a gerir a sua vantagem no Mundial. Claro que não se deve equacionar o demérito de Vettel ou da sua equipa, mas sim o mérito dos seus mais diretos adversários que conseguiram voltar a ganhar capacidade para desafiar os campeões em título, como são caso vertente a McLaren e a Ferrari. Para além de terem encontrado o ‘caminho das pedras’, a prestação dos pilotos ajudou à parcial concretização desses objectivos, nomeadamente no que diz respeito à equipa inglesa. Sem dúvida, a que tem a dupla de pilotos mais completa, o que pode ser um infortúnio quando for preciso gerir expectativas internas, mas que em todas as outras alturas dá muito jeito.
Quanto às três melhores equipas do Campeonato pouco mais há a dizer, mas é impossível ignorar o desempenho pouco conseguido da Mercedes. No segundo ano de competição esperava-se muito mais de uma estrutura que representa um dos maiores construtores mundiais de automóveis e basta olhar para o recém disputado GP da Hungria para perceber que ‘algo está podre no reino da Dinamarca’. Não cabe, por certo, aos motores o ónus da falta de competitividade e a resposta tem de ser encontrada sob pena de a Mercedes se fartar dos resultados pouco lisonjeiros e decidir ‘mudar de ares’, o que seria francamente mau para a F1.
Rui Freire








