A revalidação do título no WEC é praticamente impossível para Filipe Albuquerque, que foi obrigado a faltar à ronda de Portimão para estar presente no IMSA. Uma situação que não o agradou mas que tem de ser aceite:
“Não poder revalidar o título não me desmotiva. Já ganhei o título, gostava de ganhar o segundo, mas tenho de ser justo e realista. Não posso estar em todo o lado. Fiquei triste por não poder correr em Portimão, mas é o que é. Estou em primeiro no IMSA, que é o meu campeonato principal e não posso ser egoísta e querer fazer o mesmo com dois campeonatos, quando há pilotos que se dedicam exclusivamente ao WEC. Claro que fiquei triste quando dois campeonato que podiam evitar sobreposições não o fazem. Temos um campeonato que tem seis corridas, uma delas Le Mans que obviamente não vai ter sobreposições. Por isso estamos a falar de cinco corridas, duas delas coincidem… não acho normal. Claro que a pandemia não ajuda, mas ainda assim tem de haver mais diálogo e não podem acontecer tantas sobreposições. Admito que fiquei chateado e se calhar ter falado disso publicamente poderá permitir que no futuro a situação seja evitada.
Além de ser o líder da equipa, Albuquerque é também um professor, ajudando à formação de jovens talentos como o Phil Hanson, com quem tem uma excelente relação e agora com o Fábio Scherer, algo que o agrada por dois motivos:
“Estou a adorar estar com o Ricky Taylor pois é um grande colega de equipa, super humilde. Mas o que gosto mesmo com os miúdos é que eles são humildes e fazem o que lhes digo para melhorarem. Isso é ótimo porque consigo ter as coisas à minha maneira e isso tem dado resultados. Às vezes há pilotos com quem isso não é possível, pois têm muito a sua maneira de ser e querem as coisas também um pouco à sua maneira. Por exemplo, não consigo fazer isso com um Paul di Resta e com ele tem de haver um meio termo entre os dois, se bem que tenho de admitir que tudo correu super bem entre os dois e temos uma boa relação. Mas por vezes quando estamos perante um piloto profissional tão bom quanto ele, tenho de também ouvir a parte dele. Mas com o Phil e o Fábio a tarefa é facilitada pois as minhas opiniões têm muito mais peso. Por um lado fico mais à vontade, porque está tudo à minha maneira, mas também tenho a responsabilidade acrescida de se a afinação não for a ideal, a culpa é minha, mas vivo bem com isso. Mas também fico contente por ver o Phil, com quem já estou há mais tempo, a fazer as coisas como lhe disse. É muito bom ver a evolução que ele tem tido e tornou-se num piloto espetacular. Ainda em Monza largou de segundo e agarrou logo a liderança, com o Robin Frijns atrás dele, mas ele conseguiu manter-se na frente e a poupar gasolina e isso deixa-me orgulhoso e contente.”
O Peugeot 9X8 esteve em Monza para se mostrar ao mundo, mas Albuquerque nem viu o carro ao vivo e não perde muito tempo com isso:
“Não tenho grande interesse quanto ao aspeto dos carros. Fico entusiasmado sim por ver muitas marcas interessadas, o que irá melhorar os nossos campeonatos. Acho o Peugeot bonito, com uma filosofia diferente. Mas como não vou guiar o carro, não tenho muito interesse, apenas desejo-lhes o melhor, mas desde que eu vença quando estiver contra eles e que tenhamos boas corridas, isso é o que me interessa. Agora se tem asa ou não, não perco tempo nenhum com isso.”










