A Fórmula E não foi pensada para circuitos permanentes e isso notou-se claramente na sua primeira corrida numa infraestrutura dedicada.
A Fórmula E foi desde início idealizada para levar as corridas às pessoas, em pistas citadinas relativamente curtas de forma a poderem ser dadas o mínimo de voltas necessárias para termos uma boa corrida. Se antigamente era preciso trocar de carro a meio (uma aberração que nunca agradou à grande maioria) agora com os Gen 2 já é possível fazer uma corrida completa sem ter de fazer troca.
E desde essa altura que se começou a pensar como seria a Fórmula E nas pistas permanentes. As comparações são inevitáveis e um dos objetivos era comparar as sensações da Fórmula E às sensações provocadas por outras categorias. E o resultado final não foi o melhor.
Estes carros foram pensados e criados para andarem em citadinos. Pneus, suspensões, chassis foram desenhados para enfrentarem os pisos irregulares, as constantes travagens e curvas apertadas. Em Valência as equipas enfrentaram um desafio diferente, com um asfalto mais abrasivo, com e com uma pista que por força das poucas situações de travagem tornava a gestão de energia mais complicada. Nem vamos falar do que sucedeu na Corrida 1, algo que já foi esmiuçado, mas na corrida 2 vimos que o segundo classificado, Alex Lynn tinha ordens para ficar atrás do primeiro, Jake Dennis e que assim conseguia poupar mais e por conseguinte ficava em vantagem para o fim da prova. E esta filosofia de corrida torna-se completamente desadequada ao espetáculo. Noutra categoria, Lynn teria passado na primeira oportunidade e tentado ganhar espaço para uma possível troca de pneus se fosse esse o caso.
A gestão de energia é fundamental na Fórmula E e está pensada para funcionar em citadinos. Como tal o regresso a circuitos permanentes, pelo menos com estes carros, não faz sentido. O espetáculo fica prejudicado, é menos intenso e a forma como os monolugares funcionam não sai beneficiada em traçados permanentes.











