Qual será o futuro de Fernando Alonso? A pergunta surgiu de várias formas ao longo do Grande Prémio de Espanha, mas o espanhol não revelou os planos para a próxima temporada. Ainda assim, algumas das suas declarações em Madrid podem ser interpretadas como sinais positivos para quem gostaria de ver o bicampeão do mundo continuar na Fórmula 1.
A decisão surge num contexto difícil para a Aston Martin. A equipa enfrenta problemas de competitividade desde a introdução dos novos regulamentos e iniciou igualmente uma nova parceria de unidades motrizes com a Honda, após o fim da ligação à Mercedes. Até agora, a mudança não produziu os resultados esperados.
Alonso deixou claro que não pretende ser pressionado a tomar uma decisão. A evolução competitiva da equipa até ao final do ano será um dos fatores relevantes, sobretudo depois de alguns sinais recentes de progresso do AMR26. Ainda assim, a Honda continua a enfrentar dificuldades de desempenho, um elemento que poderá pesar na decisão do espanhol.
Mike Krack, diretor de pista da Aston Martin, compreende a posição do piloto e reiterou a intenção da equipa de manter Alonso.
“No fim de contas, sempre deixámos claro que a equipa quer continuar com ele, mas temos de respeitar os pensamentos do Fernando e o tempo que ele quer tomar. Como já disse antes, estamos confiantes de que podemos encontrar uma boa solução para todos. Agora trata-se de esperar. Ele precisa de tomar uma decisão e depois avançamos. Todos estaremos interessados em ver o Fernando continuar. O que puder ser feito para o acomodar, penso que será feito, e espero que possamos chegar a uma boa solução e continuar.”
A Aston Martin recusa, para já, discutir uma alternativa caso Alonso opte por sair. Krack afastou a hipótese de revelar nomes ou de comentar a existência de um plano de contingência.
“Não vos vou dar nomes [de um possível substituto] e também não vou falar de qualquer plano B.”
Uma despedida à altura?
A posição da Aston Martin é clara: a equipa pretende manter Alonso e está disposta a respeitar o calendário de decisão definido pelo piloto. Ainda assim, a continuidade não depende apenas da vontade do espanhol. Terá também de existir um acordo entre as partes e condições competitivas que façam sentido para o piloto e para a equipa.
No final do Grande Prémio de Espanha, no Madring, Alonso deixou uma reflexão que poderá ser lida como um sinal de que a permanência na Fórmula 1 continua em cima da mesa. Questionado sobre os milhares de adeptos espanhóis presentes, o piloto falou da responsabilidade que sente perante quem o acompanhou ao longo da carreira.
“Bem, mas eles estão sempre lá. Tal como em Barcelona. Sabiam que o resultado ia ser o que foi e, mesmo assim, vieram cheios de entusiasmo, vieram para desfrutar do Grande Prémio e acabo sempre por me sentir mal por não lhes dar o que merecem: um resultado melhor. Mas, enfim, se eu continuar mais um ano, ou dois, ou três, ou quantos forem decididos, isso também será por causa deles. Porque acho que me despedir dos adeptos espanhóis, depois de toda uma vida ao volante, com um resultado como o deste ano… ninguém na equipa merece isso, mas sobretudo os adeptos.”
As palavras não equivalem a uma confirmação de continuidade, mas revelam que Alonso não encara uma despedida sem ponderar o contexto desportivo e a relação com os adeptos. A referência explícita a “mais um ano, ou dois, ou três” reforça a ideia de que o piloto não fechou a porta a renovar. A Aston Martin quer mantê-lo, não discute publicamente alternativas e garante estar disponível para encontrar uma solução. Resta a Alonso decidir se tem ainda “combustível” para se manter em competição e lutar por lugares melhores.
Foto: MPSA









Com o Presidente da FIA a querer alterar escandalosamente as regras para favorecer a Honda e a Aston Martin, é bem possível que consiga engodar o Alonso para ficar na F1 até aos 66 anos.