As cenas que vimos ontem no Circuito Ricardo Tormo com mais de metade dos carros em pista a levantar drasticamente o pé ou até parar por causa da energia que foi retirada no último Safety Car continuam a dar que falar. Para os responsáveis da competição a filosofia é para manter e houve até um “sacudir de água do capote”, apontando a escolha de António Félix da Costa na corrida como a principal responsável.
O diretor de Fórmula E e Projectos Desportivos Inovadores da FIA, Frederic Bertrand, defendeu as regras do campeonato, e disse que o estranho final surgiu devido ao timing do reinício de Félix da Costa.
“Sabemos que a gestão da energia é fundamental para o nosso campeonato e é claramente um desafio que todos temos de enfrentar”, disse Bertrand. “Todos nós a gerimos de uma forma muito precisa a maior parte do tempo. Neste caso particular, tivemos mais ou menos as mesmas circunstâncias que em Roma, na medida em que tivemos um Safety Car tardio e foi claramente expresso, nos briefings dos pilotos e das equipa, que no caso de isto acontecer iríamos reduzir a energia, como fizemos em Roma.”
“Com certeza, a escolha do piloto líder naquele momento mudou claramente as coisas para a maioria dos pilotos que tiveram uma abordagem menos conservadora do que os outros e atravessaram a linha de meta alguns segundos – penso que foi cerca de 15 segundos – antes do fim do tempo, de corrida, o que acrescentou uma volta e mudou as circunstâncias para a maioria dos pilotos.
“Mas, tivemos alguns pilotos capazes de antecipar isso e estar prontos, porque eles compreenderam que isto iria acontecer e geriram-no adequadamente. Alguns foram menos capazes de o antecipar e claramente o risco assumido foi demasiado elevado e não conseguiram um bom final na corrida. Portanto, é claramente onde estamos, certamente não é o tipo de final que gostamos mas, ainda assim, para aqueles que conseguiram, foi realmente bem gerido, o que não foi fácil e com todas as circunstâncias.”
“Foi uma corrida complicada para todos, com os Safety Cars, a chuva e a pista específica aqui, mas ainda assim, a gestão da energia é a chave da Fórmula E e podemos ver que é um desafio, mas alguns conseguiram isso muito bem, outros menos. É claramente uma lição para o futuro e vamos manter a consistência na gestão deste tipo de desafios durante todo o resto do ano”.
António Félix da Costa defendeu-se, afirmando que não poderia ter ido mais devagar, algo que ficou claro na transmissão:
“Sinto muito, mas não posso aceitar isso. Se eu fosse ainda mais devagar atrás do Safety Car, quantas equipas teriam protestado no final? E também, se eu fosse mais devagar, eles teriam reduzido mais energia. Hoje estava nas mãos da FIA de nos salvar a todos disto”.
“Como adepto do desporto automóvel, era um grande dia para a Fórmula E porque era a primeira corrida num circuito permanente. Tenho a certeza que atraímos a atenção de pessoas menos convencidas que nos observaram de perto. Não é a imagem que queremos passar. Seremos a piada da semana, acho eu. Não foi um bom dia para nós. Lamento pelos fãs”.
“Como piloto esta dói muito. Não há muito que pudéssemos ter feito. Teoricamente, estou excluído, estou fora da corrida porque usei demasiada energia por 0,1%. No final, a equipa e todos ficaram magoados. Toda a gente ficou em baixo. É doloroso. “
“Recebi a comunicação para a redução de energia, mas quando me disseram perguntei ‘têm a certeza? Eles disseram ‘Sim’. E foi isso. Passei de uma situação em que estava tudo bem e podia ganhar a corrida para não acabar a prova”.











