WRC: Sébastien Ogier bate Elfyn Evans por 0.6s no Rali da Croácia
Sébastien Ogier/Julien Ingrassia (Toyota Yaris WRC) venceram o Rali da Croácia por 0.6s! Depois de chegaram ao derradeiro troço, na sequência duma manhã em que teve um acidente de trânsito, ficando com o carro danificado, perdeu a vantagem que tinha e chegou à PowerStage 3.9s atrás de Elfyn Evans/Scott Martin (Toyota Yaris WRC), mas um erro destes numa das últimas curvas do troço foi o suficiente para a dupla francesa vencer por 0.6s. Um grande rali e uma saborosa dobradinha da Toyota. Thierry Neuville/Martijn Wydaeghe (Hyundai I20 Coupé WRC), depois de também cometer um erro na PowerStage.
Com esta diferença entre primeiro e segundo o Rali da Croácia entra diretamente para o top 3 das provas mais equilibradas de sempre, atrás do Rali da Jordânia de 2011 quando Sébastien Ogier bateu Jari-Matti Latvala por 0.2 segundos, e o Rali da Nova Zelândia de 2007, quando Marcus Gronholm bateu Sébastien Loeb por 0.3s
De Sébastien Ogier e Julien Ingrassia (Toyota Yaris WRC) pode dizer-se que por pouco eram os grandes azarados do rali. Mas acabaram por vencer por 0.6s.
Começaram o rali atrás de Neuville e Evans, passaram o colega de equipa no final do primeiro dia, construíram uma margem de 6.9s para Evans e 10.4s para Neuville no final do segundo dia de prova, mas quando se dirigiam para o primeiro troço de domingo, tiveram um acidente numa ligação, depois de apanharem um condutor a ultrapassá-los a grande velocidade pela direita quando se chegavam para a essa faixa, ficando com o carro algo danificado na direita, o que comprometeu um pouco o alinhamento do Yaris, levando-os a passar de um avanço de 6.9s para um atraso de 3.9s em três troços.
Na fase inicial do rali, Ogier deixou fugir Neuville um pouco terminando o primeiro dia 7.7s atrás do belga. Depois do susto na PE1, onde quase ‘ficaram’ no mesmo sítio de Rovanpera, reagiram bem, e tiveram uma boa tarde recuperando duma desvantagem de 12.3s para 7.7s.
Logo no início do segundo dia, os dois Toyota passaram para a frente do Hyundai de Neuville, com a escolha de cinco pneus duros nos dois carros a mostrar-se a correta.
Apesar de Ogier terminar o primeiro troço da tarde com o pneu da frente direita em baixo, perdendo 10.1s isso foi suficiente para manter a liderança com 6.9s face a Evans, exatamente a mesma margem com que terminou o dia. Só que, o arranque do dia decisivo ficou marcado pelo acidente na ligação e com isso ficou sem carro para fazer melhor.
Elfyn Evans/Scott Martin (Toyota Yaris WRC) começaram o rali na terceira posição, subiram para segundo na PE2, mas terminaram o primeiro dia no terceiro lugar.
No segundo dia, depressa saltou para segundo, atrás de Ogier, vindo a suplantar o seu colega de equipa no segundo troço do último dia de prova depois do francês ter tido um acidente na ligação. Sem cometer erros, Evans , depois do segundo lugar do Monte Carlo e do quinto posto no Ártico, perde o Rali da Croácia por 0.6s depois de um erro numa curva perto do fim da PowerStage, ao subir um pequeno barranco.
Evans teve um bom primeiro dia, nunca perdendo demasiado tempo para Neuville, ainda que a primeira manhã tenha sido mais complicada. Um primeiro dia sólido.
No segundo dia, tanto Evans como Ogier depressa foram para a frente, devido à má escolha de pneus por parte dos Hyundai. Evans terminou o dia a 6.9 segundos de Ogier, e com menos 3.5s para o belga. Uma segunda manhã de prova forte por parte da Toyota com Ogier um pouco mais forte que Evans, que se deu um pouco pior com a estrada mais suja.
Thierry Neuville/Martijn Wydaeghe (Hyundai I20 Coupé WRC) foram os primeiros líderes da prova, aproveitando a estrada limpa depois do acidente de Rovanpera, que era o primeiro na estrada, fizeram o seu trabalho e chegaram ao final do primeiro dia de prova, 7.7s na frente de Ogier e 8.0s para Evans, mas a escolha errada de pneus por parte da Hyundai para a manhã do segundo dia de prova, tramou-os. Os Toyota levaram cinco pneus duros, mas a Hyundai optou por três médios e dois duros, e com isso Neuville perdeu de imediato 12.0s, caindo para terceiro a 4.3s da frente. No final dessa ronda, já estava a 19.6s de Ogier e com isso dificultou imenso a possível vitória no rali.
Na tarde do segundo dia, corrigiu o erro, e terminou o dia a 10.4s da frente. Foi recuperando, décimo após décimo, foi para o último troço a 8.0s de Evans e terminou no pódio uma prova que podia ter ganho, sem o erro da escolha de pneus. São assim os ralis.
Ott Tänak/Martin Järveoja (Hyundai I20 Coupé WRC) terminaram o rali em quarto, num rali que não lhes correu bem. As mudanças de aderência das estradas da Croácia não foram bem assimiladas pelo estónio, que ao cabo de quatro troços já estavam a 25.3s da frente. Demorou a sentir-se confortável e confiante no carro, e quando isso sucedeu, já era muito tarde para reagir, limitando-se a levar o carro até ao fim na mesma posição. Claro que também sofreu com as escolhas de pneus erradas do segundo dia, mas também já não lhe valeria de muito. Depois do abandono no Monte Carlo, e do triunfo no Ártico, um resultado abaixo das expetativas. Segue-se Portugal…
Adrien Fourmaux/Renaud Jamoul (Ford Fiesta WRC) foram a grande surpresa desta prova. Na sua estreia com um World Rally Car, começaram o rali em oitavo, evitando erros mas depressa impuseram um ritmo que os levou aos sexto lugar no fim do primeiro dia, a 19.9s de Craig Breen, chegado ao quinto posto que a dupla irlandesa furou e atrasou-se muito.
Uma bela demonstração, numa prestação que encontra explicação no tipo de estradas que o francês sempre encontrou no seu país, e onde, claramente, se sente mais à vontade. Resta agora ver em terra, com um WRC, o que poderá ser capaz. No asfalto, já deixou claro à equipa que deve apostar em si. Tendo em conta o contexto, a figura do rali.
Gus Greensmith/Elliott Edmondson (Ford Fiesta WRC) foram sétimos. Como tem sido habitual, o inglês demora a encontrar o seu ritmo, queixa-se por tudo e por nada e foram curiosas as suas palavras à WRC TV: “tive uma conversa na assistência, levei na cabeça, ouvi palavras fortes de conselho, e fico com elas”. Não revelou quem lhas disse, mas entre Malcolm Wilson, Richard Millener, e o seu próprio pai, que lhe paga a ‘festa’ toda, deve ter ouvido das boas. Com o tempo que já leva de WRC, já devia estar a fazer bem melhor. Basta ver a evolução de Takamoto Katsuta, por exemplo.
Takamoto Katsuta/Daniel Barritt (Toyota Yaris WRC) foram sextos numa prova em que tiveram algumas dificuldades no primeiro dia em que se atrasaram um pouco devido a uma ligeira saída e um pião. Terminaram o primeiro dia em nono a mais de dois minutos e meio da frente, mas tiveram um bom segundo e terceiro dias de prova, recuperando até ao sexto lugar.
Craig Breen/Paul Nagle (Hyundai I20 Coupé WRC) foram oitavos, um resultado muito abaixo do que a equipa esperava dele. Um regresso complicado aos pisos de asfalto, onde já não corria, com um WRC, desde o Rali da Catalunha de 2019, quando ainda estava na Citroën. Seja como for, esperava-se mais dele. Andou bem em alguns locais, teve muitas dificuldades noutros. Um furo na PE9 fê-lo perder dois minutos e todas as esperanças de um resultado melhor.
Pierre-Louis Loubet/Vincent Landais (Hyundai I20 Coupé WRC) continua sem conseguir fazer bons resultados no WRC. A correr desde o início de 2019 com o Hyundai i20 WRC, fez um bom resultado na Sardenha, o sétimo, mas desde aí a sensação que fica é que tenta acompanhar os adversários, mas acaba sempre por ter problemas Desta feita até estava a fazer uma prova razoável, e quando já tinha subido de nono para sexto, saiu de estrada, na sequência de um exagero, já não conseguindo recolocar o carro na estrada, pois este não estava danificado. Mais um azar.
Kalle Rovanperä/Jonne Halttunen (Toyota Yaris WRC) chegaram à Croácia na liderança do campeonato, mas uma saída de estrada no primeiro troço, no mesmo local onde também Ogier quase ali ficava, levou-o a bater forte, danificando muito o carro. Game Over. Nada a dizer quanto à saída, quando um sete vezes campeão do Mundo quase lá fica também. Por vezes, é só mesmo a sorte que faz a diferença…
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Peça Misto
25 Abril, 2021 at 13:58
Os WRC e os seus pilotos são como aqueles amigos que nunca desiludem. Seja porque são efectivamente do melhor que podemos desejar ou apenas porque não subimos as expectativas e dessa forma, nunca ficam mal.
No WRC, com poucas marcas, mas com equipas de excelência, podemos pensar o pior, imaginar um futuro negro, conspirar com as melhores intenções, mas enquanto o nível das Chefias das equipas e das duplas de pilotos que tornam parte dos nossos sonhos, realidade. Nunca o campeonato nos deixará ficar mal.
WRC é algo aparte. É um desporto de uma itensa minoria. Que nunca nos falte.
JCF
25 Abril, 2021 at 15:25
Ogier ganha quando o dia corre bem; ganha quando o carro é muito bom; quando vai para um carro que não era ganhador, faz do carro ganhador, sai da equipa e o carro deixa de ser ganhador na mão de outros; e hoje ganhou após começar muito mal o mau, com o veículo amassado e uma pressão adicional tremenda… pressão a que é completamente imune como sempre. Enfim, uma só pessoa reúne as melhores características dos latinos e dos nórdicos… ao longo de um campeonato Ogier é quase imbatível.
Fast Turtle
25 Abril, 2021 at 16:30
Este ogier se joga no euro milhões ganha logo.
Tem kit mãos unhas mas também tem uma sorte. Não há como o negar.
FormulaTwo+1
25 Abril, 2021 at 16:59
O WRC no seu melhor. Prova emotiva mesmo até aos últimos metros. Torcia por Evans, mas Ogier nunca desistiu e fez por merecer a vitória! E que primeira prova de Fourmaux!
[email protected]
25 Abril, 2021 at 17:21
Comentários bem elaborados feito por pessoas que pecebem e sentem o que estão a escrever. Ao contrário dos pseudocomentaristas da F1. Que apenas se dão ao luxo de destilar ódio por todos os lados. Bem Hajam
[email protected]
25 Abril, 2021 at 21:55
Pois…
Scb
25 Abril, 2021 at 17:52
Em primeiro lugar parabéns ao Ogier. Fez uma prova fantástica.
Apenas vi a powerstage (mas pude acompanhar especial a especial no autosport.pt, obrigado a todos) mas pareceu-me que resume bem não só o rali mas as últimas temporadas do WRC: temos um lote de excelentes pilotos (e mais na cantera) mas Ogier está um bocado à frente de todos. Mesmo com adversidades Ogier foi com a faca nos dentes e sobre pressão não vacilou, enquanto os outros Evans e Neuville acabaram por ter 2 erros, e no final estes pequenos detalhes fazem a diferença.
Billy Bob
25 Abril, 2021 at 20:03
Prova do cacete.
Acabou por se concretizar o que antevi logo sáb. de manhã, 1º e 2º Yaris, 3º e 4º i20s, mas os três primeiros foram enormes. Eu nem faço distinções quando as diferenças em 2h 50 mt de pilotagem, reforço, em quase três horas de volante, e depois temos diferenças na casa dos 0,6 sg ou mesmo 8,1 sgs. Pódio Top, de Luxo!!
E o Elfyn Evans… tal como li no colega AA, também eu torcia por ele…O homem está a ter um certo azar no que ás questões com Ogier dizem respeito, no ultimo parcial tinha o rali no bolso e depois, uma curva fora dela… uns décimos a menos e…Lá foi ela.
É como é. Das mais bem conseguidas recentes vitórias de Ogier.
Felizmente para nós a procissão ainda vai no adro. Queremos as estes craques juntar Tanak, Rovanpera, Sordo e o Solberg-Son de 20 a 23 de Maio num País á beira mar plantado…
Até lá.
[email protected]
25 Abril, 2021 at 21:14
Prova incrivel! Gostava que o evans ganhasse, mas o Ogier fez jus aos titulos que tem! Emoção até ao cruzar da meta!
Que o diga o Latvala que estava uma pilha de nervos a assistir!
ultrahuey
26 Abril, 2021 at 4:49
Ogier é… realmente top, carros diferentes, vários competidores diferentes e pronto pressão não é com ele, resultados sempre a surgirem. E eu também queria o Evans a ganhar, mas pronto, um erro e lá está o Ogier a faturar… estes dias depois do Loeb e da história do Elena, realmente Ogier faz uma marca diferente. Vários pilotos acabaram também por encurtar carreiras porque fica dificil competir com ele, Hirvonen, Latvala, Meeke… para andar ao ritmo dele acumulavam erros… Mas claramente o mundial de ralis é como dizem, incrivelmente competitivo e com sempre excelentes valores a aparecer como o Fourmoux. Que venha o rally de Portugal que é sempre um dos melhores do calendário.