A Ford vai voltar a competir no Campeonato do Mundo de Ralis da FIA a partir de 2028, como equipa oficial, sob a marca Ford Racing. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 1 de outubro, em Dearborn, nos Estados Unidos. A marca vai trabalhar com a M-Sport e prevê estrear um carro totalmente novo em 2029. Basicamente o que muda, é um ‘empenho’ bastante mais forte do que até aqui, da casa mãe.
Colaboração com a M-Sport
A Ford Racing e a M-Sport, parceira da marca em ralis há 30 anos, começam a trabalhar em conjunto de imediato.
De forma oficial, porque como é lógico, esse trabalho já tem vindo a ser feito entre portas.
A partir de 2028, a Ford Racing passa a estar diretamente envolvida na participação no WRC com a equipa britânica, antes da estreia do novo carro, em 2029. Este carro de competição terá como inspiração um dos novos modelos de passageiros europeus que a marca vai lançar.
Ligação aos carros de estrada
Segundo a Ford, a competição vai ajudar a definir a nova gama de cinco veículos «multienergia», elétricos e híbridos, concebidos e construídos na Europa. A marca pretende que estes modelos combinem a herança dos ralis com características de todo-o-terreno.
Jim Baumbick, presidente da Ford Europa, justificou a decisão com a exigência da modalidade. «Os ralis são o local onde o caráter da Ford enfrenta o teste mais duro, e onde gerações de adeptos vêm partilhar a emoção de ver um carro enfrentar o impossível», afirmou. Acrescentou que a marca quer que os próximos veículos europeus «tenham esse mesmo espírito sem complexos: reativos, que inspirem confiança e que sejam gratificantes de conduzir nas estradas que as pessoas usam todos os dias».
A Ford tem previsto o lançamento até 2029 de um novo SUV compacto da família Bronco, cuja produção está agendada para arrancar na fábrica de Valência (Espanha) em 2028.
Está também previsto um novo modelo utilitário 100% elétrico destinado a preencher o espaço deixado em aberto no segmento dos citadinos e utilitários compactos, onde estava o Fiesta. Por fim, vai lançar um modelo de zero emissões focado no crescimento do segmento dos crossovers urbanos e familiares, e ainda dois novos crossovers multienergias. O novo carro do WRC sairá daqui, de um qualquer dos veículos referidos, alguns, ainda sem nome conhecido.
Baumbick referiu ainda que o WRC é o «campo de provas definitivo para o controlo e a ligação ao piloto», e que é esse o espírito que a marca quer incutir nos futuros modelos. Esta aposta responde ao compromisso, assumido pela Ford, de desenvolver veículos pensados para as «estradas perfeitamente imperfeitas» da Europa.

Reação da FIA
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, classificou o anúncio como «mais um momento significativo» para o campeonato. Destacou que há um novo promotor, três construtores já comprometidos com os novos regulamentos técnicos e agora a confirmação da Ford como construtor oficial.
Ben Sulayem recordou que a Ford regressou à Fórmula 1 este ano, compete na categoria máxima do Campeonato do Mundo de Ralis-Raid da FIA e voltará à classe principal do Campeonato do Mundo de Resistência da FIA em 2027. Com o WRC em 2028, a marca ficará presente em quatro campeonatos do mundo da FIA. O dirigente, que disse ter tido o privilégio de conduzir para a Ford durante a carreira, afirmou que o regresso é «particularmente especial» para si.
Contexto do campeonato
O anúncio surge depois de a Cosmobilis e a Park Square Capital terem adquirido os direitos comerciais do WRC. Em 2027 entram em vigor novos regulamentos.
Mark Rushbrook, diretor global da Ford Racing, associou o regresso ao 125.º aniversário da Ford Racing. Afirmou que os 50 anos de história no WRC são «um dos maiores motivos de orgulho» da marca, pela ligação aos carros que daí resultaram, e que a equipa mal pode esperar para voltar a competir.
Versões de competição de modelos como Escort, Sierra, Focus, Fiesta e Puma tiveram um papel relevante em mais de 50 anos de WRC. Nesse período, a Ford conquistou vários títulos mundiais de construtores e de pilotos.








