CPV – Fim de ciclo na principal competição nacional de velocidade

Por a 13 Dezembro 2021 15:45

Apesar da Velocidade nacional ser a categoria que mais talentos tem exportado, com nomes incontornáveis do desporto motorizado internacional a levarem a nossa bandeiras aos lugares mais altos dos pódios nas melhores competições do mundo, por cá o cenário é algo diferente. Com a velocidade a dar tantos e tão bons pilotos, poderia pensar-se que as bases são sólidas mas, na verdade, temos visto muita instabilidade no principal campeonato de velocidade em Portugal. 

Sucedem-se mudanças de regulamentos, de formatos, que em nada beneficiam os pilotos e as equipas que fazem investimentos a pensar a médio prazo e que depois são obrigadas a repensar os planos, com mais mudanças no panorama nacional. Mas o cenário chegou a ficar mais preocupante com o declínio dos TCR, criando-se uma espécie de vazio que fez temer o pior.

Mas a ANPAC tratou de pegar na Velocidade e criar o Open de Velocidade, com o objetivo de manter viva a principal competição de velocidade em Portugal. O trabalho feito pela ANPAC foi louvável e terá sempre de ser destacado, pois saíram da sua zona de conforto para uma categoria onde não tinham experiência e fizeram o melhor trabalho possível, que nos permitiu manter a Velocidade nacional em pista. Em 2020, com a pandemia, chegaram más notícias por todo o mundo mas, chegaram também notícias interessantes para a Velocidade, com Paulo Pinheiro e Pedro Marreiros a ajudarem a ANPAC numa primeira fase, assumindo depois a função de promotores do Open, que em 2021 voltou a ser Campeonato de Portugal de Velocidade. Com a chegada da dupla Marreiros e Pinheiro, vimos também a chegada de algumas novidades como a atribuição de prémios monetários e o apoio de um canal televisivo de desporto dedicado, novidades que chegaram numa altura em que o desporto motorizado suspendeu a respiração, com a Pandemia a deixar todos na incerteza. Mas as indicações foram boas e o interesse surgiu por parte dos pilotos. Foram apenas os primeiros passos, que davam algum alento para o futuro e era preciso fazer algum esforço de memória para relembrar Porsches e Ferraris juntos em pista, em competições nacionais.

Claro que era preciso melhorar vários aspetos e o facto de termos uma dupla a dominar por completo não ajudou. Nestas situações, ao invés de se olhar ao mérito de quem vence, costuma-se olhar apenas aos resultados que parecem sempre iguais. De facto, faltou competitividade ao CPV em 2021. Faltaram grelhas ainda mais preenchidas e alguns pormenores normais numa competição que dá os primeiros passos, mas havia uma boa base de trabalho para o futuro. 

No entanto, na semana passada ficamos a saber que este ciclo iria terminar e que novos promotores irão assumir o CPV. A mudança não deixou de ser surpreendente pois nas conversas que o AutoSport foi tendo com Pedro Marreiros e Paulo Pinheiro foi nos dito que o  plano era pensado a médio prazo, o que não se verificou. Iremos certamente falar com os principais intervenientes e entender o que motivou a mudança, quer do lado dos promotores cessantes, quer por parte dos novos promotores. Mas não podemos deixar de notar que mais uma vez teremos mudança de formato (e veremos que tipo de máquinas serão usadas nas corridas do próximo ano) e parece que estamos a cair nos mesmo erros do passado. Mas neste momento, como parte interessada no sucesso da velocidade nacional, apenas podemos desejar o maior sucesso do mundo aos novos promotores, que já têm provas dadas do seu trabalho, estando a frente de grandes competições e destacar o trabalho feito pela ANPAC e pela Prime Promotion que nos tempos de maior incerteza mantiveram a velocidade nacional viva. 

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