É já no próximo fim de semana que arranca a temporada 2026 do Campeonato de Portugal de Velocidade. Com seis provas espalhadas por alguns dos circuitos mais emblemáticos da Península Ibérica, uma grelha diversificada e um regulamento que chega com mudanças importantes, há razões mais do que suficientes para acompanhar cada fim de semana de corrida.
Desde 2022 que a organização do CPV está entregue à Race Ready, entidade promotora responsável não só pelo campeonato nacional, mas também pelo Iberian Supercars (IS) e pelo Campeonato de España de Supercars (CES) — três competições que partilham grelha e calendário de forma integrada. O projeto de Diogo Ferrão, chefe da Race Ready, tem recolhido rasgados elogios por parte da grande maioria dos pilotos e equipas. De facto, é preciso fazer um exercício de memória intenso para encontrar uma era tão forte na velocidade nacional. Um projeto que começou com pouco menos de 10 carros e que agora consegue regularmente chegar às cinco dezenas de carros inscritos, prova inequívoca do trabalho feito pela Race Ready.
Esta estrutura tripartida é um dos traços mais distintivos do projeto, e em 2026 ganha ainda mais peso: o Supercars España passa a ser oficialmente o Campeonato de España de Supercars, com reconhecimento pleno da RFEDA, uma mudança que não é apenas cosmética, mas que consolida o projeto como uma competição ibérica de referência, com dois campeonatos nacionais a funcionar em paralelo.
Seis provas, duas fronteiras
O calendário de 2026 é composto por seis eventos, distribuídos entre Portugal e Espanha, de maio a dezembro:
| Data | Circuito | Campeonatos pontuáveis |
|---|---|---|
| 15–17 maio | Portimão — AIA | IS, CPV, SE (+ BMW M2 Cup) |
| 5–7 junho | Jarama — Madrid | SE (+ BMW M2 Cup) |
| 10–12 julho | Vila Real | CPV |
| 25–27 setembro | Valência — Ricardo Tormo | IS, SE (+ BMW M2 Cup) |
| 6–8 novembro | Jerez — Ángel Nieto | IS, CPV, SE (+ BMW M2 Cup) |
| 4–6 dezembro | Estoril | IS, CPV (+ BMW M2 Cup) |
O arranque acontece em Portimão, a 15 de maio, num dos traçados mais exigentes e espetaculares da Europa. O único evento exclusivamente português a meio da época é Vila Real, em julho, que leva a competição às ruas do interior norte do país. A temporada encerra em dezembro no Estoril, num regresso à casa histórica do automobilismo nacional.
A grande novidade: grelhas separadas
A alteração mais impactante de 2026 é também a mais estrutural: a separação total das grelhas de GT4 e de GTC/Turismos. A partir desta temporada, cada família de categorias terá as suas próprias sessões de treinos livres, qualificações e corridas independentes em todas as provas, com Vila Real ainda a aguardar confirmação. Na prática, isto significa mais tempo em pista para cada categoria, mais foco competitivo e uma experiência mais clara para o público, que passa a ter programas distintos para acompanhar.
Esta decisão responde a uma realidade que crescia: o aumento do número de inscritos tornou insustentável manter uma grelha única sem comprometer a qualidade da competição em algumas classes. A separação, que foi sendo aplicada já por várias ocasiões, especialmente em 2025, fica agora confirmada e é, portanto, um sinal de maturidade e de crescimento do projeto.
Como funciona um fim de semana
O formato de competição foi desenhado para maximizar a ação em pista. Cada evento inclui até três sessões de treinos livres (entre 40 e 60 minutos cada), seguidas de duas qualificações de 15 minutos e, no ponto alto do fim de semana, duas corridas de 50 minutos.
Nas equipas de dois pilotos, a divisão de tarefas é clara: o Piloto 1 (de menor categorização, quando tal se aplica) realiza a Qualificação 1 e arranca a Corrida 1; o Piloto 2 (de maior categorização) faz a Qualificação 2 e inicia a Corrida 2. Dentro de cada corrida, a paragem obrigatória para troca de pilotos deve acontecer entre o minuto 20 e o minuto 30, com uma duração mínima de 120 segundos medidos entre os loops de entrada e saída do pitlane. A troca de pneus durante essa paragem está proibida.
Há ainda um elemento tático: os três primeiros classificados de cada divisão na corrida anterior sofrem um handicap de tempo na paragem seguinte — 10 segundos para o vencedor, 5 para o segundo e 3 para o terceiro. Um mecanismo que baralha as hierarquias e mantém a incerteza até à última volta.
Novas divisões e pneus Hankook
O regulamento técnico traz também duas novas divisões. Na família GTC, surge a GTX Am, reservada exclusivamente a pilotos amadores, uma resposta direta à procura crescente de um espaço competitivo entre pares, sem a pressão de enfrentar pilotos de maior experiência. Nos Turismos, aparece a TC+, uma divisão que acolhe as viaturas TCR e os BMW M2, criando uma hierarquia mais organizada.
Outra novidade técnica relevante é a chegada da Hankook como fornecedora exclusiva de pneus para as categorias de Turismo e GTC. O modelo escolhido é o Ventus Race, um pneu já com historial em competições internacionais e que promete uniformizar ainda mais o nível de performance entre os competidores destas classes.
O troféu que vale 25 mil euros — e um teste num GT4
O BMW M2 Cup Iberia é um dos programas mais interessantes do calendário de 2026. O troféu monomarca, integrado em cinco fins de semana do Supercars Endurance, disputa-se ao longo de oito corridas em alguns dos circuitos mais emblemáticos da Península Ibérica: Jarama, Valência, Jerez e Estoril. O arranque oficial da prova deveria ter acontecido em Portimão, mas o atraso na entrega das viaturas vindas do México adiou a estreia.
A viatura escolhida é o BMW M2 Racing, desenvolvido pela BMW M Motorsport especificamente para este tipo de competição: 313 cv de potência, velocidade máxima de 270 km/h e tecnologia inspirada nos programas GT3 da marca alemã, um carro que, apesar de pensado para pilotos em início de carreira ou amadores, não deixa margem para erros.
A estrutura de prémios foi desenhada para recompensar desde o primeiro ao último fim de semana da época. Em cada uma das corridas, os três primeiros classificados recebem prémios financeiros: 1 500 euros para o vencedor, 750 euros para o segundo e 250 euros para o terceiro, num total de 25 mil euros distribuídos ao longo da temporada. Uma fatia que torna o troféu não apenas competitivo, mas financeiramente apetecível para quem investe seriamente na sua progressão no automobilismo.
O prémio maior, porém, não se mede em euros. O campeão absoluto de 2026 terá direito a um teste oficial num BMW M4 GT4, a porta de entrada natural para o escalão GT4, onde muitos dos seus futuros adversários já competem. Para quem sonha com uma carreira nas categorias Gran Turismo, o BMW M2 Cup Iberia pode ser, esta época, o atalho mais direto para chegar lá. É com base nesta plataforma competitiva que o FPAK Junior Team irá assentar. Para já, a competição fica reduzida a oito corridas, mas a organização ainda vai avaliar outras soluções.
Pontos, títulos e o que está em jogo
A tabela de pontuação segue um esquema generoso para os dez primeiros classificados: 25-20-17-14-12-10-8-6-4-2, com um ponto para todos os restantes classificados. A pole position e a volta mais rápida valem ainda um ponto extra cada, por corrida.
No final da época, a classificação não soma simplesmente todos os resultados. O sistema considera os pontos da última prova (as duas corridas finais no Estoril), somados aos cinco melhores resultados obtidos nas restantes seis corridas — o que significa que cada piloto pode descartar um mau resultado e que a regularidade ao longo do ano é tão importante quanto a velocidade pontual.
Os títulos em disputa organizam-se em três campeonatos absolutos — Grand Turismo, Turismo e GTC — cada um disponível para o IS, o CPV e o SE. As divisões internas são:
- GT: GT4 Pro, GT4 Pro-Bronze, GT4 Bronze e GT4 Am
- Turismo: TC+, TC e BMW M2 Cup Iberia
- GTC: GTX, GTX Am e Cup
Há ainda um Troféu de Equipas, onde pontuam as duas viaturas melhor classificadas de cada equipa por corrida — um incentivo adicional para as estruturas com dois ou mais carros na grelha.
Onde ver as corridas
As corridas serão transmitidas em direto pela DAZN, tanto em Portugal como em Espanha, uma distribuição que amplia significativamente o alcance do campeonato e coloca o CPV ao lado de outras competições de referência na oferta da plataforma.











