A Toyota e as 24 Horas de Le Mans têm uma história já longa, nem sempre bela e certamente muito exigente. A definição de endurance é a forma ideal de mostrar o que a Toyota tem feito na sua caminhada nas corridas de resistência: a capacidade de suportar algo difícil, sem ceder. O caminho para o sucesso não foi fácil, mas hoje a Toyota é um nome incontornável das corridas de longa duração e, em particular, de Le Mans.
Cinco vitórias à geral. Uma era de domínio construída sobre décadas de perseverança. Para 2026, a Toyota chega a La Sarthe com um carro renovado, uma identidade transformada e uma vontade inabalável de voltar a inscrever o seu nome no livro de Le Mans.
Uma Nova Era, um Novo Nome
O ano de 2026 marca uma viragem na história da Toyota no desporto motorizado. A equipa que durante anos se apresentou como Toyota Gazoo Racing passou a denominar-se Toyota Racing, uma reorganização interna que reflete uma nova estrutura global do grupo, com a marca Gazoo Racing a assumir um papel mais alargado nos programas de ralis e GT. O carro também mudou de nome: o TR010 Hybrid sucede ao GR010 Hybrid que competiu desde 2021 e venceu Le Mans duas vezes.
A mudança não é apenas cosmética. A Toyota recorreu a um Evo joker, para redesenhar a carroçaria do protótipo, alinhando-a com a mais recente linguagem de design dos automóveis de estrada Toyota. No coração da máquina, mantém-se a filosofia híbrida de alta performance: motor V6 biturbo de 3,5 litros.

Cem Corridas, Cinquenta Vitórias e uma Estreia Perfeita
As 6 Horas de Imola, primeira prova do WEC 2026, tinham um significado especial muito antes da bandeira de partida cair: seria a 100.ª corrida da Toyota no campeonato com propulsão híbrida. Desde o regresso ao WEC em 2012, a marca havia acumulado 13 títulos mundiais (construtores e pilotos), 49 vitórias e cinco triunfos em Le Mans, tudo construído em torno da mesma convicção de que a tecnologia híbrida era o caminho. A 50.ª vitória da Toyota no FIA WEC, na sua 100.ª corrida na era híbrida, com os dois carros no pódio.
Spa: O Sinal que a Concorrência Está Mais Forte
Spa-Francorchamps trouxe uma realidade mais exigente. A BMW, com o M Hybrid V8 da equipa WRT, controlou a corrida na Bélgica e venceu de forma dominante, relegando a Toyota para o quinto e décimo lugares. Ambos os carros japoneses lutaram pelas posições de pódio, mas não conseguiram converter o ritmo em resultado máximo.
Foi, contudo, uma prova útil. Com velocidades máximas na reta superior a 310 km/h, o traçado belga confirmou que a Toyota melhorou nessa área, mas também que a BMW e a Ferrari chegaram ao início de época com argumentos sólidos para uma batalha longa. A lição foi assimilada.
Os Homens ao Volante
As duas tripulações mantêm-se inalteradas face a 2025.
Carro n.º 7 — Mike Conway (Reino Unido), Kamui Kobayashi (Japão) e Nyck de Vries (Países Baixos).
Carro n.º 8 — Sébastien Buemi (Suíça), Brendon Hartley (Nova Zelândia) e Ryō Hirakawa (Japão).
Le Mans: A Missão Continua
A Toyota é a marca com mais presenças consecutivas no WEC desde o regresso do campeonato em 2012. Viveu as maiores alegrias e as maiores dores que La Sarthe tem para oferecer. E depois, finalmente, os cinco triunfos que justificam décadas de sacrifício. Com o TR010 Hybrid redesenhado, a Toyota espera regressar ao topo, mas o equilíbrio de forças em 2026 antevê uma batalha longa e exigente para a Toyota.
Foto: MPSA








