Vem aí o Dakar
Dizem os puristas que o ‘coração’ do Dakar está em África, mas quem já alinhou numa das três edições sul-americanas defende que a mais famosa prova do mundo de todo-o-terreno está como sempre foi: dura, variada e imprevisível.
Há dias, em conversa com Elisabete Jacinto, a piloto que inicia agora mais um África Race confessava-nos que há um detalhe absolutamente antagónico que separa as maratonas que se realizavam em África (o ‘verdadeiro’ Dakar para muitos) e a prova sul-americana com a ‘marca Dakar: Enquanto em África a caravana e organizadores tudo faziam para que o número de concorrentes a chegar ao fim fosse o maior possível, na América do Sul, é a própria organização que cria dificuldades sabendo de antemão que muitos concorrentes nunca por ali passarão, alegando que é lhes é favorável que a caravana vá diminuindo com o passar dos dias. Dantes, era um por todos e todos por um, hoje, ao que parece a quem já por lá andou, é quase cada um por si…
A organização da ASO continua a manter viva a filosofia que elevou o Dakar a expoente dos Rally-Raids e este ano até estreia um novo país, 27º da sua história: o Perú. Ao todo, serão 15 dias (de 1 a 15 de janeiro), 14 etapas (seis na Argentina, cinco no Chile e três no Peru) e mais de 8.300 quilómetros de percurso. Esperam-se 465 concorrentes na nova partida em Mar del Plata, na Argentina, um acréscimo de quase 15 por cento face à última edição (407).
Do Atlântico ao Pacífico
Com a partida em Mar del Plata, a mais popular estância balnear na Argentina, e a nova chegada na capital do Peru, Lima, o Dakar 2012 atravessará o continente sul-americano na diagonal, desde as margens argentinas do Atlântico até à costa peruana no Pacífico. Mar del Plata fica 400 quilómetros a sul de Buenos Aires, local da anterior partida, o que configura desde logo um cenário algo diferente para as primeiras etapas em solo argentino. A ASO quis espaçar as dificuldades ao longo de toda a prova, de forma a colocar desafios surpreendentes aos concorrentes, inclusive àqueles que participaram nas três edições anteriores na América Latina.
Na Argentina, os concorrentes partem da costa rumo ao interior do país e à Cordilheira dos Andes. Logo no segundo dia iniciarão a ‘subida’ para norte, sempre numa linha paralela aos Andes e onde se destacam as conhecidas dunas em Fiambalá. A travessia dos Andes marca a transição para o Chile, onde os concorrentes terão uma etapa com partida e chegada em Copiapó, precisamente o local do dia de descanso (a 8 de janeiro). No Chile, já se sabe, um dos pontos mais duros é a travessia do Deserto de Atacama, com as equipas a rodarem depois ao nível do mar até à estreante incursão pelo Perú, que poderá surpreender pelos cordões de dunas extensos. As dunas peruanas podem suceder-se ao longo de 20 quilómetros consecutivos, a fazer lembrar as antigas e afamadas etapas na Mauritânia.
Com mais areia no programa, parece unânime a ideia de que o Dakar de 2012 será um dos mais duros já realizados na América do Sul, favorecendo os verdadeiros pilotos de endurance sobre aos especialistas mais rápidos. David Castera, o diretor desportivo do Dakar, admite isso mesmo: “Não sou capaz de prever onde será o ponto decisivo da prova este ano. Não há uma etapa crucial. Podemos falar até de uma variação completa naquilo que os concorrentes enfrentarão todos os dias. As mudanças de ritmo serão constantes e estarão aliadas à diversidade de terrenos em cada etapa. Tenho o ‘feeling’ que os pilotos mais experientes, aqueles que sabem lidar com acontecimentos inesperados, estarão em melhor posição do que os especialistas mais técnicos.” Como sempre, é preciso esperar para ver pois no Dakar as garantias são sempre em menor número do que as surpresas.
Nas próximas horas, aqui no Autosport Online, vai ficar a saber tudo o que é relevante para acompanhar os 15 dias de prova, que vamos seguir na íntegra o mais em cima possível dos acontecimentos, com fotogalerias e vídeos diários, que espelhem bem o evoluir da prova.
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