Rally Raid Portugal, SS3: Alexandre Pinto é o novo líder, Ricardo Porém atrasou-se

Por a 20 Março 2026 15:52

Nos Challenger Alexandre Pinto / B. Oliveira (Taurus T3 Max/Old Friends Rally Team) venceram a tirada de hoje, bateram Charles Munster / Xavier Panseri (KTM X-Bow/G Rally Team) por 2m46s com Puck Klaassen / Augusto Sanz (KTM X-Bow/G Rally Team) em terceiro.

Na geral, Alexandre Pinto é o novo líder da prova, tem agora 4m14 de avanço para Charles Munster, com Ricardo Porém / Nuno Sousa (Kaizen 51/Cattiva Sport) a terem um mau dia e a caírem para o terceiro lugar da classe, agora a 12m39s dos nos líderes. .

Rui Carneiro / Fausto Mota (KTM X-Bow/G Rally Team) subiram do décimo para a sexta posição da classe.

Filme do dia

O dia nos Challenger terminou com um golpe de teatro à moda da casa: Alexandre Pinto, que já vinha de uma exibição de encher o olho na véspera, não só voltou a vencer a etapa como ‘derrubou’ o compatriota Ricardo Porém da liderança, enquanto Charles Munster surgia como terceiro homem nesta história de pressão, erros e reviravoltas no pó de Portugal.

Desde cedo, a especial ganhou contornos de duelo anunciado. A partir de Grândola, o ruído dos motores trazia duas histórias paralelas: Porém estreava o seu Kaizen num grande rally raid, Pinto subia de categoria depois do título SSV, e os dois portugueses arrastavam consigo a atenção do público local.

Pouco depois, Munster juntava-se oficialmente ao palco, o luxemburguês com memória fresca do segundo lugar ali conquistado seis meses antes e agora integrado na estrutura KTM X-Bow da G Rally, terceiro vértice de um triângulo perfeito de pressão entre máquinas e filosofias técnicas distintas.

Em contraste, o paddock recebia a primeira baixa do dia: Dania Akeel, ao volante de um Taurus igual ao de Pinto, ficava fora de prova depois de dois dias seguidos a lutar com problemas mecânicos.

Foi na estrada que a narrativa explodiu. Num primeiro ponto intermédio, a diferença entre Porém e Pinto ainda se media em segundos, mas bastaram pouco mais de trinta quilómetros para o equilíbrio ruir. O Kaizen começava a perder tempo a olhos vistos, a desvantagem para o Taurus do português disparava para seis minutos e Pinto, que partira logo atrás, passava o rival na pista com a frieza de quem sente que chegou a sua oportunidade de mandar na classe. Quando o cronómetro voltava a falar, a ruptura era evidente: a diferença que era de segundos transformava-se em minutos sólidos, Pinto ficava a pouco mais de um minuto de tomar a liderança absoluta e Porém via a sua corrida mudar de cor.

A partir daí, a etapa parecia um lento desfiar de um domínio em ascensão. Entre dois pontos de controlo, a desvantagem de Porém quase duplicava, de seis para mais de onze minutos, o Kaizen a afundar-se numa espiral difícil de travar. Ao mesmo tempo, Munster emergia como ameaça real, sempre ali, a segundos de Pinto, pronto a aproveitar qualquer erro. Três carros diferentes ocupavam virtualmente o pódio de Challenger, prova viva de que a guerra não era apenas de pilotos, mas também de projetos técnicos.

Mas até o cronómetro tem as suas sombras. A meio da especial, o nome de Munster desaparecia misteriosamente das tabelas. Sabia-se apenas que tinha passado pelo quilómetro 175, em plena luta pela vitória, antes de se transformar em fantasma estatístico. Por alguns instantes, os resultados de Challenger tornavam-se um exercício de fé, com a sensação de que havia uma peça importante em falta no puzzle.

A incerteza só começou a dissipar-se já na fase final. Quando os tempos do luxemburguês voltaram a surgir, o quadro ficou claro: Munster continuava em pista, segundo na etapa, mas a mais de dois minutos de um alexandre Pinto com novo dia perfeito.

O português, com um Taurus agora preparado pela Odyssey Academy by BBR, consolidava o caminho para uma segunda vitória consecutiva, com margem suficiente para sonhar alto. Quando a poeira assentou, a confirmação chegou como recompensa lógica de tudo o que se tinha visto: Pinto encaixava mais um triunfo nos Challenger e, na maior surpresa do dia, saltava para a liderança absoluta da classe, enquanto Munster selava o segundo lugar e Porém ficava a contas com uma “má jornada no escritório” que lhe custava o comando do rali.

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