Foram dois dias com 1380 quilómetros sem o contato com a equipa e a assistência, que vão ficar nas minhas memórias para toda a vida.
A chegada à Bolívia foi inexplicável. Fomos recebidos calorosamente pelo presidente, Evo Morales, que decretou feriado nacional, e pelo povo boliviano. Ofereceram-nos um gorro típico da Bolívia e um colar de coca em folha. Folha essa que mastigam sistematicamente como forma de diminuírem os efeitos da altitude.
Dormimos num acampamento militar, em camaratas, e convivemos num ambiente diferente do habitual em prova. Assistir ao nascer do sol no Salar de Uyuni foi uma sensação única, seguida de uma partida em linha, num campo aberto de sal branco sem limite de largura, 138 quilómetros em linha reta, a alta velocidade.
Final da etapa a descer pela maior duna urbana do mundo com mais de um quilómetro de altura e quatro de extensão.
Hoje foi dia de descanso para pilotos e navegadores, mas de muito trabalho para mecânicos e engenheiros. A primeira parte do Dakar está feita. Marcada pela dureza das etapas, bem como as diferentes temperaturas a que estivemos sujeitos, colocando o homem e a máquina ao extremo.
Vamos fazer tudo para estar entre os dez primeiros, não fossem os problemas de suspensão estaríamos seguramente a discutir os seis primeiros. Mas o Dakar é isto mesmo, uma caixinha de surpresas até ao final. Ainda faltam cinco etapas e todas as categorias estão em aberto.
Paulo Fiúza









