Mesmo numa extensa lista de 235 competidores – dos quais mais de 55 por cento estarão aos comandos de uma KTM – não é difícil encontrar dois pilotos que reunem quase o consenso geral em termos de favoritismo. De um lado, o francês Cyril Desprès, duplo vencedor da prova em 2005 e 2007 e solitário representante do Team Red Bull KTM; do outro, o espanhol Marc Coma, vencedor em 2006 e chefe-de-fila da poderosa formação da KTM Repsol.
Adiado em 2008, o braço-de-ferro entre os dois grandes dominadores da categoria nas três últimas edições será agora retomado nas pistas da Argentina e do Chile, numa corrida que todos esperam tão ou mais emocionante que a de há dois anos, quando tudo se decidiu a apenas dois dias da chegada, após o infortúnio que se abateu sobre Marc Coma, o catalão que liderava destacado a classificação até cometer um erro de navegação e ser surpreendido por uma raiz, voando de encontro a uma árvore… e a caminho de casa. Mesmo sendo vítima de duas rupturas de caixa, Desprès voltou a ter o mérito de saber estar no sítio certo, à hora certa, repetindo o triunfo de 2005 no adeus à equipa Gauloises.
Motivado pelo recente triunfo no UAE Desert Challenge, Cyril Desprès, 34 anos, garante estar preparado para este novo desafio: “Fechar uma temporada a vencer é sempre um bom pronúncio, constituindo, além do mais, um excelente ‘warm-up’ para o próximo Dakar. De qualquer forma, tudo será diferente na América do Sul, a começar pelo tipo de terreno, muito mais variado que em África, e terminar na própria paisagem, com cenários verdadeiramente incríveis”. De resto, destaca ainda, “acresce outro dado novo, já que vamos rolar, pela primeira vez, em altitude, num esforço suplementar que obrigou a uma preparação física mais exigente. Mas estou optimista e a minha firme intenção é terminar a corrida no lugar cimeiro do pódio”.
Igualmente confiante mostra-se Marc Coma: “Será um novo e aliciante desafio correr na Argentina e Chile, paisagens que já conheço do Por las Pampas Rally. Para os românticos, numa será como em África, mas a dureza e tudo o que implica uma corrida no deserto manter-se-á, e isso é o mais importante. Pessoalmente, o objectivo é o mesmo de sempre: lutar pela vitória”.
“Outsiders” de luxo
À espreita de um qualquer deslize por parte dos dois principais favoritos estarão, entre outros, o espanhol Jordi Villadoms (KTM Repsol), o francês Alain Duclos (Kaestle KTM) e o próprio Hélder Rodrigues (Lagos Team), sem esquecer ainda o ambicioso Vectra Racing Team de David Casteau e Frans Verhoeven e alguns dos principais privados do pelotão, como o norueguês Pal Anders Ullevalseter ou o chileno Francisco Lopez.
Recordista de vitórias na prova (com nove triunfos), a Yamaha voltará a ter no francês David Frétigné o seu principal cabeça de cartaz e favorito à vitória na classificação reservada aos motores de 450cc, a par das Honda do Team Europe e das debutantes BMW do lusitano Team Bianchi Brata.













