Já lá vão 25 anos de carreira como piloto de todo-o-terreno, mas Elisabete Jacinto continua a manter-se no topo a nível internacional como a única mulher a participar em provas de todo-o-terreno, em camião.
Neste momento prepara a sua 10ª participação no Africa Eco Race, uma prova onde já teve muitas histórias, boas e más, para contar. Desde que o seu camião ardeu por completo no Dakar 2009, Elisabete Jacinto passou a optar pelo Africa Eco Race, evento que continua a merecer a sua confiança.
Teve altos e baixo, mas acima de tudo, experiências para a vida. Este ano celebra a sua 10ª presença nesta grande maratona africana, e mais uma vez tem a seu lado José Marques como navegador, e Marco Cochinho como mecânico, que competem no MAN TGS.
No camião de assistência MAN KAT, para além de Jorge Gil, coordenador da equipa e do mecânico Hélder Anjos, viaja um novo elemento, Sérgio Cardoso, responsável pela condução do camião de assistência.
Na próxima edição do Africa Race celebra 10 anos de participação nesta corrida. Como vai comemorar esta efeméride?
Fazendo a melhor corrida de sempre. Uma corrida que terá de ser inesquecível para toda a equipa.
Já tem no seu currículo 15 anos de corridas em camião onde alcançou vários resultados de excelência, como por exemplo a vitória alcançada, em 2013, no Rali de Marrocos ou a vitória na geral na sétima etapa do África Eco Race em 2012. O que ainda falta cumprir?
Falta-me ganhar o Africa Eco Race. De todos os lugares por onde andei, foi o único que nunca consegui. Não é fácil, mas é um sonho que gostava de realizar.
Qual é o principal objetivo para este Africa Eco Race?
Ganhar seria aquele sonho que me falta concretizar, classificar-me nos três primeiros é uma meta realizável que vou tentar conseguir este ano…
Tem estratégias definidas para alcançar as metas delineadas?
A minha estratégia tem-se mantido igual ao longo destes anos e consiste em fazer sempre o melhor. Preparar-me bem, garantir uma boa preparação do MAN TGS, fazer uma boa coordenação da equipa e acreditar que toda ela, tal como eu, está lá para fazer o seu melhor. Essa é a estratégia, que resulta quando a má sorte não nos bate à porta.

A sua equipa tem-se mantido estável com os seus companheiros José Marques e Marco Cochinho a partilharem a cabine do TGS consigo há seis anos. Qual é o segredo para se manter uma equipa coesa?
Em primeiro lugar é importante que cada um aceite o desafio e todas as consequências do envolvimento num projeto desta natureza. A tarefa é extremamente difícil para cada um de nós e, por isso, é importante que cada um esteja de corpo e alma no projeto e que a ambição de ter sucesso seja a principal motivação. Depois é importante manter uma boa sintonia entre os três, ou entre os quatro, já que o camião, embora não tenha vontade própria, também conta. Essa sintonia é o mais difícil de conseguir porque somos pessoas diferentes com personalidades e histórias de vida diferentes. A boa comunicação, a honestidade e a amizade que se foi criando entre nós reforçou muito o espírito de equipa, o que nos tem permitido ter sucesso dentro dos meios de que dispomos.
No MAN KAT viajam os elementos da equipa de assistência. Qual é a importância de se ter uma assistência própria?
Eu diria que não é possível ter sucesso sem ter uma boa assistência. São a parte invisível da equipa pois normalmente ninguém se lembra deles, nunca aparecem na fotografia ou nos jornais, mas são, sem dúvida, o nosso suporte. Estão lá para nos apoiar e defender nas mais variadas situações. Sei que quando a corrida começa estão concentrados em nós e prontos para o que for necessário. Por essa razão tem sido minha preocupação manter uma equipa de assistência estável onde as pessoas se conhecem, sabem estar
umas com as outras, sabem o que devem ou não fazer e conseguem ser tolerantes quando o cansaço e o stress começam a causar transtorno. Nestes meus 10 anos de Africa Eco Race estou profundamente grata à minha equipa pois eles têm sido a garantia do meu sucesso.
Os preparativos para uma competição como o Africa Eco Race começam meses antes da corrida arrancar. Quais são os principais pontos a ter em conta para um rali desta envergadura no que concerne à preparação?
A minha preparação física e a preparação mecânica do camião são os dois pontos principais. Depois há ainda toda a logística que nesta corrida é bastante elaborada e complicada. Estas duas pequenas frases incluem meses de muito trabalho, muita dedicação e empenho e muitas dores de cabeça, porque cada um destes aspetos implica um sem número de tarefas.
O que é mais difícil para si na preparação do Africa Eco Race?
De tudo o mais difícil é a parte humana. Ou seja, na gestão da equipa está a verdadeira dificuldade. Depois há aquele aspeto enigmático da má sorte, com o qual nos temos confrontado várias vezes ao longo destes 10 anos. Quero dizer que há momentos em que nos esforçamos muito para ir numa determinada direção e somos confrontados com todo o tipo de contrariedades sendo que, algumas delas, não têm lógica nem razão de ser, mas que nos impedem de atingir os nossos objetivos. Assim, no dia da partida para o Africa Eco Race, tenho a sensação de estar a iniciar um período de vida fácil, onde todos os problemas se acabam. Só tenho de conduzir, que é algo de que gosto muito. Nessa altura a minha vida é maravilhosa e sinto que valeu a penas todas as contrariedades vividas até ao momento.
Que preparativos foram feitos para este Africa Eco Race?
Intensifiquei a minha preparação física e acho mais uma vez que estou em forma. No camião conseguimos adaptar as jantes de alumínio, facto que nos vai permitir rolar com os pneus em baixa pressão o que pode ser uma grande ajuda na transposição da areia mole da Mauritânia. Optámos por uma outra marca de amortecedores uma vez que não conseguimos um bom resultado com a anterior. Estas são as duas grandes alterações que fizemos.
Qual é o segredo para se manter no mundo da competição durante tantos anos?
O segredo talvez esteja na minha grande vontade de me manter em competição, pelo facto de ter objetivos muito ambiciosos e difíceis de atingir. Tenho demorado bastante tempo a atingi-los exatamente por serem extremamente difíceis e porque dispomos de meios muito limitados. O meu progresso tem sido lento, mas muito sólido e consegui chegar ao topo da classificação dos camiões e ser uma candidata ao pódio nas várias corridas em que participo.













