Filipe Palmeiro: “A MINI teve azar, pois as etapas anuladas eram as que poderíamos ter vantagem”

Por a 26 Janeiro 2017 14:17

Filipe Palmeiro e Boric Garafulic não tiveram muita sorte neste Dakar, já que depois de terem subido paulatinamente na classificação ao longo da prova, preparavam-se para alcançar a melhor classificação de sempre de ambos, quando o diferencial e caixa do MINI JCW cedeu a uma etapa do fim…

Inglório é o mínimo que se pode dizer da prestação da dupla Boris Garafulic/Filipe Palmeiro, que realizaram um prova sempre em crescendo, sem quaisquer problemas, que terminou um dia mais cedo que o previsto. O diferencial do MINI começou a dar problemas, acabou por afetar também a caixa de velocidades, o que levou a equipa ao abandono: “Estava quase a ser um Dakar perfeito para nós, mas a um dia do fim tudo terminou”, começou por dizer Filipe Palmeiro, que gostou do traçado deste Dakar, exceção feita às longas ligações: “Em termos de corrida este foi o Dakar sul-americano mais interessante, tivemos bons percursos, mudanças de tipo de terreno, muita navegação, acho que o traçado foi bem escolhido. Mas a MINI teve um pouco de azar, pois as duas etapas anuladas eram aquelas em que poderíamos ter alguma vantagem,

pois foi nesse tipo de percurso que os Peugeot poderiam ter alguma fragilidade e isso teria feito diferença. Mas não foi assim, a meteorologia não se controla e o clima muito instável é o problema mais grave que a ASO está a enfrentar na América do Sul. As chuvas, quando surgem, são muito fortes. Para além disso as ligações longas afastam as pessoas, os profissionais estão preparados mas os amadores não querem ligações longas e a ASO tem que encontrar um meio termo. Este ano quase não tínhamos tempo para comer e dormir. São muitas horas dentro do carro e depois não havia tempo para nada. Em África os carros demoravam mais tempo a fazer as especiais mas as ligações eram mais curtas. Este ano não me lembro de um dia normal com tempo para fazer tudo e descansar, e tudo isso faz diferença”, começou por explicar Palmeiro.

A prova da dupla luso-chilena estava prestes a terminar com um resultado acima das expetativas, mas a sorte não quis assim: “Correu-nos praticamente tudo bem, houve um dia que tivemos um problema de navegação, mas nunca tivemos problemas mecânicos até à 11ª etapa. Nunca parar é o segredo do Dakar, e foi assim que fomos subindo, resistimos a tudo enquanto os outros iam tendo problemas. Os Peugeot estão fiáveis, os Toyota nem tanto, e nós tentámos com a nossa fiabilidade nunca parar. Foi pena aquele problema, ainda fomos rebocados por mais de 300 Km, mas chegámos à conclusão que não valia a pena. Desistimos com o 7º lugar e ficámos com o sentimento do dever cumprido”, disse.

ASO COMPLICA NAVEGAÇÃO

Uma das mudanças para este Dakar, ‘prometida’ logo na apresentação da prova, foi maiores dificuldades na navegação, e para além de alterações na forma como se ‘registam’ os waypoints, bem mais perto e sem setas indicadoras de direção, a ASO fez mais: “O que eles fizeram em duas ou três situações foi criar grandes dificuldades com a navegação, com situações que colocaram à prova a cabeça fria dos concorrentes. Por exemplo, num caso entrávamos num rio seco com o CAP (direção) praticamente certo, mas no road book não indicavam que logo ali ao lado, a 50 metros, havia outro, e esse é que era o correto. No desenho não referiam que havia dois rios e isso era propositado

para dificultar esse WP em específico. Praticamente todos se perderam e o objetivo era mesmo esse”, explicou Palmeiro. Já, por exemplo, houve um caso em que uma seta estava mal desenhada no road book, mas nesse caso Palmeiro não foi surpreendido, como foram, por exemplo, Mikko Hirvonen e Michel Périn: “Era preciso estar com tudo muito certo para saber a direção, mas nessa aí acertámos”, finalizando com uma história deliciosa: “Tínhamos uma neutralização a meio duma etapa, que era o local de maior altitude onde passávamos de maior altitude. Atrasámos-nos um bocadinho no início da ligação e não esperávamos que o traçado fosse tão lento e difícil. Começámos a fazer contas e estávamos no limite de tempo, e por isso, na passagem aos 5.000 metros, juntámos a altitude com o stress dentro do carro. Associámos a falta de ar que havia à falta de tempo, e quase em ritmo de corrida foi por os capacetes, preparar tudo a andar depressa e chegámos ao início da especial comigo a segurar o volante e o Boris (Garafulic) a colocar a balaclava e o capacete e com tudo isso chegámos no exato segundo em que tínhamos que partir. Não deu tempo para nada…” contou Felipe Palmeiro.

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