Há 60 anos, o Rali das Camélias abriu uma estrada nova na história do automobilismo português. Desde então, entre a regularidade dos primeiros tempos e a velocidade crua das provas especiais, o Campeonato de Portugal de Ralis foi-se tornando um retrato fiel de seis décadas de paixão, mudança e resistência nas estradas do país.
A próxima deslocação à Pérola do Atlântico para o Rali Vinho Madeira assinala a 564ª prova da competição, cuja jornada inaugural remonta a 1966, com o Rali das Camélias, organizado pelo Clube Arte e Sport. Mas a história começou muito antes, em 1902, com a primeira corrida em circuito fechado, no Hipódromo de Belém. Foi, ainda assim, nas estradas abertas que o automobilismo português encontrou o seu verdadeiro pulso.
Dos percursos de regularidade à competição pura
Nos anos 30, os ralis afirmaram-se como alternativa às corridas em circuito, menos dispendiosas e mais simples de organizar. A fórmula era outra: automóveis de utilização quotidiana, médias horárias entre os 40 e os 50 km/h e, para desempatar os mais certinhos, provas complementares de perícia, como aceleração, marcha-atrás ou slalom. Durante 25 anos, os ralis portugueses seguiram esse modelo, num tempo em que competir era quase um prolongamento natural da estrada.
Os carros eram estritamente de série e o desporto tinha um lado profundamente popular. Com qualquer automóvel do dia a dia, podia disputar-se uma das grandes provas nacionais, como a Volta a Portugal ou o Rali Internacional do ACP. Era outro mundo, mas já com a mesma entrega de sempre.
A revolução dos anos 50 e 60
A mudança de figurino começou a ganhar forma na década de 50, com Carlos Fonseca e Heitor de Morais a empurrarem os ralis para um novo patamar. O Rali de Montanha de 1952 abriu caminho; a Volta a Portugal de 1963 consolidou a transformação. Os ralis deixaram de ser meros passeios de regularidade e passaram a decidir-se na estrada, onde já não bastava “fazer tudo a zero”.
Foi também então que surgiram as Provas Especiais de Classificação, solução que viria a definir o rali moderno. Em estradas fechadas ao tráfego, com tempos a somar no fim, nascia uma nova lógica competitiva — mais exigente, mais direta, mais próxima da essência atual da modalidade.
Um campeonato com memória
A aprovação dessa evolução alargou a competitividade e a popularidade dos ralis em Portugal. Em 1966, a então Comissão Desportiva Nacional dividiu o Campeonato Nacional de Condutor Completo em Ralis, Velocidade e Regularidade. O primeiro campeonato de ralis teve oito provas, abriu no Rali das Camélias, em Sintra, e consagrou o Austin Cooper S de Manuel Lopes Gião.
Desde então, mais de duas dezenas de clubes ajudaram a escrever esta história. Entre eles, alguns já desaparecidos do desporto automóvel, como o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal. No total, 564 provas já contaram para o Nacional da especialidade. No final de 2026, serão 568, agora sob a designação Campeonato de Portugal de Ralis. Nos próximos meses e até ao fim do ano, daremos à ‘estampa’ mais artigos sobre a história do Nacional de Ralis/CPR, para ‘comemorar’ esta efeméride das 60 ‘primaveras’.
Palmarés do CPR
2025 Dani Sordo Hyundai i20 N Rally2
2024 Kris Meeke Hyundai i20 N Rally2
2023 Ricardo Teodósio Hyundai i20 N Rally2
2022 Armindo Araújo Škoda Fabia Rally2 evo
2021 Ricardo Teodósio Škoda Fabia Rally2 evo
2020 Armindo Araújo Škoda Fabia Rally2 evo
2019 Ricardo Teodósio Škoda Fabia R5
2018 Armindo Araújo Hyundai i20 R5
2017 Carlos Vieira Citroën DS3 R5
2016 José Pedro Fontes Citroën DS3 R5
2015 José Pedro Fontes Citroën DS3 R5
2014 Pedro Meireles Škoda Fabia S2000
2013 Ricardo Moura Škoda Fabia S2000
2012 Ricardo Moura Mitsubishi Lancer Evo IX
2011 Ricardo Moura Mitsubishi Lancer Evo IX
2010 Bernardo Sousa Ford Fiesta S2000
2009 Bruno Magalhães Peugeot 207 S2000
2008 Bruno Magalhães Peugeot 207 S2000
2007 Bruno Magalhães Peugeot 207 S2000
2006 Armindo Araújo Mitsubishi Lancer Evo IX
2005 Armindo Araújo Mitsubishi Lancer Evo VIII MR
2004 Armindo Araújo Citroën Saxo Kit Car
2003 Armindo Araújo Citroën Saxo Kit Car
2002 Miguel Campos Peugeot 206 WRC
2001 Adruzilo Lopes Peugeot 206 WRC
2000 Pedro Matos Chaves Toyota Corolla WRC
1999 Pedro Matos Chaves Toyota Corolla WRC
1998 Adruzilo Lopes Peugeot 306 Maxi
1997 Adruzilo Lopes Peugeot 306 Maxi
1996 Fernando Peres Ford Escort RS Cosworth
1995 Fernando Peres Ford Escort RS Cosworth
1994 Fernando Peres Ford Escort RS Cosworth
1993 Jorge Bica Lancia Delta HF Integrale
1992 Joaquim Santos Toyota Celica GT-4 (ST165)
1991 Carlos Bica Lancia Delta Integrale 16V
1990 Carlos Bica Lancia Delta HF 4WD
1989 Carlos Bica Lancia Delta HF 4WD
1988 Carlos Bica Lancia Delta HF 4WD
1987 Amaral Inverno Renault 11 Turbo
1986 Joaquim Moutinho Renault 5 Turbo Tour de Corse
1985 Joaquim Moutinho Renault 5 Turbo Tour de Corse
1984 Joaquim Santos Ford Escort RS 1800 MKII
1983 Joaquim Santos Ford Escort RS 1800 MKII
1982 Joaquim Santos Ford Escort RS 1800 MKII
1981 Mendes Santinho Datsun Violet 160J
1980 Mendes Santinho Datsun Violet 160J
1979 José Pedro Borges Opel Kadett GT/E
1978 Carlos Torres Ford Escort RS 2000 MKII
1977 Giovanni Salvi Ford Escort RS 2000 MKI
1976 António Diegues Opel 1904 SR
1975 Manuel Inácio Opel 1904 SR
1973 Não se realizou
1972 Não se realizou
1971 Não se realizou
1970 Não se realizou
1969 Não se realizou
1968 Américo Nunes Porsche 911 S
1967 Américo Nunes Porsche 911 S
1966 Manuel Gião Lopes Austin Cooper S
Número de títulos absolutos
Armindo Araújo 7× 2003 2004 2005 2006 2018 2020 2022
Carlos Bica 4× 1988 1989 1990 1991
Joaquim Santos 4× 1982 1983 1984 1992
Adruzilo Lopes 3× 1997 1998 2001
Bruno Magalhães 3× 2007 2008 2009
Ricardo Moura 3× 2011 2012 2013
Fernando Peres 3× 1994 1995 1996
Ricardo Teodósio 3× 2019 2021 2023
José Pedro Fontes 2× 2015 2016
Pedro Matos Chaves 2× 1999 2000
Joaquim Moutinho 2× 1985 1986
Américo Nunes 2× 1967 1968
Santinho Mendes 2× 1980 1981
Jorge Bica 1× 1993
José Pedro Borges 1× 1979
Miguel Campos 1× 2002
António Diegues 1× 1976
Manuel Inácio 1× 1975
Inverno Amaral 1× 1987
Manuel Gião Lopes 1× 1966
Kris Meeke 1× 2024
Pedro Meireles 1× 2014
Giovanni Salvi 1× 1977
Bernardo Sousa 1× 2010
Carlos Torres 1× 1978
Carlos Vieira 1× 2017
Dani Sordo 1x 2025







