A primeira etapa do Dakar revelou-se um verdadeiro teste de resistência e estratégia para as equipas portuguesas, com um misto de cautela, contratempos e desempenhos promissores. Enquanto alguns optaram por um ritmo equilibrado, outros enfrentaram furos e penalizações, marcando um início desafiante na exigente prova.

Desempenho dos Portugueses na 1ª Etapa do Dakar
João Ferreira e Filipe Palmeiro (Toyota Hilux IMT Evo) concluíram a primeira etapa na 14.ª posição, adotando uma abordagem conservadora. A dupla descreveu a etapa como “longa e exigente na navegação”, onde a ordem na pista os levou a “perder tempo ao ultrapassar pilotos mais lentos”. Optaram por um “ritmo equilibrado”, acreditando que a posição alcançada “pode tornar-se uma vantagem, porque a posição de partida será mais favorável para definir o ritmo da etapa” no dia seguinte.
Maria Gameiro e Rosa Romero (Mini JCW Rally 3.0d) enfrentaram um dia particularmente complicado, terminando na 100.ª posição da geral. Maria Gameiro relatou: “Foi um dia duro. Ao fim de seis quilómetros já tínhamos um furo. Com o calor, a Rosa não se sentia bem, por isso tive de abrandar. Mais tarde tivemos outro problema de pneus e ainda ficámos presas na areia. Depois disso, andámos sempre em pó. Mas chegámos ao fim”, sublinhando o caráter de sobrevivência típico de uma etapa de abertura do Dakar.

Challenger e SSV com início promissor
Nos Challenger, os representantes lusos tiveram um bom começo no Dakar. Rui Carneiro e Fausto Mota (MMP T3 Rally Raid) garantiram a 10.ª posição, enquanto Pedro Gonçalves e Hugo Magalhães (Taurus T3 Max) ficaram em 12.º lugar.
Na categoria dos SSV, as principais duplas portuguesas demonstraram desde logo uma forte competitividade. Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira (Polaris RZR Pro R Sport) destacaram-se com um segundo lugar. Alexandre Pinto afirmou: “Foi uma etapa ‘limpinha’ para nós e sem problemas. Era fácil de danificar o carro, havia muita pedra e exigia muita atenção. Imprimimos um ritmo conservador, mas isto foi apenas o início.”
Gonçalo Guerreiro e Maykel Justo (Polaris RZR Pro R) alcançaram a quinta posição. “Primeira etapa difícil desde os primeiros quilómetros, com terreno rochoso durante todo o percurso. Infelizmente, sofremos um furo que nos custou algum tempo, mas no geral foi um dia muito positivo, com um ritmo forte e consistente”, partilhou Gonçalo Guerreiro.

Outras duplas portuguesas nos SSV incluíram João Monteiro e Nuno Morais (BRP Can-Am Maverick R) em 12.º, Hélder Rodrigues e Gonçalo Reis (Polaris RZR Pro R Sport) em 22.º, e João Dias e Daniel Jordão (Polaris RZR Pro R Sport) em 16.º. Esta última dupla sofreu uma penalização de 15 minutos por falhar um controlo de velocidade. João Dias comentou: “Foi um dia com estrada muito boa, muitos caminhos, mas ultrapassar era difícil. Tivemos que arriscar sempre um pouco mais na zona das pedras, que é onde os camiões perdem mais tempo para nós, mas conseguíamos evitar furos. Nesse aspeto, um dia limpo, mas no final, uma distração e acabámos por entrar numa zona de controlo de velocidade, excedemos o limite e fomos penalizados. É pena essa penalização porque queríamos uma melhor posição na estrada amanhã.”

Bruno Martins e Eurico Adão (Polaris RZR Pro R Sport) também enfrentaram problemas, resultando em penalizações significativas: “Partimos a caixa de velocidades e fomos rebocados por um camião de assistência por mais de 100km. A equipa veio em nosso auxilio e estamos a caminho do bivouac, confiantes que amanhã será bem melhor”

Na categoria dos Camiões, a dupla composta por Vaidotas Zala, Paulo Fiuza e Max Van Grol (Iveco Powerstar/Zala Team De Rooy FPT) terminou em quarto lugar, a 7m32s do líder, após uma penalização de dois minutos. Sem esta penalização, teriam garantido a terceira posição da etapa.
A primeira etapa do Dakar é frequentemente um barómetro da dureza da prova, com a navegação complexa e as condições do terreno a testarem a perícia e a resistência das equipas desde o início. A estratégia de gestão de pneus, a capacidade de recuperação de contratempos e a adaptação às condições em constante mudança são fatores críticos para o sucesso nas etapas seguintes, onde a acumulação de pequenos erros pode ter um impacto significativo na classificação geral.












