Dakar 2022: As melhores histórias
Durante o Dakar acontece sempre muita coisa paralela à competição e é isso que vamos congregar aqui, no mesmo artigo, as melhores histórias do Dakar 2022. E já temos muito para contar…

Dakar: Giniel de Villiers ‘metido’ noutra confusão
Pelos vistos, Giniel de Villiers ‘meteu-se’ noutra confusão. O motard #163, Mohaedsaid Aoulad Ali, queixou-se à organização que ficou atascado após o topo de uma duna durante o sector seletivo da etapa 2, passados cerca de 180 quilómetros na tirada.
Nessa altura, quando se preparava para levantar a sua moto ouviu um carro a chegar e afastou-se. O carro atravessou o topo da duna e passou por cima da moto alegadamente causando grandes danos mecânicos.
O piloto revelou não ter conseguido ler o número do carro, que não terá parado, fazendo apenas um ‘loop’ para avaliar visualmente a situação.
Posteriormente veio a determinar-se que o piloto em questão era o concorrente #207, Giniel de Villiers, que curiosamente já tinha estado envolvido numa colisão do mesmo tipo no dia anterior. O Júri encaminhou o processo para o Colégio de Comissários Desportivos. O sul africano da Toyota, caso na análise da situação se conclua que houve mau procedimento, pode penalizar de novo o concorrente, sendo que resta saber o que resulta da investigação que está a ser feita.

Dakar: Audi não protesta alegado “road book errado”
A primeira etapa do Dakar ficou desde logo marcada por muita polémica com a navegação. Carlos Sainz, piloto da Audi, foi o piloto que mais se insurgiu, e o que mais perdeu, também, ao ceder mais de duas horas. Arrasou a ASO, de quem diz ser uma vergonha criar condições para que no segundo dia de prova tanta gente se perca num waypoint, que deixou no ar ter sido mal marcado… propositadamente. “Devemos ser todos muito estúpidos”, disse.
David Castera, diretor de Prova disse que “era uma nota muito simples, eles tinham que ‘seguir a pista principal’ e foi aí que muitos se enganaram (…) mas é sempre assim, uns acertaram outros não (…) era igual para todos. A nota não estava errada, quanto muito não era suficientemente clara”, disse Castera.
Na altura, a Audi deixou no ar a hipótese de protestar, alegando erro de road book, na tentativa de ser devolvido a quem perdeu, o tempo que lá ‘deixaram’, mas a Audi já decidiu que não vai recorrer, embora insista que o road book não estava correto.
O Audi tinha 24 horas a partir da publicação oficial dos resultados da Etapa 1, pois a equipa não sentiu que tivesse um ‘caso’ forte para protestar.

Dakar: Giniel de Villiers penalizado por incidente com motard
Giniel de Villiers, piloto da Toyota e um motard chileno envolveram-se num incidente na 1ª etapa do Dakar, que resultou na queda do motard. Um vídeo do incidente chegou às redes sociais e posteriormente ao júri da FIM, que alertou o seu congénere da FIA, que abriu um inquérito ao incidente.
Tudo se passou entre o motociclista #160, Zumaran Cesar (Chile) e o piloto do carro #207 conduzido por Giniel de Villiers (África do Sul). O Júri entrevistou ambas as partes, de Villiers reconheceu os factos e disse que tinha atestado a saúde do motociclista, alegando que pediu desculpa.
O piloto da moto lamentou que o piloto não se tivesse preocupado mais com a sua situação e não aceitou as desculpas de de Villiers. Pediu também que o assunto fosse encaminhado para o Colégio de Comissários. Consequentemente, o Júri transmitiu esse relatório ao Colégio de Comissários da FIA que analisou e decidiu o caso, juntando a isso o documento em vídeo que mostra bem o que se passou.
Os Comissários, perceberam que de Villiers, numa passagem estreita deu um toque na moto por trás, o motard caiu quase à frente do carro, e após breves momentos o piloto do Toyota prosseguiu sem ter oferecido qualquer ajuda ao piloto da moto.
E isso é uma ofensa, uma violação do Artigo 48.5 do Regulamento Desportivo do Cross Country e decidiu penalizar o piloto em 5 minutos.
De Villliers foi convocado para apresentar a sua defesa e explicou que era uma secção de estreita com areia e rochas. “Eu ia devagar e vi o motard de pé do lado esquerdo. Como havia uma rocha na areia tinha sido empurrado na direção do motard e bati-lhe e ele caiu. Recuei, enquanto o motard se levantava, e acenava com o braço, o que para mim foi um sinal que ele estava bem, e eu podia passar. Passei a moto e não queria parar novamente, pois o piso tinha muita areia e tinha receio de ficar preso”, disse.
Os Comissários concluíram que a equipa não tomou os cuidados necessários e não prestou qualquer ajuda: “se uma tripulação estiver envolvida num acidente em que uma pessoa que não é membro da tripulação sofra lesões físicas, o veículo deve parar imediatamente. E o procedimento previsto no artigo 48.4.2 deve ser seguido” escreveram os Comissários.
Mesmo tendo o condutor feito um gesto mostrando à tripulação para passar, esta teria obrigação de parar e confirmar que o piloto não estava ferido. Felizmente, o motard não ficou ferido. Sendo interrogado pelo Júri da FIM, o motard não ficou satisfeito com o comportamento da tripulação do carro #207.
Os Comissários consideram o comportamento da tripulação como uma infração ao regulamento e decidiram que a penalização adequada seria uma penalização de tempo. cinco minutos foi a pena.

Dakar: Nasser Al-Attiyah foi multado em 5.000 euros
O líder do Dakar, Nasser Al-Attiyah foi multado em 5.000 euros por violação de regras, tendo igualmente sido aplicada uma pena suspensa de desclassificação por não ter ligado o ‘Data Logger’ do seu Toyota. O piloto chegou ao final da etapa de de segunda-feira com a ‘caixa negra’ desligada, e isso é obrigatório. Foi a própria equipa que alertou a FIA, pois só isso aponta de imediato para desleixo e não dolo. Ou seja, não foi de propósito. Seja como for, é com esse ‘Data Logger’ que a FIA examina se , por exemplo, foi excedida a pressão do turbo do motor, pois isso pode fazer a diferença entre ganhar e perder.
Resumidamente, a Toyota safou-se de desclassificação (se fosse a FIA a descobrir, provavelmente era esse o resultado) mas com a pena suspensa, nenhum erro semelhante será tolerado.

Dakar: O waypoint da polémica: “erros, sim, mas tanta gente ao mesmo tempo mostra algo diferente”
Já se calculava que a navegação fosse algo a ter muito em conta neste Dakar. David Castera tem, ao longo dos últimos dois anos, avisado para essa situação e pelos vistos para a edição deste ano, nem esperou muito para ‘abrir o livro’. A Audi, foi a grande vítima, com Carlos Sainz a perder mais de duas horas e Mattias Ekstrom a ceder 1h45m.
A cerca de 70 km da meta, vários pilotos se perderam, e em dado ponto havia vários veículos que se cruzavam em direções opostas.
Nani Roma (BRX) revelou quase ter batido de frente em Carlos Sainz (Audi) num topo duma duna e segundo o Autosport inglês, havia uma indicação após uma bifurcação era referido no road book que os concorrentes deviam seguir 10 graus à esquerda pela pista principal, e foi aqui que muita gente se enganou. David Castera, diretor de Prova disse ao Autosport inglês que “era uma nota muito simples, eles tinham que ‘seguir a pista principal’ e foi aí que muitos se enganaram porque a pista principal virou em direcções diferentes e isto levou à confusão. Mas é sempre assim, uns acertaram outros não, e a nota, sendo verdade que era complicada, era igual para todos. A nota não estava errada, quanto muito não era suficientemente clara”, disse Castera.
Muita gente, mesmo navegadores muito experientes asseguraram que a nota ia muito para lá do “pouco claro”. Pelos vistos o que referia 10 graus, passou rapidamente para 300 graus, e apesar dos 10 graus serem corretos (quem se manteve aí acertou) em determinado ponto era impossível saber qual era o caminho certo pois havia muitas possibilidades.
É que quem faz o road book, só tem as suas marcas e no dia da competição pode haver dezenas, o que leva a más interpretações. Resumidamente, todos aceitam navegação difícil, mas quando o road book é dúbio e tanta gente se perde, algo está errado pois não é normal tanta gente se enganar. Isso indicia que houve algo de errado, que ‘enganou’ tanta gente.

Carlos Sainz muito zangado: “Se é isto que o Dakar quer, é uma vergonha”
Em declarações ao jornal espanhol, a Marca, Carlos Sainz, piloto da Audi, que hoje perdeu mais de duas horas devido a se ter perdido na especial, arrasou a ASO, de quem diz ser uma vergonha criar condições para que no segundo dia de prova tanta gente se perca num waypoint, que deixa no ar ter sido mal marcado… propositadamente: “Ou somos todos muito estúpidos ou algo aconteceu ali”, começou por dizer: “Pensámos que estávamos errados e andámos para trás e para a frente várias vezes. Havia inúmeros carros, motos e quads a fazer a mesma coisa. Não fomos capazes, nós e muitos outros, não compreendemos o que estava a acontecer. Quantas pessoas se perderam ali? Devemos ser todos muito estúpidos. Estou muito desapontado. Se é assim que o Dakar quer fazer, no segundo dia da corrida, acontecer isto, é uma pena”, disse, ao jornal a Marca.

Dakar: Em dois dias, a corrida dos Audi RSQ e-Tron ‘acabou’…
Mattias Ekstrom/Emil Bergkvist (Audi RSQ e-Tron/Team Audi Sport) são 38º a hora e meia da frente, Carlos Sainz/Lucas Cruz (Audi RSQ e-Tron/Team Audi Sport) estavam a andar bem, mantinham-se classificados no top 10 até ao km 239, mas desde aí perderam imenso tempo, e já cederam mais de duas horas. Perderam-se, e segundo Sainz revelou no final, estiveram longe de ser os únicos. foram vários os concorrentes que se perderam à procura daquele waypoint específico e Sainz não fez a ‘coisa’ por menos: “Pensámos que estávamos errados e andámos para trás e para a frente várias vezes. Havia inúmeros carros, motos e quads a fazer a mesma coisa. Não fomos capazes, nós e muitos outros, não compreendemos o que estava a acontecer. Quantas pessoas se perderam ali? Devemos ser todos muito estúpidos. Estou muito desapontado. Se é assim que o Dakar o quer fazer, no segundo dia da corrida, acontecer isto, é uma pena”, disse, ao jornal a Marca.
Stéphane Peterhansel/Edouard Boulanger (Audi RSQ e-Tron/Team Audi Sport), baterem, arrancaram a suspensão traseira e tiveram que esperar pela assistência para ser rebocados para o bivouac.
Em menos de dois dias, as esperanças da Audi vencer o Dakar com a sua nova tecnologia inovadora, esfumaram-se. Em condições normais, é quase impossível ver um Audi no topo da classificação geral no dia 14 de janeiro.

Dakar em alerta devido a explosão num carro de apoio
Já lá vai o tempo em que o Dakar foi várias vezes assolado por atentados terroristas, há, infelizmente demasiados exemplos, e ainda hoje há quem pense que o Dakar 2008 foi cancelado devido a ameaças terroristas. Pelo menos foi essa a justificação oficial.
Desta feita, na Arábia Saudita, um carro de apoio explodiu com seis pessoas lá dentro e uma delas, o piloto, Philippe Boutron, ficou ferido, tendo que ser hospitalizado, devido a ferimentos graves numa perna. Sabe-se que a explosão não se deveu a algum mau funcionamento do carro, e embora a ASO e as autoridades não o admitam sem investigação, terá sido um engenho explosivo lá colocado, pelo que foi reforçada a segurança de toda a caravana do Dakar. A FIA já se pronunciou: “A FIA confia nas autoridades locais para chegar ao fundo do que aconteceu e continuar a garantir a segurança da corrida em ligação com os organizadores”.

Dakar: Nasser Al-Attiyah ‘empresta’ Toyota Hilux vencedora à Rebellion
Todos vimos as imagens do Rebellion de Alexander Pesci que ardeu no shakedown. Todos pensaram, inclusive a equipa que era ‘game over’, mas afinal não, pois pelos vistos, surgir um Príncipe Encantado chamado Nasser al Attiyah, que vai emprestar a Toyota Hilux com que venceu o Dakar 2019, e que é sua – foi-lhe oferecida pela Toyota Gazoo Racing – para ser utilizada por quem viu o seu carro consumido pelas chamas. “Ele é um verdadeiro Príncipe”, disse um membro da equipa francesa Rebellion relativamente ao gesto de Nasser Al-Attiyah.
Alexander Pesci, proprietário da Rebellion Timpieces, um relojoeiro de prestígio, assistiu impotente enquanto o seu protótipo DXX se incendiava no shakedown, mas Nasser Al-Attiyah ajuda: “o seu carro ardeu mas ofereci-lhes o meu para que pudessem partir. É um carro muito especial para mim, é o vencedor de 2019, mas penso que temos de dar a todos os concorrentes a opção de competir”, disse al Attiyah à Marca. O carro que agora vai ser ‘Rebellion’, irá um dia para o Museu de al Attiyah. Como se sabe, é o único modelo Toyota a ganhar o Dakar… até agora.
De qualquer forma, será Romain Dumas a guiar a Hilux, enquanto Pesci fica com o Rebellion com que Dumas iria correr. Tudo está bem quando acaba bem…

Dakar: Patrão da Rebellion fora depois de incêndio no carro
Ainda durante o shakedown do Dakar 2022, Alexandre Pesci ficou fora de prova, depois do protótipo RD Limited DXX que iria pilotar no terceiro rali se incendiar e ser totalmente destruído.
Pesci e Stephan Khuni, o seu navegador, não sofreram qualquer lesão, mas são os primeiros pilotos a abandonar o Dakar sem estar relacionado com a Covid-19.
A Rebellion vai apresentar apenas um carro para o prólogo de amanhã, que será tripulado por Romain Dumas e Remi Boulanger.

Oreca constrói híbrido para o Dakar 2023
Numa parceria com a SMG, de Philippe Gache, a Oreca está a construir um protótipo híbrido para competir no Rally Dakar em 2023, acompanhando dessa forma o seu programa de transição energética da ASO. A ideia passa por desenvolver um carro híbrido que consuma metade do que um veículo térmico, como um T1. Deve estar pronto em abril do próximo ano: “O objetivo passa por dar uma resposta, a curto e médio prazo, a todos estes clientes que queiram participar no Dakar dessa forma. As principais disciplinas do desporto motorizado utilizam híbridos. No TT é preciso haver uma solução híbrida para estas distâncias”. A ideia é simples: motor de combustão standard, e um sistema híbrido, com uma unidade de recuperação de energia MGU, que a equipa acredita poder reduzir as emissões para metade.
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Fast Turtle
1 Janeiro, 2022 at 12:52
Artigo publicado já em 2022.
Dizem que a Oreca construí um carro para competir em 2023 mas no entanto dizem que o carro deverá estar pronto em Abril do próximo ano.
Em que ficamos então?
Fast Turtle
2 Janeiro, 2022 at 18:32
Actualiza se a notícia e os erros ficam…
É esta a consideracao pelos leitores??