Carlos Sousa: “Foi um dia que poderia ter sido muito bom, mas sabemos que falhámos um waypoint na parte final do percurso…”

Por a 13 Janeiro 2015 21:51

A tradição cumpriu-se. No reatar da competição após a jornada de descanso, em Iquique, a organização do Dakar brindou os concorrentes da categoria automóvel com uma longa e duríssima especial até Calama, no Chile, num total de 450 km cronometrados.

Na etapa que marcou a despedida do Atacama e que terá, tudo indica, decidido o vencedor desta edição (Attiyah ganhou muito tempo a de Villiers), o dia começou com areia e dunas, mas rapidamente evoluiu para caminhos estreitos e bem mais tortuosos, com muita pedra, saltos, vento e fesh-fesh, até ao estonteante ponto de chegada, colocado a mais de 3.200 metros de altitude.

No dia em que se verificaram as maiores diferenças na frente da corrida automóvel, a extrema regularidade e espírito de sacrifício de Carlos Sousa e Paulo Fiúza vieram de novo ao de cima, com a dupla portuguesa a conseguir dar mais um pulo na classificação, passando do 9º para o 7º lugar na geral – precisamente o objetivo que definiram para este Dakar 2015. De resto, e face aos cerca de 18m ganhos hoje ao francês Christian Lavieille, o 6º posto está agora a apenas… 2m de diferença.

Porém, uma importante dúvida persiste ainda em relação ao escalonamento final desta etapa e da própria classificação geral, já que a grande maioria dos concorrentes não terá conseguido descobrir o Way Point 9, a sensivelmente 150 km do final da especial. De acordo com o site oficial do Dakar, que acompanha o evoluir da corrida em tempo real, apenas nove equipas terão efetivamente passado neste ponto. Se tal se confirmar, há muitas penalizações a atribuir no final do dia.

Carlos Sousa poderá um desses pilotos, embora a confirmar-se esta teoria – de que muitos outros concorrentes também falharam o WP9 –, o português poderá vir a manter o 7º lugar da geral: “Foi um dia que poderia ter sido muito bom, mas que acaba com este sentimento de frustração, porque sabemos que falhámos um Way Point na parte final do percurso. Também sabemos que não fomos os únicos, pelo que é difícil saber qual o balanço que podemos fazer deste dia…”, afirmou Carlos Sousa.

“Foi talvez o dia em que andámos mais forte. Arriscámos tudo e as coisas pareciam estar a correr muito bem. Tínhamos já ultrapassado vários carros na estrada e seguíamos praticamente isolados, até que o Paulo (Fiuza) levantou a dúvida relativamente a um WP que teríamos falhado uns quilómetros mais atrás. Não arriscámos e voltámos atrás, andando mais de 20 km para trás e para a frente, no meio de vários carros e motas que também estavam perdidos, à procura do mesmo Way Point. Teoricamente, incorremos numa penalização de 40m, o que é bastante tempo. A dúvida agora é mesmo saber que outros pilotos também virão a ser penalizados e qual será a nossa posição no final do dia”, explicou o piloto português, hoje 16º na especial.

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