A Madeira recebe os ralis como quem abre a porta de casa num serão de verão: luz quente sobre o Atlântico, troços a rasgar a encosta e um público que transforma cada curva em anfiteatro, cada passagem em ovação. É nesse cenário – meio postal, meio prova de resistência – que João Rodrigues descobre um “rali de sonho” e se coloca frente a frente com a própria ambição.
João Rodrigues, piloto de Mafra e referência nas Duas Rodas Motrizes, chegou à Madeira com um registo clínico de campeonato: três vitórias em quatro provas, um contratempo mecânico na Aboboreira e depois, uma sequência de triunfos que o empurra para a liderança destacada. Nesta entrevista pós-rali, fala do equilíbrio entre risco e cabeça, da estreia em classificativas que considera “lindas”, da energia de um público “fora do normal” e das contas ainda abertas de um campeonato que está apenas a meio. Ao longo da conversa, o leitor encontra um piloto em plena fase de afirmação, entre o pragmatismo de quem soma pontos e o brilho de quem ainda olha para cada rali como um sonho que vale a pena perseguir.

Que balanço fazes da prova?
“O balanço é muito positivo. Nós vínhamos com a com a missão de fazer aqui um bom resultado e uma boa prestação para o campeonato. E não esperávamos estar tão perto da vitória. Claro que tem de ser essa ambição e toda a gente sabe que eu quando corro é para tentar ganhar. Mas se tivesse que correr algum risco para que isso fosse possível, não iria correr o risco. Portanto, andamos com uma toada forte, mas com alguma cabeça para que nada pudesse acontecer. E correu tudo muito bem. Conseguimos destacarmo-nos ali um pouco, ganhamos alguma margem e depois ficamos confortáveis, e conseguimos gerir um pouco o rali. Chegamos ao fim e na PowerStage ainda tentei ganhar, mas não queria correr riscos. Portanto, viemos com um ‘passo’ forte, mas sem deitar por terra tudo o que tínhamos feito até ali. Portanto, é um balanço muito positivo, o rali é espetacular, as classificativas são são lindas.”
Foi uma estreia, o que achaste do rali, dos troços e do ambiente?
“O público é qualquer coisa fora do normal. É um rali de sonho. Para nós, para a equipa, para todos que estão a ver. Acho que isto é mesmo uma coisa fora da caixa”.
Como estão agora as perspectivas do campeonato?
As perspetivas são boas, mas ainda falta bastante! Temos que seguir o caminho de prova a prova para para somar os pontos suficientes para sermos campeões, mas isso, e como diz um amigo meu, quando é a próxima? Portanto, temos que esperar pela próxima, para ver o que é que o que é que vai dar…”









