Apesar de ser uma das equipas históricas do Mundial de Ralis, a M-Sport está longe de ser uma formação de fábrica e não dispõe dos recursos e orçamento das rivais Hyundai, Citroën e, em menor medida, Toyota. Quando a Volkswagen iniciou o seu programa no WRC falava-se que o orçamento da marca alemã para os ralis rondava os 100 milhões de euros/ano, mas a realidade é que um grande construtor pode ir além do orçamento estipulado inicialmente (caso necessário), além de dispor de recursos técnicos e sinergias que simplesmente não estão ao alcance de uma equipa privada, mesmo com a ligação que a M-Sport ainda tem com a Ford.
É neste contexto que a tarefa de Sébastien Ogier assume enorme significado. O francês vai tentar bater os ‘gigantes’ e entrar para o restrito lote de campeões do Mundo com duas marcas diferentes (Röhrl e Kankkunen). Além da pressão que tem feito sobre Malcolm Wilson para que a M-Sport continue a evoluir o Fiesta WRC (cujo desenvolvimento não teve intervenção de Ogier), há outros aspetos mais práticos onde se nota a sensibilidade praticamente única do tetracampeão. No teste da M-Sport em Cerveira antes do Rali de Portugal, Ogier partiu a proteção inferior numa das primeiras passagens por um salto que existia no percurso. Numa das paragens, o francês foi explicar ao engenheiro responsável e aos mecânicos que pretendia que fossem feitos buracos em forma de quadrado na parte da frente do fundo protetor, provavelmente para que aquela peça não partisse por completo em impactos semelhantes. E pouco depois os mecânicos começaram a cortar os referidos quadrados no metal…
Miguel Cunha, chefe de mecânicos do carro de Ogier, admite que “as expectativas agora são maiores e a responsabilidade também. Temos que adaptar o carro ao piloto, que só chegou à equipa em dezembro. Ele fez dois dias de testes antes do Monte Carlo e ganhámos. Mas como há um número limitado de testes, ele tem feito dois dias antes de cada rali e vai evoluindo a cada sessão. O estilo de condução do Ogier, já sabíamos, é muito limpo, com poucos estragos no carro. Pessoalmente, já tinha trabalhado com outros campeões como Sainz, McRae, Grönholm. Agora tento sobretudo manter a calma entre os meus colegas pois tenho uma equipa muito jovem”, referiu o técnico português, na equipa britânica há 17 anos.










