Budapeste recebe este fim de semana a 11.ª ronda da temporada de Fórmula 1 de 2026, a última corrida antes da tradicional pausa de verão, com o Grande Prémio da Hungria a marcar a metade do calendário e a trazer vários temas em destaque para a luta pelo título.
Russell à procura de terminar primeira metade com algum positivismo
George Russell está a viver uma das temporadas mais exigentes do ponto de vista mental e emocional. As promessas de uma temporada positiva e a luta pelo título têm esbarrado nos sucessivos contratempos técnicos e alguns azares que têm afastado o britânico do topo. Russell começou da melhor forma com a vitória em Melbourne e o sprint de Xangai, antes de uma sequência de infortúnios permitir a Kimi Antonelli vencer cinco corridas consecutivas e abrir uma vantagem de 68 pontos. Russell reagiu, reduzindo a diferença em 43 pontos ao longo de três rondas, com segundos lugares em Barcelona e Silverstone e uma vitória na Áustria, mas na Bélgica sofreu um novo revés, sendo forçado a abandonar após um toque na primeira volta com Lewis Hamilton, o que deixou 50 pontos de diferença entre Antonelli e o britânico. O azar não é o único fator a ter em conta e Russell não tem conseguido andar ao mesmo ritmo de Antonelli. Mas os pontos perdidos por problemas e toques eram suficientes para, pelo menos, se manter mais perto do colega de equipa. Segundo a Mercedes, o défice de velocidade nas retas que tem afetado Russell, ainda não totalmente diagnosticado, estava a custar-lhe algumas décimas por volta, agravado por problemas de utilização de energia no arranque da corrida na Bélgica. Russell deu os primeiros sinais claros de frustração, com uma entrevista com elevada carga emocional no final da sua encurtada participação em Spa. Russell precisa de um fim de semana limpo e de um bom resultado para ir de férias com alguma réstia de positivismo.

Boas perspetivas para a Ferrari
Lewis Hamilton é o piloto mais bem-sucedido na Hungria e detém o recorde de vitórias (oito) e de pole positions (nove) no Grande Prémio local, embora não vença a corrida desde a sua última conquista do título, em 2020, enquanto Leclerc foi o piloto que conquistou a pole position na edição do ano passado. A estatística dá boas indicações à Scuderia mas o que de facto dá força à teoria que este fim de semana pode ser vermelho são as performances do SF-26. Com um dos melhores chassis da atualidade, a Ferrari perde nas retas devido à falta de “pulmão” da sua unidade motriz, que se evidencia em retas mais longas. Hungaroring não é conhecido por retas, mas sim por ser descrito como “Mónaco sem muros” ou seja, um circuito convencional, mas muito sinuoso, onde a valia do chassis se torna mais importante que a força dos motores. É esta conjugação de fatores que confere à Ferrari uma boa dose de favoritismo, apesar de não vencer neste traçado desde 2017. E com os dois pilotos da casa em forma, poderemos ver um desafio forte ao domínio da Mercedes.

Grande fim de semana para a Aston Martin
Este fim de semana é decisivo para a Aston Martin e para os seus mais de mil colaboradores, depois de uma temporada particularmente difícil, marcada pela chegada tardia do AMR26 e por um desempenho que colocou a equipa como a mais lenta da grelha. Budapeste assistirá à estreia do que é essencialmente um chassis “B” desenhado por Adrian Newey, com um novo nariz, aerodinâmica reformulada e um chassis mais leve e re-homologado, tendo o diretor de pista Mike Krack revelado em Spa que a equipa estava “a contar os dias” para a sua chegada. É na Hungria que o futuro da Aston Martin se começa a definir.

Outros desenvolvimentos das equipas
A McLaren introduzirá também um pacote de atualizações direcionado à correção dos problemas de equilíbrio a baixa velocidade do MCL40, depois de já ter estreado uma nova asa traseira na Bélgica como primeira parte de um pacote mais amplo. A equipa venceu nas últimas duas edições do Grande Prémio da Hungria. A Racing Bulls dispõe também de um segundo chassis novo disponível este fim de semana, depois de Arvid Lindblad ter sido o primeiro a utilizar a atualização em Spa, convertendo-a num nono lugar, enquanto Liam Lawson terá agora acesso ao mesmo equipamento.

Última oportunidade antes da pausa
Com seis corridas em oito semanas desde Mónaco, Hungaroring antecede a tão desejada pausa de verão, período durante o qual todas as equipas terão de suspender o desenvolvimento dos seus carros por duas semanas em agosto, antes do regresso à competição em Zandvoort, a 23 de agosto. Isto significa que haverá três fins de semana consecutivos sem corrida depois da visita à Hungria.

Início da “silly season”
E se falamos em pausa de verão, temos forçosamente falar de “silly season”, período em que se anunciam os acordos de pilotos para a temporada seguinte. Ainda que seja improvável qualquer bombástico à escala do caso Piastri em 2022, existem várias vagas em aberto para 2027, com o futuro de Max Verstappen na Red Bull a ser o tema mais debatido, apesar de se esperar que o tetracampeão permaneça na equipa austríaca. Também o futuro de Fernando Alonso na Aston Martin está em aberto, uma vez que o seu contrato termina no final de 2026, tal como as decisões pendentes na Haas entre manter Esteban Ocon ou apostar em Rafael Câmara, ou Leonardo Fornaroli. Poderemos também ter alguns anuncios importantes para manter a vivo o interesse dos fãs.










