À medida que a temporada avança e o pelotão se estabiliza, Liam Lawson surge no paddock de Barcelona com o semblante aliviado de quem sobreviveu com distinção a uma autêntica prova de fogo.
O jovem neozelandês da Racing Bulls, que pontuou em cinco das primeiras seis rondas da temporada entre corridas Sprint e Grandes Prémios, viveu nas ruas de Monte Carlo um fim de semana emocionalmente avassalador, marcado por problemas mecânicos de última hora que quase o impediram de alinhar na grelha de partida.
Na conferência de imprensa, num tom de franca maturidade, Lawson reflete sobre o impacto de ter cumprido, pela primeira vez na carreira, uma pré-época estruturada, analisa o equilíbrio de forças das unidades motrizes e assume que a consistência e o oportunismo têm sido os seus maiores trunfos.
Longe de se deixar deslumbrar pelo excelente arranque de ano, o piloto de 24 anos mantém os pés bem assentes na terra, consciente de que na Fórmula 1 a glória e o revés estão à distância de escassas centésimas de segundo.

P: Liam, que excelente corrida para si e para a equipa no Mónaco. Como se compararam as suas emoções após este resultado com o quinto lugar que conquistou em Baku no ano passado?
Liam Lawson: Sim, honestamente, foi muito diferente. O Mónaco é sempre um circuito muito especial. Quando começámos o fim de semana, não estávamos propriamente muito competitivos e fomos obrigados a mudar imensa coisa no carro ao longo dos dias. Depois, o domingo transformou-se numa autêntica montanha-russa de emoções. A dada altura, cheguei a pensar que nem iria conseguir correr. Quando entrei na garagem, o carro estava completamente em peças devido a um problema técnico de última hora.
A equipa fez um trabalho absolutamente incrível para conseguir montá-lo a tempo. Saí para a pista e fiz, basicamente, apenas a volta de instalação para a grelha de partida, pelo que fomos para a corrida sem conseguir sentir verdadeiramente o equilíbrio do monolugar ou algo do género.
Mas a verdade é que sobrevivemos, e sinto que essa capacidade de sobrevivência é, em grande parte, o que tem funcionado para nós neste momento. Obviamente que temos de tentar manter esta consistência, mas o facto é que temos sido razoavelmente competitivos e temos sabido colocar-nos no sítio certo. Quando os outros pilotos enfrentam problemas, nós temos sido capazes de capitalizar e de tirar proveito disso, e considero que foi exatamente isso que aconteceu no Mónaco. Portanto, sim, foi muito positivo.
P: Tem assinado um arranque de temporada brilhante. Quanto desse sucesso se deve ao rendimento do carro e sente que, a nível pessoal, deu um salto qualitativo como piloto este ano?
Liam Lawson: Bem, sim, eu considero que os carros deste ano são muito interessantes. Como é óbvio, ainda nos estamos todos a habituar a eles e a aprender a extrair o máximo do seu potencial. O ritmo de desenvolvimento é massivo esta temporada.
Estamos todos a descobrir aspetos cruciais na maioria dos fins de semana, pelo que andamos todos atrás dessa evolução. No plano pessoal, considero que estamos sempre a evoluir e a aprender. Quanto mais experiência eu acumular, melhor me vou tornar. Comparando com o ano passado, diria que me encontro num lugar muito melhor. Sinto que tem havido um pouco mais de consistência este ano e isso tem ajudado bastante.
P: Liam, embora ainda não exista nenhuma confirmação oficial, o mecanismo ADUO está no horizonte, abrindo a oportunidade para as equipas melhorarem as suas unidades motrizes caso estejam abaixo do rendimento do fabricante líder. Considera que a Racing Bulls dispõe atualmente do melhor motor da Fórmula 1 e ficaria preocupado se os vossos rivais pudessem evoluir os deles sem que vocês o pudessem fazer?
Liam Lawson: Penso que temos uma boa unidade motriz, com toda a certeza. Creio que fizemos, talvez, mais do que as pessoas esperavam, e inclusivamente mais do que nós próprios prevíamos no início, considerando que entrámos com uma unidade motriz totalmente nova e com uma equipa nova construída em torno dela.
Considero que a HPP realizou um trabalho inacreditável e dispomos de um motor muito competitivo.
É difícil saber quem tem, efetivamente, o melhor motor do pelotão.
Cada equipa apresenta diferentes níveis de eficiência ao nível do apoio aerodinâmico (downforce) e outras variáveis. Mesmo dentro das próprias equipas, vemos diferenças por vezes nos fins de semana de corrida, ao nível do rendimento em linha reta e aspetos semelhantes.
Por isso, pessoalmente, não sei se temos de facto o melhor motor, mas sei perfeitamente que é muito bom.
Mas é óbvio que as outras equipas também dispõem de excelentes unidades motrizes.
P: O Liam está a assinar uma época soberba, tendo pontuado em cinco das primeiras seis rondas do campeonato, entre Sprints e Grandes Prémios. Dá a sensação de que tudo está finalmente a fazer sentido, após um par de temporadas algo turbulentas. A que atribui este momento e sente que pode voltar a colocar o seu nome na lista de candidatos a um lugar numa equipa de topo?
Liam Lawson: Sim, quer dizer, penso que estamos sempre a aprender e a melhorar. Portanto, sem dúvida que me sinto num lugar melhor do que alguma vez estive desde que cheguei à Fórmula 1. Mas importa também recordar que, nos últimos dois anos, a forma como entrei na Fórmula 1 foi bastante singular, sempre na parte final das temporadas de 2023 e de 2024. O ano passado foi, presumo, a minha primeira época completa, mas, como todos viram, começou de forma muito atribulada. Este ano, por oposição, tive direito a uma pré-época devidamente estruturada. Com os carros novos, estamos todos focados em compreendê-los e em aprender as suas reações. Acho simplesmente que temos feito um bom trabalho; aprendi imenso com os últimos dois anos e sinto que fui capaz de colocar essa bagagem em prática esta temporada. E sim, eu bem sei como é o desporto automóvel. Obviamente que, mais tarde ou mais cedo, acabará por surgir um fim de semana mau, todos passamos por isso, mas neste momento estamos a atravessar uma boa fase. Temos um bom ímpeto e, enquanto equipa, realizámos um trabalho muito sólido, pelo que estou ansioso por tentar dar continuidade a este momento. Honestamente, não creio que haja nenhum segredo específico para além da pura experiência. No Mónaco foi assim e aqui em Barcelona há uma probabilidade um pouco maior de isso acontecer, até porque a corrida não se irá realizar no próximo ano.
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