Com a segunda metade da temporada em curso, o Diretor de Ralis da FIA, Yves Matton, reflete sobre os ralis, tanto a nível regional como internacional.
O que pode dizer sobre o calendário da próxima época, e os vários planos que estão a tomar forma?
“Teremos 13 eventos, anunciámos nove provas, para permitir a todos os interessados finalizar os seus planos para a próxima época, o mais rapidamente possível”.
Quatro permanecem por confirmar. Será incluído no calendário final mais algum evento fora da Europa?
“Tentaremos, passo a passo, regressar à nossa estratégia pré-pandémica de avançar para um rácio de 50/50 Europa/Resto do Mundo, mas temos alguns constrangimentos a ultrapassar, ligados à crise global da saúde, tais como as restrições de viagem e fronteiras que existem. Temos também de considerar a introdução dos Rally1. Seria difícil para os fabricantes mais eventos fora da Europa na primeira parte da época, numa altura em que estes carros ainda serão muito novos”.
Até que ponto está otimista quanto ao início atempado da nova temporada, dado o nascimento da era do Rally1, no meio dos contínuos desafios causados pela pandemia?
“Tenho de dizer que as coisas estão a ir na direção certa, os testes estão a correr bem e os fabricantes estão a seguir os seus planos. Tem havido alguns atrasos, mas acreditamos firmemente que não há nada que possa afetar o arranque dos Rally1 no Rallye Monte-Carlo, em janeiro”.
Três construtores estão empenhados na próxima era do WRC, o que é uma excelente notícia, mas será que vai pressionar para que sejam inscritos quatro carros, de modo a maximizar o número de carros do Rally1 a competir?
“As regras não vão mudar. Os fabricantes poderão correr quantos carros quiserem, mas só poderão indicar três carros, por evento, para marcar pontos, com os dois melhores a marcar esses pontos. Mesmo que estejamos a ver fabricantes a correr com quatro carros, seria difícil tornar isto obrigatório para 2022, dadas as restrições a que os fabricantes têm estado sujeitos recentemente.
Mas poderia ser algo que estudamos para o futuro, trazer mais pilotos a este nível e ver como podemos criar mais oportunidades para os ‘rookies’ fazerem parte das equipas de fábrica”.
Prevê uma regra que exige que cada fabricante entre com um quarto carro para um condutor júnior?
“Talvez essa possa ser uma opção, particularmente se abrir lugares a mais jovens pilotos que venham através da Pirâmide de Ralis da FIA. Isto poderia ser bom para toda a pirâmide”.
Se voltarmos ao calendário de 2021, o regresso do Rali Safari Quénia foi um grande sucesso e o Rali da Acrópole também estará de volta ao calendário. Quão importantes são estes eventos ‘clássicos’?
“Passaram 19 anos desde que o Safari fez parte do campeonato, mas está no ADN do WRC desafiar os pilotos e os carros, em diferentes condições. As estradas no Quénia são diferentes do que se encontra em qualquer outra parte do mundo e esse imaginário deu um valor real ao campeonato.
Foi um feito muito positivo regressar ao Quénia, e o mesmo se passa com a Acrópole. É mais um rali desafiante com muitos momentos dramáticos ao longo da sua história. Para muitos pilotos, eles irão descobrir novas estradas e isso é o básico nos ralis”.
Irá o Rali do Japão prosseguir como planeado em novembro?
“É um desafio, mas o feedback que tenho do Grupo de Trabalho que está a trabalhar com o promotor e organizador local, demonstra que eles estão a trabalhar para o conseguir. As coisas estão no caminho certo, mas o país tem as suas próprias regras. E embora estas regras devam ser respeitadas, não há nada que nos faça pensar que o rali não vá acontecer, neste momento. A implementação dos protocolos da Covid nos Jogos Olímpicos, que terá início dentro de poucos dias, dar-nos-á uma visão interessante sobre a aplicação destes processos para a ronda do WRC”.
Passando ao Todo-o-terreno, tem havido alguns desenvolvimentos positivos nesta disciplina. É essa a sua avaliação?
“Acreditamos firmemente que o TT tem um grande futuro como laboratório para novas tecnologias e sustentabilidade, mas também continuará a ser uma grande plataforma para fabricantes e privados.
A experiência promocional e organizacional dos nossos colegas da ASO, o valor que o Dakar trará, e o conhecimento da FIA em termos de novas tecnologias, significa que este é um período excitante para esta disciplina, e o momento certo para iniciar um Campeonato do Mundo de Todo o Terreno. Há muito trabalho a ser feito para o conseguir”.










